<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891</id><updated>2011-08-01T23:25:16.933-02:00</updated><category term='Ciência Neoparadigmática'/><category term='Desenvolvimento Espiritual'/><category term='Existência'/><category term='Tipos de Experiências'/><category term='Enteogenia'/><category term='Entrevistas'/><category term='Stanislav Grof'/><category term='Budismo'/><category term='Psicologia Traspessoal'/><category term='Insights'/><category term='Orações'/><category term='Jung'/><category term='Escrituras Sagradas'/><title type='text'>Integrando Fragmentos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-6947724197112749529</id><published>2010-08-23T21:23:00.004-02:00</published><updated>2010-08-23T21:44:56.422-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jung'/><title type='text'>Unificação interior</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/THMHp9Fr5SI/AAAAAAAAAR8/ymUgZp19nZk/s1600/Sem+t%C3%ADtulo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 271px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/THMHp9Fr5SI/AAAAAAAAAR8/ymUgZp19nZk/s400/Sem+t%C3%ADtulo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508755186558690594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse casamento seria a unificação dos componentes separados da personalidade que serveria de contra-peso à dicotomia crescente, ou seja, a dissolução psíquica do homem massificado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, é da maior importância que esse processo se realize conscientemente, pois, caso contrário, as consequências psíquicas da massificação se intalariam inevitavelmente. Se a afirmação interior do indivíduo não se realizar conscientemente, ela se dará espontâneamente através do fenômeno que todos conhecemos do endurecimento inimaginável do homem massificado em relação ao seu semelhante. Ele se transforma num animal gregário e desprovido de alma, apenas regido pelo pânico e pela cobiça. Sua alma se perde, uma vez que esta só vive da relação humana. A realização consciente da unificação interior é inseparável da relação humana, que é uma condição indispensável, pois sem um vínculo com o próximo, reconhecido e aceito conscientemente, a síntese da personalidade simplesmente não se faz. De fato, essa realidade em que se realiza a unificação interior, nada tem de pessoal nem pertence ao ego. Ela lhe é hierarquicamente superior, pois como Si-Mesmo, representa uma síntese do eu com o inconsciente suprapessoal. O fortalecimento interior do indivíduo nada, absolutamente nada tem a ver com uma forma em nível superior do endurecimento do homem massificado, nem com uma atitude de isolamento espiritual e de inacessibilidade, por exemplo. Muito pelo contrário, ele inclui o próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirado de: Ab-reação, análise dos sonhos, transferência. De C.G. Jung&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-6947724197112749529?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/6947724197112749529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=6947724197112749529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/6947724197112749529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/6947724197112749529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2010/08/unificacao-interior.html' title='Unificação interior'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/THMHp9Fr5SI/AAAAAAAAAR8/ymUgZp19nZk/s72-c/Sem+t%C3%ADtulo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-2244466505941233013</id><published>2010-06-04T13:37:00.005-02:00</published><updated>2010-06-10T10:22:32.650-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jung'/><title type='text'>O significado metafórico da alquimia para Jung</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/TApR_f1y3UI/AAAAAAAAARk/BuIdKNNEwEE/s1600/Sem+t%C3%ADtulo.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 314px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/TApR_f1y3UI/AAAAAAAAARk/BuIdKNNEwEE/s400/Sem+t%C3%ADtulo.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5479282047970368834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho do Artigo JUNG E A METÁFORA ALQUÍMICA, publicado em Symbolom - estudos Junguianos. Do autor: Vitor P.Calixto dos Santos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O significado metafórico da alquimia para Jung poderia ser visto nesta suas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O problema central da psicologia é a integração dos opostos. Isto é encontrado em todo lugar e todos os níveis. Em Psicologia e Alquimia (Obras 12) ocupei-me da integração de Satanás.[...] Isto se realiza por meio de um processo simbólico muito complicado que coincide a grosso modo com o processo psicológico da individuação. Em alquimia este processo se chama conjunção de dois princípios.[...] As operações alquímicas eram reais, somente que a sua realidade não era física, mas sim psicológica. A alquimia representa a projeção em laboratório de uma drama ao mesmo tempo cósmico e psicológico.[...]&lt;br /&gt;Na linguagem dos alquimistas a matéria sofre até que a nigredo desapareça; então a cauda do pavão ( cauda pavonis) anunciará a aurora e surgirá um novo dia, a leúkosis ou albedo. Mas neste estado de brancura não existe verdadeira vida, é um estado abstrato, ideal. Para infundir-lhe vida é preciso infundir-lhe "o sangue", a rubedo, o vermelho da vida. Somente a experiência de todos os estágios do ser pode transformar o estado ideal da albedo em uma forma de existência plenamente humana. Somente o sangue pode vivificar o estado de consciência mais alto, no qual é dissolvida o último traço de negrume, no qual o demônio não tem mais existência autônoma mas é integrado reconstituindo a profunda unidade da psique. Então a opus magnum está completa: a alma humana está completamente integrada"(10).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a partir do processo de individuação(11) que é possível compreender a presença difusa dos recursos ao simbolismo alquímico nos escritos de Jung a partir dos anos trinta. É preciso dizer que o uso das imagens dos alquimistas ( entendidas também muitas vezes em sentido próprio, ou seja como figura) e entre estas, algumas preferidas: a água, as centelhas, o redondo, o lápis, a árvore não acontece na ótica de explicações reducionistas, mas no contexto de amplificaçao nas quais entre os materiais oníricos e os produtos da imaginação ativa e as imagens dos alquimistas se estabelece uma circularidade ou reverberação de significados. Jung faz uma leitura que adentra na história mas não é uma leitura propriamente histórica do fenômeno alquímico. O "mistério" da alquimia na compreensão de Jung consiste na afirmação clara do caráter simbólico da coniunctio alquímica na qual propriamente reside a possibilidade de utilizá-la como termo de confronto real ( realidade objetiva, externa) e como instrumento de compreensão e de comunicação para as manifestações do inconsciente coletivo na psique individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo completo em: ww.symbolon.com.br/artigos/jungeameta.htm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-2244466505941233013?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/2244466505941233013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=2244466505941233013' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/2244466505941233013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/2244466505941233013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2010/06/o-significado-metaforico-da-alquimia.html' title='O significado metafórico da alquimia para Jung'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/TApR_f1y3UI/AAAAAAAAARk/BuIdKNNEwEE/s72-c/Sem+t%C3%ADtulo.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-7320266374949354895</id><published>2010-05-22T23:28:00.003-02:00</published><updated>2010-05-22T23:34:54.078-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jung'/><title type='text'>O desenvolvimento da personalidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S_iFLDE0dwI/AAAAAAAAARc/3f8kJY-n6vw/s1600/2041126.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 318px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S_iFLDE0dwI/AAAAAAAAARc/3f8kJY-n6vw/s400/2041126.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5474271771919415042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;por C.G. Jung&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A personalidade se desenvolve no decorrer da vida, a partir de germes, cuja interpretação é difícil ou até impossível; somente pela nossa ação é que se torna manifesto quem somos de verdade. Somos como o Sol que alimenta a Terra e produz tudo o que há de belo, de estranho e de mau; somos também como as mães que carregam no seio a felicidade desconhecida e o sofrimento. De início não sabemos o que está contido em nós, que feitos sublimes ou que crimes, que espécie de bem ou mal. Somente o outono revela o que a primavera produziu, e somente a tarde manifesta o que a manhã iniciou. &lt;br /&gt;A personalidade, no sentido da realização total de nosso ser, é um ideal inatingível. O fato de não ser atingível não é uma razão a se opor a um ideal, pois os ideais são apenas os indicadores do caminho e não as metas visadas. &lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Enfim, o que impulsiona a alguém a escolher seu próprio caminho, e a elevar-se como uma camada de nevoeiro acima da identidade com a massa humana? Não pode ser a necessidade, pois esta atinge a muitos e todos estes se salvam pelas convenções (sociais). A decisão moral também não pode ser, pois geralmente todos se decidem pela convenção. O que, pois, dá o último impulso a favor de algo fora do comum? &lt;br /&gt;E o que se denomina designação; é um fator irracional, traçado pelo destino, que impele a emancipar-se da massa gregária e de seus caminhos desgastados pelo uso. Personalidade verdadeira sempre supõe designação e nela acredita, nela deposita pistis ("confiança") como em Deus, mesmo que na opinião do homem comum seja apenas um sentimento pessoal de designação. Esta designação age como se fosse uma lei de Deus, da qual não é possível esquivar-se. (…) Quem tem designação (Bestimmung) escuta a voz (Stimme) do seu íntimo, está designado (bestimmung).&lt;br /&gt; (...)&lt;br /&gt;A designação ou o respectivo sentimento não constitui apenas uma prerrogativa das grandes personalidades; também aparece nas pequenas personalidades e mesmo na menor delas, só que acompanhada do decréscimo da intensidade, tornando-se cada vez mais nebulosa e mais inconsciente. Parece que a voz do demônio interior se torna cada vez mais distante, mais rara e mais confusa. Quanto menor for a personalidade, tanto mais imprecisa e inconsciente se torna a voz, até confundir-se com a sociedade, sem poder distinguir-se dela, privando-se da própria totalidade para diluir-se na totalidade do grupo. A voz interior é substituída pela voz do grupo social e de suas convenções; em lugar da designação aparecem as necessidades da coletividade. A não poucos sucede que, mesmo estando nesse estado social inconsciente, são chamados por uma voz individual e assim começam a distinguir-se dos outros e a deparar com problemas a respeito dos quais os outros nada sabem. Em geral é impossível para esse indivíduo explicar às outras pessoas o que lhe aconteceu, pois existe como que um muro de fortíssimos preconceitos a impedir a compreensão. &lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Somente pode tornar-se personalidade quem é capaz de dizer um “sim” consciente ao poder da destinação interior que se lhe apresenta; quem sucumbe diante dela fica entregue ao desenrolar cego dos acontecimentos e é aniquilado. O que cada personalidade tem de grande e de salvador reside no fato de ela, por livre decisão, sacrificar-se à sua designação e traduzir conscientemente em sua realidade individual aquilo que, se fosse vivido inconscientemente pelo grupo, unicamente poderia conduzir a ruína. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirado de: O desenvolvimento da personalidade; de C.G.Jung&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-7320266374949354895?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/7320266374949354895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=7320266374949354895' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7320266374949354895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7320266374949354895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2010/05/desenvolvimento-da-personalidade.html' title='O desenvolvimento da personalidade'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S_iFLDE0dwI/AAAAAAAAARc/3f8kJY-n6vw/s72-c/2041126.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-1590624368429920426</id><published>2010-05-09T18:34:00.003-02:00</published><updated>2010-05-09T18:43:20.452-02:00</updated><title type='text'>O entendimento dos símbolos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S-cdVz--z0I/AAAAAAAAARM/Tays0-n0Pgg/s1600/fernando.pessoa10.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 277px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S-cdVz--z0I/AAAAAAAAARM/Tays0-n0Pgg/s400/fernando.pessoa10.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469372533033586498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Escrito por Fernando Pessoa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para eles mortos, e ele um morto para eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira é a simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar. A atitude cauta, a irônica, a deslocada – todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando PessoaA segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, ordena, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que se usou da simpatia e da intuição. Um dos fins da inteligência, no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está em baixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrando essa relação, se a intuição não a tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quarta é a compreensão, entendendo por essa palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, tudo é o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quinta é menos definível. Direi talvez, falando a uns que é a graça, falando a outros que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros que é o Conhecimento e Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma dessas coisas, que são a mesma, da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirado do artigo: Os Ascendentes do Brasil, São Paulo e Brasília. de Darci Lopes&lt;br /&gt;Fonte: http://www.constelar.com.br/constelar/136_outubro09/ascendentes-brasil-saopaulo-brasilia1.php&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-1590624368429920426?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/1590624368429920426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=1590624368429920426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1590624368429920426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1590624368429920426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2010/05/o-entendimento-dos-simbolos.html' title='O entendimento dos símbolos'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S-cdVz--z0I/AAAAAAAAARM/Tays0-n0Pgg/s72-c/fernando.pessoa10.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-1995825368911933626</id><published>2010-05-05T22:10:00.007-02:00</published><updated>2010-05-23T22:18:02.485-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Budismo'/><title type='text'>Os Três Senhores do Ego</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S-IJvtB2xzI/AAAAAAAAARE/vi53RmIHfHw/s1600/vajrapanidd.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S-IJvtB2xzI/AAAAAAAAARE/vi53RmIHfHw/s400/vajrapanidd.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467943612727084850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma metáfora interessante usada no Budismo Tibetano para descrever o funcionamento do ego é a dos "Três Senhores do Materialismo": o "Senhor da Forma", o "Senhor da Palavra" e o "Senhor da Mente". Na apreciação que se segue dos Três Senhores , as palavras "materialismo e "neurótico" referem-se à acção do ego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor da Forma refere-se à procura neurótica de conforto físico, segurança e prazer. A tecnológica e altamente organizada sociedade em que vivemos reflecte a nossa preocupação em manipular o que fisicamente nos rodeia, de modo a proteger-nos contra as irritações dos brutais, inconstantes e imprevisíveis aspectos da vida. Elevadores automáticos, carne pré-embalada, ar condicionado, autoclismos, funerais privados, contas poupança-reforma, produção em massa, satélites meteorológicos, retroescavadoras, luz fluorescente, empregos das-nove-às-seis, televisão - tudo tentativas para criar um mundo manobrável, seguro, previsível e agradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor da Forma não designa as situações de vida, fisicamente ricas e seguras, que criamos per se. Refere-se mais à preocupação neurótica que nos leva a criá-las, a tentar controlar a natureza. É ambição do ego sentir-se alegre e seguro, tentando evitar qualquer fonte de irritação. Por isso, agarramo-nos aos nossos prazeres e pertences, tememos a mudança ou forçamo-la, tentamos criar um recreio ou um abrigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor da Palavra refere-se ao uso do intelecto em relação ao nosso mundo. Adoptamos conjuntos de categorias que depois usamos como utensílios, como modos de lidar com os fenómenos. Os produtos mais desenvolvidos desta tendência são as ideologias, os sistemas de ideias que racionalizam, justificam e glorificam as nossas vidas. Nacionalismo, comunismo, existencialismo, Cristianismo, Budismo - todos nos fornecem identidades, regras de conduta e interpretações de como e porquê as coisas acontecem e são o que são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também aqui, o uso do intelecto em si mesmo não é o Senhor da Palavra. O Senhor da Palavra refere-se à tendência da parte do ego para interpretar tudo o que seja irritante ou ameaçador de um modo que permita neutralizar a ameaça ou transformá-la em algo "positivo" do ponto de vista do ego. O Senhor da Palavra refere-se ao uso de conceitos como filtros que nos protegem da percepção directa das coisas. Levamos os conceitos demasiado a sério; usamo-los como ferramentas que solidificam o nosso mundo e nós mesmos. Se existe um mundo de coisas nomeáveis, então "Eu" como uma das coisas nomeáveis também existe. Não deixamos qualquer espaço para dúvidas perturbadoras, incertezas ou confusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor da Mente refere-se ao esforço da consciência para se manter ciente de si mesma. O Senhor da Mente governa quando disciplinas psicológicas e espirituais são usadas como meio de manter a auto-consciência, de conservar o sentimento de si. Drogas, yoga, oração, meditação, transes, várias psicoterapias - tudo pode ser usado desse modo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ego é capaz de converter tudo em seu proveito, mesmo a espiritualidade. Por exemplo, se soubermos de alguma técnica de meditação ou prática espiritual particularmente benéfica, a atitude do ego é, em primeiro lugar, olhá-la como um objecto de fascínio e, depois, examiná-la. Uma vez que o ego tem uma aparência sólida e não pode absorver nada, só pode imitar, ele tenta examinar e reproduzir essa prática de meditação e esse modo de vida meditativo. Conhecidos todos os truques e respostas do jogo espiritual, tentamos automaticamente imitar a espiritualidade, já que o envolvimento real exigiria a completa eliminação do ego, o que, na verdade, é a última coisa que desejamos. Todavia, não se consegue experienciar aquilo que se tenta imitar; apenas se pode encontrar alguma área dentro das fronteiras do ego que pareça ser a mesma coisa. O ego traduz tudo em termos do seu bem-estar, das suas qualidades intrínsecas, e sente um grande contentamento e exaltação por ter sido capaz de criar tal modelo. Finalmente, conseguiu criar algo de tangível, uma confirmação da sua própria individualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se consegue manter a auto-consciência dentro das práticas espirituais, o genuíno desenvolvimento do espírito é altamente improvável. Os nossos hábitos mentais tornam-se tão fortes quanto difíceis de penetrar. Podemos até chegar ao ponto de alcançar o estado totalmente diabólico de completa "Egoidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o Senhor da Mente seja o mais eficaz em subverter a espiritualidade, também os outros dois Senhores podem comandar a prática espiritual. Retiros na natureza, isolamento, simplicidade, silêncio - tudo isto pode servir para nos protegermos da irritação e ser um modo do Senhor da Forma se manifestar. Ou talvez mesmo a religião nos proporcione um pretexto para criarmos um abrigo seguro, um lar simples mas confortável, para arranjarmos um parceiro amável e um emprego cómodo e estável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor da Palavra também está, do mesmo modo, envolvido na prática espiritual. Muitas vezes, ao seguirmos uma via espiritual, substituímos as nossas antigas crenças por uma nova ideologia religiosa, mas continuamos a usá-la da mesma forma neurótica. Por mais sublimes que sejam as nossas ideias, se as levamos demasiado a sério e as usamos para manter o nosso ego, continuamos a ser governados pelo Senhor da Palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se examinarmos os nossos actos, a maioria de nós provavelmente admitirá que somos governados por um ou mais dos Três Senhores. "Mas", podemos perguntar, "e depois? Isto é uma simples descrição da condição humana. Sim, sabemos que a nossa tecnologia não nos pode proteger da guerra, crime, doença, insegurança económica, trabalho árduo, velhice e morte; nem as nossas ideologias nos defendem da dúvida, incerteza, confusão e desorientação; nem as nossas terapias nos protegem da dissolução de estados de consciência elevados que temporariamente alcancemos e da desilusão e angústia que se lhe seguem. Mas o que podemos nós fazer? Os Três Senhores parecem demasiado poderosos para serem derrubados e, se o fossem, não saberíamos com que os substituir."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Buda, perturbado com estas questões, examinou o processo pelo qual os Três Senhores governam. Questionou por que razão as nossas mentes os seguem e se poderia haver outro caminho. E descobriu que os Três Senhores seduzem-nos criando um mito fundamental: o de que somos seres sólidos. Mas, afinal, o mito é falso, um grande embuste, uma gigantesca fraude, e é a raiz do nosso sofrimento. Para chegar a esta descoberta, ele teve de abrir caminho através das elaboradas defesas erguidas pelos Três Senhores para evitarem que os seus súbditos descobrissem a burla que é a fonte do seu poder. Não há outro modo de nos libertarmos do domínio dos Três Senhores, a não ser desmontar, camada após camada, as suas defesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As defesas dos Senhores são criadas a partir de material das nossas mentes. Este material é usado por eles de modo a manter o mito básico da estabilidade. Para vermos por nós mesmos como este processo funciona, temos de examinar a nossa própria experiência. "Mas como", podemos perguntar, "devemos fazer esse exame? Que método ou ferramenta vamos usar?" O método que o Buda descobriu é a meditação. Ele descobriu que lutar para encontrar respostas não funciona. Só quando havia hiatos na sua luta é que a percepção clara lhe aparecia. Ele começou a compreender que havia, no seu âmago, uma qualidade pura e desperta que se manifestava por si mesma apenas na ausência de esforço. Por isso, a prática da meditação implica "abandono".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chögyam Trungpa, Cutting Through Spiritual Materialism,&lt;br /&gt;Shambala Publications, 2002 (trad. de Moksha)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fonte: http://shangri-la-spirit.blogspot.com/2010/02/os-tres-senhores-do-ego.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-1995825368911933626?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/1995825368911933626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=1995825368911933626' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1995825368911933626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1995825368911933626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2010/05/os-tres-senhores-do-ego.html' title='Os Três Senhores do Ego'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S-IJvtB2xzI/AAAAAAAAARE/vi53RmIHfHw/s72-c/vajrapanidd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-8147724935140984479</id><published>2010-04-25T21:01:00.003-02:00</published><updated>2010-04-25T21:06:18.740-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jung'/><title type='text'>Sombra e Alquimia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S9TKpqjYeUI/AAAAAAAAAP8/Ak4HNl4oWDY/s1600/big_MORTIFICATIO.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 315px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S9TKpqjYeUI/AAAAAAAAAP8/Ak4HNl4oWDY/s400/big_MORTIFICATIO.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464215065053395266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    SOMBRA E ALQUIMIA&lt;br /&gt;    Vera Lucia Paes de Almeida&lt;br /&gt;    Texto publicado na Revista Hermes, vol. 8, nov. 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Origens da Alquimia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A Alquimia começou no Ocidente aproximadamente por volta do séc. I a.C. apresentando um declínio gradual após a queda do Império Romano até o séc. X. Durante este período ela floresceu no Império Bizantino e nos diferentes países árabes. Com as cruzadas e a invasão muçulmana na Península Ibérica ela retornou à Europa no séc. XI, unindo-se à Filosofia Escolástica e tendo seu apogeu na Idade Média. No séc. XVII desapareceu definitivamente sendo eclipsada pelo Iluminismo. Parte de seu conhecimento evoluiu para a Química e seu aspecto filosófico e religioso só foi resgatado no séc. XX por C. G. Jung. Ele reconheceu que os tratados alquímicos continham uma linguagem simbólica e falavam do processo de individuação, ou seja, a transformação da personalidade em busca da totalidade. A transmutação dos metais comuns em metais nobres, a busca da pedra filosofal, era o equivalente à busca de integração e conscientizaçã o do centro da personalidade, o Self (Franz, 1998:7).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Alquimia e Cristianismo:&lt;br /&gt;    A Alquimia nunca foi hostil aos movimentos religiosos dominantes mas formava uma espécie de tendência subterrânea compensatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    “O esforço da Alquimia visa a preencher as lacunas deixadas pela tensão dos opostos no Cristianismo.” (Jung, 1994: par. 26)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Essa tensão entre opostos no Cristianismo de que fala Jung, refere-se principalmente à oposição irredutível entre o Bem e o Mal, na qual o Bem é representado exclusivamente por Cristo e o Mal expressa-se na figura do demônio. Assim, o cristão é atirado num conflito e sofrimento insuportáveis, já que o Bem equivale à uma imitação incondicional de Cristo e o Mal a tudo que se opõe a isto. As exigências éticas do cristianismo acabaram por tornarem-se uma impossibilidade de serem vividas integralmente na vida prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    “O mundo cristão transformou a antinomia entre o bem e o mal num problema universal, erigindo-a em princípio absoluto através da afirmação dogmática dos contrários [...] Essa imitação de Cristo tomada em seu sentido mais profundo, implica um sofrimento intolerável para a maioria dos homens.” (Jung, 1994: par. 25)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Outra lacuna do Cristianismo é o impedimento a qualquer busca ou experiência pessoal do sagrado. Todo conflito deve ser resolvido dentro do âmbito dogmático, acreditando- se apenas naquilo que é prescrito pela Igreja. Disso resulta que o Cristianismo se constituiu como uma religião essencialmente patriarcal, fato este expresso no simbolismo da Trindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    “O dogma insiste em que o ‘três’ são ‘um’, mas se recusa a reconhecer que os ‘quatro’ sejam ‘um’. Sabe-se que os números ímpares sempre foram masculinos não só para nós, ocidentais, como também para os chineses; quanto aos números pares, são femininos. Assim, a Trindade é uma divindade explicitamente masculina.” (Jung, 1994: par. 25)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Contrapondo- se a isto, a Alquimia propõe seu axioma central, ou seja, o aforismo de Maria Prophetissa:&lt;br /&gt;    “ ‘Um torna-se dois, dois torna-se três, e do três provém o um que é o quarto’. Dessa forma, os números ímpares do dogma cristão são entremeados pelos números pares que significam o feminino, a terra, o subterrâneo e até mesmo o próprio mal.” (Jung, 1994: par. 26)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Esses temas são a sombra do cristianismo que a Alquimia procurou retomar em caráter compensatório. Para os alquimistas a matéria era uma contraparte viva e feminina do criador espiritual, e não algo que ficava à margem participando apenas lateralmente. Na Alquimia a matéria era um princípio igualmente divino, chamado freqüentemente por “matriz”, a qual complementava o princípio masculino espiritual da “forma” ou “ação da região etérea sobre os elementos” (Franz, 1998:46).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Ao realizar seus experimentos sobre a matéria nos seus laboratórios, o alquimista entrava em contacto com o inconsciente, a psique objetiva, e projetava os conteúdos arquetípicos nas operações alquímicas. Muitos deles de temperamento extrovertido permaneceram apenas no nível químico de sua busca, mas para muitos outros ressaltou-se o aspecto simbólico do seu trabalho e seus efeitos psicológicos de auto-transformação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    “Os alquimistas preferiam, de modo pouco eclesiástico, a busca do conhecimento à verdade oferecida pela fé, ainda que como homens medievais se julgassem bons cristãos.” (Jung, 1994: par. 41)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Franz (1998:36) diz que nesta cisão entre o dogma oficial do cristianismo e a corrente subterrânea da Alquimia, estariam as raízes do que hoje chamamos de divisão entre religião e ciências naturais. O alquimista tentava resgatar o espírito oculto na matéria ao valorizar o feminino e aceitar o mal na forma da nigredo (uma das fases da Obra) como parte integrante do processo alquímico. Assim, tentava manter juntos os opostos cindidos pelo cristianismo. Além disso, seu método de trabalho incluía igualmente métodos objetivos de laboratório, e métodos introspectivos de imaginação ativa, meditação e observação dos seus sonhos. No entanto, no séc. XVII a Alquimia tornou-se uma ciência natural, puramente extrovertida, excluindo os aspectos psicológicos, filosóficos e religiosos, os quais foram completamente desvalorizados para a formação da ciência prática da Química. E assim, a “religião foi guardada na gaveta para os domingos” (Franz, 1998:37).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Mortificatio (Edinger, 1995:165-197) :&lt;br /&gt;    A opus alquímica têm três estágios: nigredo, albedo e rubedo. A mortificatio relaciona-se com a primeira fase da obra, a nigredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Nigredo, ou cor negra, refere-se à sombra ou lado escuro da nossa personalidade que está oculto à luz da consciência. O encontro com a sombra é o primeiro passo no processo de individuação. Está relacionado com a dor, sofrimento e morte na Alquimia. Imagens ligadas à tortura, mutilação, apodrecimento (putrefactio) são pré-requisitos para imagens posteriores de crescimento, ressurreição e renascimento. De acordo com a lei dos contrários (enantiodromia) a intensa consciência do escuro constela o lado oposto, a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A mortificatio fala da morte de vários aspectos psíquicos que devem passar por este processo para sua transmutação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    a) Dragão: a imagem do dragão personifica a psique instintiva, a prima matéria. O mito do herói que salva a donzela do dragão expressa a necessidade do resgate da alma da sua prisão nas formas instintivas, primitivas e infantis.&lt;br /&gt;    b) O rei; o leão e o sol: referem-se ao princípio diretor do ego consciente e ao instinto de poder, os quais devem ser mortificados para que surja um novo centro, o Self. O velho rei representa um princípio dominante que perdeu sua eficácia e deve submeter-se à transformação.&lt;br /&gt;    c) O sapo: é uma variante simbólica do dragão. O sapo como prima matéria representa o desejo irrefreado. É o tema da pessoa ávida, insaciável que se afoga nos próprios excessos. Os desejos devem ser mortos nas suas formas projetadas, de cunho obsessivo.&lt;br /&gt;    d) A donzela; os inocentes: a imagem do sacrifício dos inocentes ou da donzela corresponde à necessidade do sacrifício da pureza ou inocência para poder se efetuar a ampliação da consciência. Por exemplo, o mito de Adão e Eva no Paraíso nos fala da consciência que surge depois de se provar do fruto da Árvore do Bem e do Mal.&lt;br /&gt;    e) Morte, cemitérios, funerais: imagens que ressaltam a necessidade da morte para que a vida ressurja, estão sempre conectadas ao plantio e germinação de sementes.&lt;br /&gt;    f) Lua: simbolismo cíclico da Lua que morre e renasce a cada mês.&lt;br /&gt;    g) Corvos ou abutres: pela cor negra, vinculação com a morte e o anúncio de maus augúrios são sempre associados com a mortificatio. A partir da experiência das trevas e do vazio, pode acontecer o encontro com o companheiro interior, o Self.&lt;br /&gt;    h) A paixão de Cristo: o intenso sofrimento de Cristo, torturado, flagelado e crucificado é freqüentemente identificado pelos alquimistas com sofrimentos pelos quais passa a prima matéria no seu processo de transformação. O ego tem que se sacrificar para se encontrar com o Self. No entanto, Jung ressalta uma grande diferença entre a vivência do alquimista e do cristão com relação a este arquétipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    “Não se trata de uma ‘imitação de Cristo’, mas do seu exato oposto, uma assimilação da imagem de Cristo em seu próprio eu, que é o ‘verdadeiro homem’. Já não é um esforço, uma labuta intencional para atingir a imitação, mas antes uma experiência involuntária da realidade representada pela lenda sagrada [...] A Paixão acontece ao adepto, não em sua forma clássica [...] mas na forma expressa no mito alquímico [...] Tudo isso ocorre, não ao próprio alquimista, mas sim ao ‘verdadeiro homem’, que o alquimista sente estar próximo de si, bem como em si, e, ao mesmo tempo, na retorta.” (Jung, 1990: par. 157)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Enfim, enquanto o valor supremo (Cristo) e o maior desvalor (o pecado, o mal) estiverem projetados fora do indivíduo, a psique se esvazia de significado e a vida religiosa se congela em pura exterioridade e formalismo. Jung ressalta que poucos experienciam a imagem divina como a qualidade mais íntima da própria alma, se relacionando apenas com um Cristo exterior. Da mesma forma, o mal é dificilmente vivido como algo importante no caminho do auto-conhecimento como a contrapartida de igual peso ao bem. A conjunctio, etapa final da opus é justamente a possibilidade de aproximar os opostos de modo a gerar o novo, a pedra filosofal ou a criança divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    “A problemática dos opostos suscitada pela sombra desempenha um papel importante e decisivo na alquimia, uma vez que conduz à unificação dos opostos no decorrer da obra, sob a forma arquetípica do ‘hierosgamos’, ou seja, das ‘núpcias químicas’. Nesta, os opostos supremos sob a forma do masculino e do feminino (como no Yang e Yin chinês) se fundem numa unidade em que os contrários desaparecem, unidade esta incorruptível. A condição necessária no entanto, é que o ‘artifex’ não se identifique com as figuras do opus, mas as preserve em sua forma impessoal e objetiva.” (Jung, 1994: par. 43)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Assim, a aceitação da sombra e do paradoxo que ela traz para a psique é fundamental para a vivência da verdadeira espiritualidade que se expressa no processo de individuação através da busca da totalidade e não da perfeição , pois:&lt;br /&gt;    “Só o paradoxal é capaz de abranger a plenitude da vida. A univocidade e a não-contradição são unilaterais e portanto não se prestam para exprimir o inalcançável.” (Jung, 1994: par. 18)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Edinger, Edward F. 1995 Anatomia da Psique. O Simbolismo Alquímico na Psicoterapia. São Paulo, Cultrix.&lt;br /&gt;    Franz, Marie-Louise von. 1998 A Alquimia e a Imaginação Ativa. São Paulo, Cultrix.&lt;br /&gt;    Jung, Carl Gustav 1990 Mysterium Coniunctionis. Vol. XIV/2. Petrópolis, Vozes.&lt;br /&gt;    1994 Psicologia e Alquimia. Vol. XII. 2ª ed. Petrópolis, Vozes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enviado por Sabina Vanderlei à lista Psi-cológica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-8147724935140984479?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/8147724935140984479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=8147724935140984479' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/8147724935140984479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/8147724935140984479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2010/04/sombra-e-alquimia.html' title='Sombra e Alquimia'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S9TKpqjYeUI/AAAAAAAAAP8/Ak4HNl4oWDY/s72-c/big_MORTIFICATIO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-6585302835640641299</id><published>2010-04-22T15:03:00.008-02:00</published><updated>2010-04-22T15:10:10.802-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tipos de Experiências'/><title type='text'>Êxtase de Ramakrishna</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S9CCcs_ktyI/AAAAAAAAAP0/eYfvP8sVd9M/s1600/ramakrishna-em-extase.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 286px; height: 347px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S9CCcs_ktyI/AAAAAAAAAP0/eYfvP8sVd9M/s400/ramakrishna-em-extase.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463009777626167074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...O sofrimento me dilacerava. Ao pensar que não teria na vida a graça desta visão divina, fui tomado de uma ansiedade terrível. Pensei: se isto deve ser assim, estou farto desta vida!... A grande espada estava pendurada no santuário de Kali. Meu olhar caiu sobre ela e um clarão atravessou-me a mente. - Ela!... Ela me ajudará a pôr fim... Precipitei-me em direção à espada. Segurei-a como um louco... E eis que a sala, com todas as suas portas e janelas, o templo, tudo desapareceu da minha vista. Parecia-me que nada mais existia. Em lugar disto, enxerguei um oceano do espírito, sem limites, resplandecente. Para qualquer ponto que voltasse os olhos, por mais longe que fosse, avistava as vagas enormes deste oceano brilhante. As ondas precipitavam-se furiosamente sobre mim, com um ruído medonho, como se fossem me engolir. Num instante estavam em cima de mim, arrebentaram, engoliram-me. Enrolado por elas, perdi a respiração. Perdi a consciência e caí no chão... Não sei como passei aquele dia e o seguinte. Dentro de mim rolava um oceano de alegria inefável. E até o fundo tinha consciência da presença da Mãe Divina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Edições de Planeta - Ramakrishna, o louco de Deus. São Paulo: Três, 1973. p.16).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enviado por eusonho no fórum plantasenteogenas.org&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-6585302835640641299?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/6585302835640641299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=6585302835640641299' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/6585302835640641299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/6585302835640641299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2010/04/o-extase-de-ramakrishna.html' title='Êxtase de Ramakrishna'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S9CCcs_ktyI/AAAAAAAAAP0/eYfvP8sVd9M/s72-c/ramakrishna-em-extase.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-3384959146000409253</id><published>2010-04-20T19:28:00.002-02:00</published><updated>2010-04-20T19:32:33.219-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jung'/><title type='text'>A formação dos símbolos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S84dFX7OvxI/AAAAAAAAAPs/n38K4gCPbE8/s1600/chakrasamvaramandala.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 319px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S84dFX7OvxI/AAAAAAAAAPs/n38K4gCPbE8/s320/chakrasamvaramandala.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462335376205987602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O mecanismo psicológico que transforma a energia (psíquica) é o símbolo. Refiro-me ao símbolo real, e não ao seu sinal. Assim, o buraco feito pelos Watschandis no chão não é um sinal do órgão genital da mulher, mas um símbolo que representa a mulher-terra a ser fecundada. Confundi-lo com uma fêmea humana seria interpretar semioticamente o símbolo, e isto fatalmente perturbaria o valor da cerimônia. E é por este motivo que os dançarinos não olham para uma mulher. O mecanismo seria destruído por uma concepção semiótica (...). Longe de mim afirmar que a interpretação semiótica não tem sentido; não é apenas uma interpretação possível, como também bastante verdadeira. Sua utilidade é indiscutível em todos os casos em que a natureza é frustrada sem que resulte dela uma efetiva produção de trabalho. Mas a interpretação semiótica torna-se sem sentido, quando é aplicada de modo exclusivo e sistemático, quando, em suma, ignora a natureza real do símbolo e o rebaixa à mera condição de sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamei o símbolo que converte a energia de "imagem da libido".  Como tal entendo aquelas representações que podem dar uma expressão equivalente à libido e assim canalizá-la para uma forma diferente da original. A mitologia nos oferece numerosos equivalentes deste gênero, que vão desde os objetos sagrados, como os churingas, os fetiches, etc, até as figuras de deuses. (…) A transformação da energia por meio do símbolo é um processo que vem se realizando desde os inícios da humanidade, e ainda continua. Os símbolos nunca foram inventados conscientemente; foram produzidos sempre pelo inconsciente pela via da chamada revelação ou intuição. (..) Esta antiquíssima função do símbolo está presente também em nossos dias, apesar do fato de que, por centenas de anos, a tendência da evolução da inteligência humana foi no sentido de reprimir a formação individual de símbolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estas as duas possibilidades oferecidas pelo espírito que a formação dos símbolos segue (instintiva e arquetípica). A redução produz uma desagregação de todos os símbolos inapropriados e inúteis, levando-os, assim, de volta ao seu curso meramente natural, e isto provoca um certo represamento da libido. A maioria das pretensas "sublimações" são produtos compulsivos desta situação, isto é, atividades cultivadas mediante as quais o indivíduo se desfaz, por assim dizer, do excesso insuportável de libido. Mas as exigências realmente primitivas não são atendidas com este procedimento. Se estudarmos cuidadosamente e sem preconceitos a psicologia desta situação de represamento, facilmente descobriremos os começos de uma forma primitiva de religião, forma religiosa esta de natureza individual totalmente diferente da religião coletiva e dogmática predominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a formação de uma religião ou a formação dos símbolos é um interesse do espírito primitivo, tão importante quanto a satisfação dos instintos, o caminho para um posterior desenvolvimento está logicamente indicado: o caminho para escapar do estado de redução é a formação de uma religião de caráter individual. Com isso a verdadeira individualidade emerge dos véus da personalidade coletiva, o que seria de todo impossível no estado de redução, pois a natureza instintiva é, em si mesma, essencialmente coletiva. O desenvolvimento da individualidade é também impossível, ou no mínimo seriamente impedido, se o estado de redução dá origem a sublimações forçadas, na forma de várias atividades culturais que, por sua essência, são igualmente coletivas. Como os seres humanos são predominantemente coletivos, estas sublimações forçadas são produtos terapêuticos que não devem ser subestimados, pois ajudam muitos indivíduos a levarem avante sua vida em uma atividade útil e proveitosa. Entre estas "atividades culturais" devemos incluir também a prática de uma religião, no quadro de uma religião coletiva. A maravilhosa amplidão do simbolismo católico oferece uma margem de acolhimento aos sentimentos do coração humano, que, para muitas naturezas, é plenamente satisfatória. A imediatidade da relação com Deus, típica do Protestantismo, satisfaz a sua propensão mística à independência, enquanto a Teosofia, com suas ilimitadas possibilidades de abstração, atende à sua necessidade de intuições, de inspiração gnóstica e à sua preguiça de pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As organizações ou sistemas são símbolos que capacitam o homem a estabelecer uma posição espiritual que se contrapõe à natureza instintiva original, uma atitude cultural em face da mera instintividade. Esta tem sido a função de todas as religiões. Por longo tempo e para a grande maioria dos homens basta o símbolo de uma religião coletiva. Talvez só temporariamente e para um número relativamente pequeno de pessoas é que as religiões coletivas existentes se tornaram inadequadas. Onde quer que o processo cultural esteja em andamento, seja nos indivíduos, isoladamente, seja em grupos, dão-se rupturas com relação às crenças coletivas. Qualquer avanço cultural é, psicologicamente, uma ampliação da consciência, uma tomada de consciência, que só pode se realizar mediante uma diferenciação. Por isso. Qualquer avanço começa sempre com a individuação, isto é, começa como indivíduo abrindo novo caminho através de terreno até então não desbravado, depois de haver-se conscientizado de sua própria individualização. Para chegar a isto, deve ele primeiramente retornar aos fatos fundamentais de seu próprio ser, independentemente de qualquer autoridade ou tradição, e tomar consciência de sua diferenciação. Se conseguir conferir um valor à sua consciência ampliada, ele provocará uma tensão entre os opostos que lhe fornece estímulos para seus progressos posteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…) Nossa educação marcadamente coletiva não faz praticamente provisões para este período de transição. Enquanto nos voltamos exclusivamente para a educação dos jovens, descuidamos da educação do adulto, a respeito do qual se admite - não se sabe com qual fundamento - que não tem necessidade de educação. Falta-lhe, por assim dizer, toda e qualquer guia para esta passagem, extraordinariamente importante, da atitude biológica para a atitude cultural, para a transformação da energia da forma biológica na forma cultural. Este processo de transformação é de natureza individual e não pode ser imposto por regras e prescrições gerais. A transformação da libido se opera através do símbolo. A formação dos símbolos é um problema fundamental que não cabe discutir no âmbito deste trabalho. Devo remeter o leitor ao capítulo V do meu livro Tipos Psicológicos, onde tratei detalhadamente esta questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirado do livro: "A energia psíquica" de C.G. Jung&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-3384959146000409253?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/3384959146000409253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=3384959146000409253' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3384959146000409253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3384959146000409253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2010/04/formacao-dos-simbolos.html' title='A formação dos símbolos'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S84dFX7OvxI/AAAAAAAAAPs/n38K4gCPbE8/s72-c/chakrasamvaramandala.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-1925229534251421521</id><published>2010-04-18T20:57:00.006-02:00</published><updated>2010-04-20T13:16:35.324-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Insights'/><title type='text'>Teia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S8uPTmk5UsI/AAAAAAAAAOM/uJLpstUmvds/s1600/alex_g7.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 321px; height: 319px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S8uPTmk5UsI/AAAAAAAAAOM/uJLpstUmvds/s400/alex_g7.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461616540052443842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Teia fina, Quase transparente&lt;br /&gt;Que se vê, e se tocar sente&lt;br /&gt;Oculta sob a cortina&lt;br /&gt;Em experiência se revela diretamente&lt;br /&gt;Se não, em simbiose &lt;br /&gt;Entre sentido e mente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teia cósmica infinita&lt;br /&gt;Tudo é, tudo liga&lt;br /&gt;Tecida em acontecimento&lt;br /&gt;Dentro, não existe desencontro&lt;br /&gt;Passado, presente, futuro&lt;br /&gt;Se planta, colhe em algum ponto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se ligam uno a um&lt;br /&gt;Nenhum fica isolado&lt;br /&gt;Acaso?&lt;br /&gt;Como pode existir estando tudo ligado?&lt;br /&gt;Na teia real e ilusória&lt;br /&gt;Tudo flui, nada fica parado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lupa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-1925229534251421521?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/1925229534251421521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=1925229534251421521' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1925229534251421521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1925229534251421521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2010/04/teia.html' title='Teia'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S8uPTmk5UsI/AAAAAAAAAOM/uJLpstUmvds/s72-c/alex_g7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-2228175811756537381</id><published>2010-04-02T11:09:00.005-02:00</published><updated>2010-04-22T15:12:36.916-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevistas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enteogenia'/><title type='text'>Entrevista com McKenna</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S7Xtg9lkYKI/AAAAAAAAAOE/tDpagYxmjq0/s1600/vid-hall-tm-seeking.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 183px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S7Xtg9lkYKI/AAAAAAAAAOE/tDpagYxmjq0/s320/vid-hall-tm-seeking.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455527674172956834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista de TERENCE MCKENNA, concedida a Will Noffke, que foi publicada no n° 1 da revista High Frontiers , em 1984.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILL NOFFKE: Fale-nos da experiência que moldou a sua vida e a sua obra - a viagem à Amazônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERENCE MCKENNA: Na verdade, participei de várias viagens à Amazônia, a primeira em 1971, a mais recente em 1981. Em 1981, uma expedição etnobotânica conjunta, composta de membros das universidades de Harvard e Colúmbia Britânica, viajou até Iquitos, no extremo leste do Peru. O meu irmão, que trabalha como etnoquímico na Universidade da Colúmbia Britânica, também fazia parte dessa expedição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos estudando o ayahuasca, bebida alucinógena empregada em uma área muito extensa das selvas litorâneas do Equador, da Colômbia e do Peru, e também um alucinógeno pouco conhecido, chamado oo-koo-hey ou kuri-coo, que é usado pelos índios uitotos, boros e muinanes, tanto um quanto outro tendo por base o DMT ou o DMT combinado com algum outro produto químico que propicia a experiência alucinógena. Trata-se provavelmente dos alucinógenos menos pesquisados de todos, embora o ayahuasca constitua importante religião popular em uma área bastante extensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É utilizado em curas xamanistas e é bem conhecido pelas classes pobres das planícies litorâneas do Peru e da população de mestiços. Quanto ao kuri-coo, é substância bem menos conhecida. Estávamos estudando-o porque as teorias farmacológicas ortodoxas dizem que ele não deve ser oralmente ativo, mas é. Portanto, havia um problema científico a resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILL NOFFKE: Algo como descobrir uma nova realidade para a ciência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERENCE MCKENNA: Bom, é preciso que haja um problema científico para justificar essas expedições. No fim, o que se estuda é a fenomenologia da droga, a droga tal como ela é experimentada - o que é bem diferente das questões farmacológicas que hoje estão sendo examinadas em laboratório. Mas a experiência de tomar essas drogas na Amazônia, subindo pequenos tributários do rio principal, entre pessoas pré-letradas, que definitivamente não pertenciam à classe média, e no ambiente da selva equatorial do continente, foi muito interessante, muito instrutiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILL NOFFKE: Como você reagiu a ela? Suponho que, pouco antes de fazer essa viagem, já havia experimentado outros alucinógenos e, de fato, estava querendo conhecer o efeito, a reação psicofísica em seu próprio organismo. No entanto, parece que encontrou algo inteiramente inesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERENCE MCKENNA: Exato. Desde meados da década de 60, estávamos interessados na dimetiltriptamina, ou DMT, tanto em virtude da experiência que ela proporciona como da rapidez de sua ação. Quando se fuma essa droga, o efeito se faz sentir em cerca de quinze a trinta segundos. O conteúdo da experiência parecia ir além da noção ortodoxa do que deve ser a experiência psicodélica. Em outras palavras, a experiência psicodélica tem sido discutida em termos da expansão da consciência, ou da exploração do conteúdo do inconsciente pessoal ou coletivo, ou ainda de grande empatia com obras de arte etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que verificamos no uso das triptaminas é que parece haver uma dimensão imprevista, envolvendo contato com uma inteligência alienígena. Uso essa expressão por não dispor de outra melhor. Enteléquias organizadas apresentavam-se na experiência psicodélica com informações que pareciam não provir da história pessoal do indivíduo e nem mesmo da experiência humana coletiva. Mais tarde, viemos a perceber que esse efeito era peculiar aos alucinógenos à base de triptamina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, não só ao DMT, ao ayahuasca e às substâncias mais exóticas da Amazônia, mas também à psilocibina, que é provavelmente a mais empregada dessas drogas. Para mim, era espantoso que uma voz pudesse se dirigir a uma pessoa naquele estado e transmitir informações durante um diálogo. Gordon Wasson, que descobriu o cogumelo portador de psilocibina e o apresentou à ciência ocidental, também escreveu sobre esse fenômeno. O mesmo fez Platão, ao discutir a importância do Logos para a religião helênica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa experiência de uma voz interior que nos guia, dotada de um nível superior de conhecimento, não é estranha à história do Ocidente, mas a aventura intelectual dos últimos mil anos fez com que tal idéia parecesse absurda, senão psicopatológica. Assim, na qualidade de farmacólogos modernos dedicados ao estudo dos alucinógenos, o meu irmão e eu nos deparamos com esse fenômeno. Nos anos seguintes, tratamos de estudá-lo e dirigir para ele a atenção de outras pessoas; diria que hoje há um consenso de que a experiência é real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe, porém, um consenso a respeito do que ela é exatamente. Estaremos lidando com um aspecto - uma entidade psíquica autônoma, como diriam os adeptos de Jung -, um assunto que escapa ao controle do ego? Ou com algo semelhante a uma Supermente da espécie - um tipo de enteléquia coletiva? Ou, de fato, estaremos lidando com uma inteligência alienígena e com tudo o que isso implica? São perguntas difíceis de responder. Até mesmo abordar o assunto é difícil, pois o fenômeno só se manifesta quando se tomam doses heróicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILL NOFFKE: Existem paralelos bastante óbvios. Um dos que me ocorrem é Santa Joana D'Arc ouvindo vozes e recebendo orientação. Acontece que ela era uma moça do campo, e talvez tivesse uma horta onde cultivasse cogumelos. A História está cheia de vozes que são ouvidas no contexto da experiência religiosa, vozes que são sempre atribuídas a um "deus", qualquer que seja a imagem que este conceito evoque na pessoa que as escuta. Essa experiência não resulta - pelo menos não necessariamente - da ingestão de drogas. Pode ocorrer através de alguma outra alteração da consciência humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERENCE MCKENNA: Certo. Sempre ocorre através de uma alteração da química interna do corpo e do cérebro. Mas essa alteração pode ser induzida por plantas ou por situações de estresse; ou uma pessoa ou linha hereditária pode simplesmente ser predisposta a esse tipo de coisa. Você tem toda a razão: a religião, como concebida em termos pré-modernos, é essencialmente a resposta humana ao problema do estímulo interno, embora muita gente afirme que se trata de um fenômeno que molda a cultura, ou mesmo dirige a cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, nos últimos quinhentos anos a religião passou a ser uma pirâmide hierárquica em cujo topo os dogmas são interpretados por teólogos. As interpretações são transmitidas aos fiéis através de uma hierarquia. Acho que a noção de revelação direta perturba muito as hierarquias religiosas. Não obstante, a revelação direta é certamente bastante comum nas culturas pré-letradas de todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tais casos, verificamos que os xamãs eram os únicos com os quais podíamos falar sobre o assunto ou que pareciam familiarizados com o fenômeno. E o que eles nos dizem é:&lt;br /&gt;"Claro. Naturalmente. É assim que se obtêm informações: de espíritos que habitam aquela dimensão, espíritos que nos ajudam e espíritos que nos atrapalham." A idéia de inteligências alienígenas autônomas na dimensão mental é, para eles, lugar-comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E creio que provavelmente é mesmo. Acho que a cultura ocidental fez um longo desvio idiossincrático para afastar-se do espírito, e só agora estamos começando a perceber que talvez nos falte alguma coisa. Na verdade, não representamos o máximo de conhecimento da natureza da realidade. Possuímos mapas muito interessantes, digamos, do interior do átomo ou de regiões longínquas do universo; mas, nas áreas que nos são mais próximas - nossa própria mente, a maneira como vemos a nós mesmos e aos nossos semelhantes -, acredito que essas culturas primitivas, por serem fenomenológicas, isentas do estorvo da técnica e de teorias abstratas de tudo o que acontece, aproximam-se mais da realidade. Em outras palavras, os xamãs são psiquiatras populares, psicanalistas populares, muito mais avançados que nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os antropólogos já observaram a ausência de distúrbios mentais graves em muitas culturas pré-letradas. Acredito que a mediação do xamã e, através dele, o contato com o Logos centralizante, fonte de informação ou gnose, é provavelmente a causa dessa capacidade de curar ou minimizar distúrbios psicológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILL NOFFKE: Você mencionou algo em relação à religião organizada. Acho que o cristianismo ocidental foi muito bem-sucedido, na tarefa de garantir o seu território, infundindo medo, dúvida e desconfiança em relação a tudo o que provém de fontes internas. Estabeleceu um critério que diz: "Se não está nas escrituras, deve ser ignorado ou podemos suspeitar de que provém de alguma força malsã". Há aí uma clara negativa da validade da experiência pessoal. Acho que, para muitas pessoas, a experiência psicodélica é altamente suspeita, perigosa e incontrolável. Como você acha que as pessoas a encaram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERENCE MCKENNA: É incontrolável na medida em que não é compreendida. Essas culturas pré-letradas possuem uma tradição ininterrupta de conhecimentos e etnomedicina xamanistas, tão ou mais antigos que os tempos paleolíticos. Quanto a nós, não dispomos de nada parecido. Assim, em nossa cultura, a quem recorrem as pessoas que têm problemas com essas plantas? No Peru, vimos pessoas que eram inteiramente despreparadas em relação ao ayahuasca. Pessoas vindas de Lima para fazer a experiência chegaram ao ponto em que estavam definitivamente tendo uma bad trip. Mas o xamã pode vir a elas, soprar-Ihes fumaça de tabaco e cantar - coisas que podem nos parecer simbólicas mas que, ainda assim, funcionam com a mesma eficácia de uma injeção de Demerol. Portanto, o simbolismo de uma pessoa é a tecnologia de outra. Devemos ter isso em mente ao lidarmos com essas culturas. A aparência que as coisas têm para nós não é a mesma que têm para os que estão intimamente envolvidos com elas. A não ser que você se desfaça de sua linguagem e mergulhe inteiramente nessas culturas, o seu ponto de vista será sempre o ponto de vista de um estranho, de um forasteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILL NOFFKE: Mesmo naquele setor da sociedade que poderia ser classificado de Nova Era, por falta de um termo melhor, onde há um afastamento em relação à educação dogmática e um movimento no sentido da experimentação direta, a experiência psicodélica é vista com suspeita. Coisas como a kundalini, a hipnose, os mantras, as atividades psíquicas - manipulações psicofísicas da consciência - são consideradas seguras e aceitáveis como áreas de investigação. Mas há esse incrível preconceito contra o uso de meios químicos, até mesmo dos meios orgânicos a que você se refere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERENCE MCKENNA: Parece haver um preconceito muito forte contra tudo o que é gratuito. As pessoas repelem a idéia de que seja possível adquirir clarividência espiritual sem sofrimento, sem auto-análise, sem flagelação, pois acreditam que a visão dessas dimensões superiores deveria ser concedida somente aos bons, e provavelmente somente a eles depois que morrem. Acham alarmante pensar que se possa ingerir uma substância como a psilocibina ou DMT e ter esse tipo de experiência. No entanto, trata-se de uma realidade que agora começamos a aceitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não creio que essas coisas sejam um substituto da prática espiritual. Por outro lado, não acho que a prática espiritual possa jamais substituir essas experiências. Percorri a Índia, a Indonésia e muitos outros lugares, e encontrei as tradições que você menciona, inclusive o tantra da kundalini, a dança em transe de Bali, controlada por sacerdotes e fundamentada em tradições cuja mentalidade você precisa aceitar para ter a experiência. São coisas extremamente impalpáveis. Já a experiência provocada pelas drogas é muito real. E irresistível. Certamente, nada há de impalpável nas triptaminas. A triptamina é o grande fator convincente. É preciso incorporar essas coisas à nossa cultura, e sem sentimento de culpa, com a certeza de que apontam o caminho que leva a algum lugar. Creio que foi Aldous Huxley que as chamou de "graças gratuitas", explicando que elas não são necessárias nem suficientes para a salvação, mas ainda assim constituem um milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILL NOFFKE: Você atribui grande importância aos fatores de estado de espírito e ambiente como parte da experiência, ao dizer que as drogas não devem ser usadas levianamente nem como recreação, e sim encaradas com respeito. E que é preferível ter alguém por perto para servir de guia. Pretendo ter uma entrevista também com Timothy Leary. Não sei bem qual a atitude dele, se procura diversão e prazer a qualquer preço ou se é mesmo sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERENCE MCKENNA: Acho que ele é um homem que provavelmente teve ampla oportunidade de mudar de opinião. A euforia dos anos 60, a suposição dos intelectuais que rodeavam Huxley e Humphrey Osmond - de que bastava apresentar essas coisas às pessoas para que a humanidade se transformasse - era terrivelmente ingênua. No entanto, as pessoas jamais tinham se deparado com uma encruzilhada cultural como essa. Ouço dizer que talvez venha a ocorrer um retomo da experiência psicodélica como fenômeno social. Se ocorrer, espero que os que viveram os anos 60 tenham processado essa experiência e aprendido suas lições. Não acho que essas coisas devam ser feitas em grupos muito grandes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maneira mais útil de se abordar a experiência psicodélica é em um ambiente de virtual - embora não formal - privação dos sentidos. Você deve deitar-se em completa escuridão e silêncio, e fixar o olhar na superfície interna de suas pálpebras. É espantoso como esse conselho parece exótico a certas pessoas. Trata-se apenas de bom senso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você está procurando observar um fenômeno mental. Para ver o fenômeno mental sem a contaminação de fontes externas de informação, você deve colocar-se em uma situação na qual ele possa manifestar-se em sua totalidade. Se ingerir as doses eficazes dessas substâncias, posso garantir que a experiência não será monótona. Talvez um número muito grande de pessoas já tenha feito meditação e imagine que a experiência psicodélica seja como a meditação. Mas é a antítese exata da meditação. Trata-se, de fato, de sair do corpo e viajar no espaço mental - que é uma área pelo menos tão grande quanto o espaço sideral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença entre os dois pode ser apenas convenção cultural. Você viaja em um extenso campo de informação que parece medir anos-luz de comprimento. Isso só se torna possível quando os insumos externos são reduzidos ao mínimo. Nessas condições, você vê o que Blake viu, o que Meister Eckhart viu, o que São João da Cruz viu. Talvez não aprenda com essas coisas tanto quanto eles aprenderam, mas, por outro lado, ninguém pode medir o oceano, nem Meister Eckhart nem ninguém. Não é fácil medir o oceano, mas podemos ser medidos por ele, confrontá-lo, e estar dentro dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que essas substâncias exerceram, exercem e continuarão a exercer grande impacto na história humana. Talvez elas sejam, de fato, a causa da história humana. Estamos tão habituados à doutrina da evolução - a idéia de que descendemos dos macacos – que tendemos a esquecer o fato de que o homem é, realmente, uma criatura estranha, muito estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando que, em um milhão de anos, fomos desde a pedra lascada até o lançamento do ônibus espacial e a colocação de instrumentos fora do sistema solar, parece absurdo afirmar que as forças e fatos da natureza, tal como os conhecemos, nos permitiriam chegar a esse ponto. Prefiro optar por uma noção muito pré-modema: estamos mancomunados com o demiurgo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos filhos de uma força que mal podemos imaginar, uma força que nos chega das árvores e através das planícies da História, e que nos chama para ela. Esse processo está levando dez, vinte, cem mil anos - não mais que um instante. Os indivíduos vêm e vão, mas a natureza atua do ponto de vista da espécie, e, nessa escala, mal se passou um instante desde que só existiam neste planeta a pedra lascada e a farmacologia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A farmacologia precedeu a agricultura, uma vez que as propriedades das plantas vieram a ser conhecidas muito antes do seu cultivo. As visões transmitidas pela psilocibina - visões de enormes máquinas em órbita, de planetas distantes, de criaturas estranhas e vastas paisagens biomecânicas - mal podem ser processadas. A pessoa não sabe se está caminhando no interior de um enorme instrumento ou organismo. Mal podemos assimilar tais coisas. No entanto, essas visões constituem a imagem que nos guia no momento, a imagem que está sendo projetada no tempo histórico - da mesma forma como projetou o cálculo diferencial há cerca de duzentos anos, como projetou os grandes progressos da história humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história dos avanços científicos ou técnicos tem o caráter de revelação. Os homens aos quais esses avanços ocorrem costumam dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Foi uma coisa que me veio, que me foi dada de repente." Leibniz inventou o cálculo diferencial quando estava estendido na cama, certa manhã. Newton fazia o mesmo a algumas centenas de quilômetros de distância, e os dois nem se conheciam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo dos milênios, tem havido um diálogo entre o eu individual e o Desconhecido, entre o eu coletivo e o Desconhecido. Demos a isso o nome de Deus. Os sacerdotes passaram a controlar esse diálogo e sobrecarregaram-no com todo tipo de "faça isso" e "não faça aquilo", coisas sem qualquer relação com a verdadeira experiência religiosa. Esta tem a ver com o diálogo com o Logos e aonde ele pode nos levar e o que pode nos mostrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, portanto, quando nós, como espécie, estamos a ponto de abandonar ou destruir o planeta, o Logos ressurge com grande intensidade. Não sairemos deste planeta sem que a nossa mente seja transformada. O que está acontecendo é uma transformação global da humanidade em um tipo de criatura inteiramente diferente. Estamos saindo do invólucro do macaco. E essa coisa feita de linguagem, de imagem e de imaginação, que residiu nos macacos durante tanto tempo, está agora superando a evolução biológica e, através da cultura, assumindo as rédeas de sua própria forma e destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caos da nossa era, que tanto perturba a todos nós, não é absolutamente incomum. É o que normalmente acontece quando uma espécie se prepara para deixar o planeta. É o caos do fim da História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não resta a menor dúvida. Há sinais disso por toda parte. E os sinais que nem todos percebem, que somente os aficionados das substâncias psicodélicas conhecem, são as transformações da consciência, simultaneamente com a transformação da cultura técnica. Essas duas transformações são, de fato, expressões uma da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tempos atuais são as dores do parto de uma nova humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enviado por eusonho no fórum plantasenteogenas.org&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-2228175811756537381?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/2228175811756537381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=2228175811756537381' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/2228175811756537381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/2228175811756537381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2010/04/entrevista-com-mckenna.html' title='Entrevista com McKenna'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/S7Xtg9lkYKI/AAAAAAAAAOE/tDpagYxmjq0/s72-c/vid-hall-tm-seeking.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-7721135459286151365</id><published>2009-12-31T01:01:00.005-03:00</published><updated>2009-12-31T01:12:49.031-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Insights'/><title type='text'>O Paradoxo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/Szwj62yVQMI/AAAAAAAAAN4/Lz79eBjo95I/s1600-h/circle_rainbow_quantoomuch.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 295px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/Szwj62yVQMI/AAAAAAAAAN4/Lz79eBjo95I/s320/circle_rainbow_quantoomuch.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421247545493242050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paradoxo repousa em harmonia&lt;br /&gt;No seio de eternidade&lt;br /&gt;Círculo de loucura e sanidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o conheci pela primeira vez&lt;br /&gt;Fiquei chocado&lt;br /&gt;Vislumbrado e aterrorizado&lt;br /&gt;Lá daquele lado &lt;br /&gt;O chão me foi tirado&lt;br /&gt;Mergulhado na adimensão&lt;br /&gt;Fui jogado por todos os lados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodei entre as possibilidades&lt;br /&gt;Vislumbrei as mais diversas verdades&lt;br /&gt;Envolvendo aquela mesma questão&lt;br /&gt;E o querido paradoxo me torturou&lt;br /&gt;Com ar de clareza e confusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei&lt;br /&gt;Senti-me livre daquela prisão&lt;br /&gt;Embora reconheça&lt;br /&gt;Que permaneço na mesma ilusão&lt;br /&gt;A charada não se resolve com resposta&lt;br /&gt;Mas sim com aceitação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lupa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-7721135459286151365?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/7721135459286151365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=7721135459286151365' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7721135459286151365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7721135459286151365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2009/12/o-paradoxo.html' title='O Paradoxo'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/Szwj62yVQMI/AAAAAAAAAN4/Lz79eBjo95I/s72-c/circle_rainbow_quantoomuch.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-7906920671847043735</id><published>2009-12-31T00:42:00.005-03:00</published><updated>2009-12-31T00:48:28.273-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Insights'/><title type='text'>O Acordo do esquecimento</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/Szwej1xXQ5I/AAAAAAAAANw/ddmjGoI23zU/s1600-h/1574459-1-epiphany.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 252px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/Szwej1xXQ5I/AAAAAAAAANw/ddmjGoI23zU/s320/1574459-1-epiphany.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421241652525613970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Concebendo a entrega como saída&lt;br /&gt;Me vi numa situação &lt;br /&gt;Em que não há alternativa&lt;br /&gt;Se opto por controlar&lt;br /&gt;O inferno abre sua porta&lt;br /&gt;Se me entrego por completo&lt;br /&gt;Talvez me ofusque&lt;br /&gt;E escolha a ida sem volta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me deixo totalmente solto&lt;br /&gt;Mergulho no mar &lt;br /&gt;Do verdadeiro gozo&lt;br /&gt;O paradoxo me eleva&lt;br /&gt;Abre o céu&lt;br /&gt;E me transforma no Todo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não cair no abismo profundo&lt;br /&gt;Com o Êxtase firmo um acordo&lt;br /&gt;Daqui não levo nada&lt;br /&gt;Nenhuma pedra de seu tesouro&lt;br /&gt;Permito-me observar &lt;br /&gt;De forma ausente e presente&lt;br /&gt;E tudo que se abre&lt;br /&gt;Fecha-se imediatamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo daqui&lt;br /&gt;Nada além do relacionamento&lt;br /&gt;Seus segredos encerraram-se&lt;br /&gt;Naquele mesmo momento&lt;br /&gt;Mas em mim permanece &lt;br /&gt;Algo além do efêmero&lt;br /&gt;A jóia concedida&lt;br /&gt;No acordo do esquecimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lupa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-7906920671847043735?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/7906920671847043735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=7906920671847043735' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7906920671847043735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7906920671847043735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2009/12/o-acordo-do-esquecimento.html' title='O Acordo do esquecimento'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/Szwej1xXQ5I/AAAAAAAAANw/ddmjGoI23zU/s72-c/1574459-1-epiphany.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-5166575293875109398</id><published>2009-03-18T12:35:00.004-03:00</published><updated>2009-03-18T13:41:44.689-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência Neoparadigmática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><title type='text'>Uma nova imagem dos seres humanos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScEVnEmD1AI/AAAAAAAAANQ/aLG9Sk_zJPE/s1600-h/alex_gray_039.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 315px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScEVnEmD1AI/AAAAAAAAANQ/aLG9Sk_zJPE/s400/alex_gray_039.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314552796266353666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As descobertas das últimas décadas sugerem fortemente que a psique não é limitada à biografia pós-natal e ao consciente individual freudiano, e confirma a verdade perene, encontrada em muitas tradições místicas, de que os seres humanos podem ser comensurados com tudo o que existe. As experiências transpessoais e o seu extraordinário potencial certamente atestam esse fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova imagem dos seres humanos é paradoxal por natureza e envolve dois aspectos complementares. Nas situações diárias abrangendo estados comuns de consciência, poderia ser apropriado pensar nas pessoas como máquinas biológicas. Porém, em estados mentais incomuns também podem demonstrar propriedades de campos infinitos da consciência — transcendendo o tempo, o espaço e a causalidade linear. Essa é a imagem que as tradições místicas têm descrito por milênios. Recentemente, recebeu-se o apoio inesperado da tanatologia, da parapsicologia, da antropologia, das psicoterapias existenciais e da pesquisa psicodélica, e também do trabalho com emergências espirituais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) Aqui nos referimos ao mundo de conhecimento holotrópico (literalmente "caminhar para a totalidade", do grego holos = "todo" e trepein).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse modo de conhecimento podemos vivenciar um amplo espectro de fenômenos; alguns deles são o restabelecimento vivido de eventos passados; outros são seqüências de morte e renascimento, e ainda outros são vários aspectos da dimensão transpessoal. Eles nos dão fortes evidências experienciais de que o mundo da matéria não é sólido, de que todas as suas fronteiras são arbitrárias e de que nós mesmos não somos corpos materiais, mas campos ilimitados de conhecimento. Demonstram também a possibilidade de que o tempo e o espaço newtoniano podem ser transcendidos e sugerem a existência de realidades e seres que não são de natureza material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na psiquiatria tradicional, todas as experiências holotrópicas têm sido interpretadas como fenômenos patológicos, apesar de a causa dos processos de doença nunca ser identificada; isto reflete o fato de que o antigo paradigma não tem uma explicação adequada para essas experiências e não foi capaz de dar conta delas de qualquer outro modo. No entanto, o estudo cuidadoso nas experiências holotrópicas demonstra que elas não são produtos patológicos do cérebro; ao contrário, revelam capacidades extraordinárias da psique humana e aspectos importantes da realidade normalmente escondidos da nossa consciência. &lt;/div&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirado do livro: A tempestuosa busca do Ser; de Stanislav e Christina Grof&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-5166575293875109398?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/5166575293875109398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=5166575293875109398' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/5166575293875109398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/5166575293875109398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2009/03/uma-nova-imagem-dos-seres-humanos.html' title='Uma nova imagem dos seres humanos'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScEVnEmD1AI/AAAAAAAAANQ/aLG9Sk_zJPE/s72-c/alex_gray_039.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-7285239615886991834</id><published>2009-03-18T11:23:00.003-03:00</published><updated>2009-03-18T11:29:11.056-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência Neoparadigmática'/><title type='text'>O paradigma emergente na ciência ocidental</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScEE5ouiCtI/AAAAAAAAANI/G4p0vXoAbUQ/s1600-h/alex+grey_trasfiguration.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 304px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScEE5ouiCtI/AAAAAAAAANI/G4p0vXoAbUQ/s400/alex+grey_trasfiguration.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314534423505537746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os desenvolvimentos revolucionários em várias disciplinas delineiam agora uma visão de mundo que é radicalmente diferente da imagem newtoniana do universo. Algumas das mudanças mais radicais ocorreram na física, a base da ciência mecanicista. Com o advento da teoria da relatividade de Einstein e da física quântica, os conceitos tradicionais de matéria, tempo e espaço foram ultrapassados. O universo físico veio a ser visto como uma trama unificada de eventos paradoxais estatisticamente determinados, na qual o conhecimento e a inteligência criativa desempenham um papel muito importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reconhecimento de que o universo não é um sistema mecânico (...), preparou o terreno para um entendimento da realidade baseado em princípios inteiramente novos. Essa abordagem ficou conhecida como holografia, porque algumas das suas características mais notáveis podem ser demonstradas com o uso de hologramas ópticos como instrumentos conceituais. Os dois cientistas que se tornaram conhecidos por suas contribuições a este novo modo excitante de ver a realidade são o físico David Bohm e o neurocientista Karl Pribram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aspecto do pensamento holográfico particularmente relevante para a nossa discussão é a possibilidade de um relacionamento completamente novo entre as partes e o todo. No sistema holográfico, a informação é distribuída de tal modo que seu todo está contido e é acessível a todas as suas partes. Essa propriedade pode ser demonstrada cortando-se um holograma óptico em muitos pedaços e demonstrando que cada um de seus fragmentos é capaz de reproduzir a imagem toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito de "informação distribuída" abre perspectivas inteiramente novas para a compreensão de como as experiências transpessoais podem mediar o acesso direto à informação sobre vários aspectos do universo que permanecem fora dos limites pessoais convencionalmente definidos. Se a pessoa e o cérebro não são entidades isoladas, mas partes integrantes de um universo com propriedades holográficas — se são, de algum modo, microcosmos de um sistema maior —, então é compreensível que possam ter acesso direto e imediato à informação exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As descobertas modernas da psicologia e da psiquiatria não têm sido menos surpreendentes e radicais que aquelas das ciências naturais. (...) Eles mostram a psique como um princípio universal que informa toda a existência e é inseparável do mundo material da realidade consensual. As experiências transpessoais descobertas por pesquisas modernas da consciência têm propriedades que colocam em questão os verdadeiros fundamentos das crenças tradicionais sobre o relacionamento entre consciência e matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os novos resultados sugerem que a consciência não é um produto do cérebro humano; é mediada pelo cérebro mas não tem origem nele. Uma pesquisa moderna trouxe a seguir evidências surpreendentes demonstrando que a consciência deveria ser um parceiro igual à matéria, ou até mesmo superordenado para ela. Isto está emergindo cada vez mais como um atributo primário da vida que é inexplicavelmente alternativa na estrutura do universo, em todos os níveis.&lt;/div&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirado do livro: A tempestuosa busca do Ser; de Stanislav e Christina Grof&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-7285239615886991834?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/7285239615886991834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=7285239615886991834' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7285239615886991834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7285239615886991834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2009/03/o-paradigma-emergente-na-ciencia.html' title='O paradigma emergente na ciência ocidental'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScEE5ouiCtI/AAAAAAAAANI/G4p0vXoAbUQ/s72-c/alex+grey_trasfiguration.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-847377350442031745</id><published>2009-03-18T10:16:00.007-03:00</published><updated>2009-03-18T11:29:42.670-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><title type='text'>Espiritualidade, religião e a experiência do divino</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScD3mFIcEzI/AAAAAAAAANA/5tDqkmcj4mo/s1600-h/almighty3wahb6.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 292px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScD3mFIcEzI/AAAAAAAAANA/5tDqkmcj4mo/s400/almighty3wahb6.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314519793881846578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para prevenir a má comunicação, gostaríamos de dizer o que entendemos pelo termo "espiritualidade" e em que sentido o usaremos. O termo espiritualidade deve ser reservado para situações que abrangem experiências pessoais de certas dimensões da realidade e que dão à vida de alguém e à existência em geral uma qualidade numinosa. C. G. Jung usou a palavra "numinosa" para descrever uma experiência que parece sagrada, pura e fora do comum. A espiritualidade é algo que caracteriza o relacionamento entre a pessoa e o universo e não requer, necessariamente, uma estrutura formal, um ritual coletivo ou a meditação feita por um sacerdote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contraste, a religião é uma forma de atividade grupal organizada que pode ou não tender para a verdadeira espiritualidade, dependendo do grau em que ela proporciona um contexto para a descoberta pessoal das dimensões numinosas da realidade. Enquanto na origem de todas as grandes religiões estão as revelações visionárias de seus fundadores, profetas e santos, indicando o caminho, em muitos casos, com o passar do tempo, a religião perde a ligação com o seu núcleo vital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O termo moderno usado para a experiência direta das realidades espirituais é a palavra "transpessoal", que significa transcender o modo usual de perceber e interpretar o mundo desde uma posição de ego individual ou ego corporal. Existe uma disciplina totalmente nova, a psicologia transpessoal, especializada em experiências desse tipo, e suas implicações e descobertas advindas dos estudos transpessoais de consciência são de fundamental importância para o conceito de emergência espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estados envolvendo encontros pessoais com as dimensões numinosas da existência podem ser divididos em duas grandes categorias. Na primeira, estão as experiências do "imanente divino", ou percepções da inteligência divina expressando-se no mundo da realidade diária. Todo tipo de criação — pessoas, animais, plantas e objetos inanimados — parecem estar impregnados pela mesma essência cósmica e pela mesma luz divina. Uma pessoa nesse estado compreende repentinamente que tudo no universo é manifestação e expressão da mesma energia cósmica criativa e que separação e fronteiras são ilusórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As experiências da segunda categoria não representam uma percepção diferente do que já é conhecido, mas revelam uma valiosa série de dimensões da realidade que estão comumente escondidas da consciência humana e não são acessíveis ao estado diário de consciência. Elas podem ser atribuídas às experiências do "transcendente". Um exemplo típico seria a visão de Deus como uma fonte radiante de luz, de beleza sobrenatural, ou a sensação de fusão pessoal e de identidade com Deus, percebida desse modo. As visões de vários seres arquetípicos, como divindades, demônios, heróis lendários e guias espirituais, também pertencem a essa categoria. Outras experiências não envolvem meramente entidades sobre-humanas individuais, mas reinos mitológicos inteiros, como céus, infernos, purgatórios e vários cenários e paisagens diferentes de tudo que já foi visto na Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos interessa aqui são as conseqüências práticas dos encontros pessoais com as realidades espirituais. Para as pessoas que já os tiveram, a existência de um Deus imanente e transcendente não é uma questão de crença infundada, mas é um fato baseado numa experiência direta — assim como nossas atitudes acerca da realidade material da nossa vida diária são baseadas, primeiramente, nas percepções sensoriais. Por outro lado, a crença é uma opinião sobre a natureza da realidade fundamentada em uma forma específica de educação, de instrução ou de leitura da literatura religiosa (isso necessita de validação experimental).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses estados transpessoais podem provocar uma verdadeira influência transformadora benéfica nos seus receptores e em suas vidas. Podem aliviar várias formas de desordens emocionais e psicossomáticas, assim como dificuldades com relacionamentos interpessoais. Podem também reduzir tendências agressivas, valorizar a própria imagem, aumentar a tolerância para com os outros e elevar sua qualidade de vida. Entre os efeitos secundários positivos está, com freqüência, uma profunda sensação de conexão com outras pessoas e com a natureza. Essas mudanças nas atitudes e no comportamento são conseqüências naturais das experiências transpessoais; a pessoa as aceita e as adota voluntariamente, sem a imposição de injunções externas, preceitos, ordens ou ameaças de punição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espiritualidade desse tipo, baseada na revelação pessoal direta, existe tipicamente nas ramificações místicas das grandes religiões e em suas ordens monásticas, que se utilizam de meditações, cantilenas repetitivas, preces e outras práticas para induzir esses estados transpessoais da mente. Já vimos, por diversas vezes, que as experiências espontâneas durante as emergências espirituais têm um potencial semelhante, se ocorrerem em um contexto de apoio e compreensão.&lt;/div&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirado do livro: A tempestuosa busca do Ser; de Stanislav e Christina Grof&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-847377350442031745?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/847377350442031745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=847377350442031745' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/847377350442031745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/847377350442031745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2009/03/espiritualidade-religiao-e-experiencia.html' title='Espiritualidade, religião e a experiência do divino'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScD3mFIcEzI/AAAAAAAAANA/5tDqkmcj4mo/s72-c/almighty3wahb6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-9973078385660664</id><published>2009-03-18T00:28:00.009-03:00</published><updated>2009-03-18T10:20:46.225-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Insights'/><title type='text'>As voltas dessa minha vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScD1KK9HjrI/AAAAAAAAAM4/cqv5N0s6Yj0/s1600-h/ATgAAAB-NAzr77fhSZEVr-liBr39G0KJ2-ASOwa_1wDqjTJl7nUqU1lbsK83Og8ivH3KVhRmgSuZtM6LHyeHI33RDKrPAJtU9VAFripuuFjQfIjhsBUsyrBdhV2Cvw.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 268px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScD1KK9HjrI/AAAAAAAAAM4/cqv5N0s6Yj0/s400/ATgAAAB-NAzr77fhSZEVr-liBr39G0KJ2-ASOwa_1wDqjTJl7nUqU1lbsK83Og8ivH3KVhRmgSuZtM6LHyeHI33RDKrPAJtU9VAFripuuFjQfIjhsBUsyrBdhV2Cvw.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314517115385384626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Meu corpo está no chão&lt;br /&gt;Estático sem vida&lt;br /&gt;Desbravando a mim mesmo&lt;br /&gt;Em profunda internalização&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente foi aprisionada&lt;br /&gt;Dentro desse labirinto &lt;br /&gt;Quando encontro a saída&lt;br /&gt;Percebo ser outra encruzilhada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a mente se perdeu&lt;br /&gt;Nos corredores de sua invenção&lt;br /&gt;Lá se foi minha tranquilidade&lt;br /&gt;Afundei no desespero &lt;br /&gt;Quando concebi que o labirinto &lt;br /&gt;Percorre toda a eternidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitei a insanidade&lt;br /&gt;O paradoxo entortou a lógica&lt;br /&gt;E concebi essa aparente incoerência&lt;br /&gt;Como uma profunda verdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendi que era a mente&lt;br /&gt;E silenciei em contemplação&lt;br /&gt;Elevei minha consciência &lt;br /&gt;E no amor infinito&lt;br /&gt;Percebi toda interconexão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santo amor transcendental&lt;br /&gt;Graça de adoração&lt;br /&gt;A ti me entrego por completo&lt;br /&gt;Confiante e sem medo&lt;br /&gt;Em perfeita união&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graça a ti meu pai eterno &lt;br /&gt;Tu que és a própria vida&lt;br /&gt;Me prende, gira, tira o chão&lt;br /&gt;Pra que eu aprenda e siga firme&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu és todo meu amor &lt;br /&gt;Que não cabe nas palavras&lt;br /&gt;Só nessa gratidão linda&lt;br /&gt;Que permeia e lava a alma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lupa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-9973078385660664?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/9973078385660664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=9973078385660664' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/9973078385660664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/9973078385660664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2009/03/as-voltas-dessa-minha-vida.html' title='As voltas dessa minha vida'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/ScD1KK9HjrI/AAAAAAAAAM4/cqv5N0s6Yj0/s72-c/ATgAAAB-NAzr77fhSZEVr-liBr39G0KJ2-ASOwa_1wDqjTJl7nUqU1lbsK83Og8ivH3KVhRmgSuZtM6LHyeHI33RDKrPAJtU9VAFripuuFjQfIjhsBUsyrBdhV2Cvw.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-3153291204695709447</id><published>2009-03-11T09:35:00.008-03:00</published><updated>2009-03-11T10:12:59.606-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência Neoparadigmática'/><title type='text'>Desafios conceituais à ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/Sbe3bHJAMqI/AAAAAAAAAMY/LEr7kUxbJMc/s1600-h/Gonsalves_AstralProjections.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 294px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/Sbe3bHJAMqI/AAAAAAAAAMY/LEr7kUxbJMc/s400/Gonsalves_AstralProjections.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311915961907950242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante toda a história da ciência moderna, gerações de pesquisadores buscaram com grande entusiasmo e determinação os vários grandes caminhos de pesquisa oferecidos pelo paradigma newtoniano-cartesiano descartando prontamente conceitos e observações que teriam questionado algumas das premissas filosóficas básicas partilhadas pela comunidade científica. Muitos cientistas foram tão inteiramente programados por sua educação ou tão arrebatados e impressionados pelo seu uso pragmático, que aceitaram aquele modelo, de maneira literal, como uma descrição exaustiva e correta da realidade. Nessa atmosfera, incontáveis observações de vários campos foram sistematicamente descartadas, suprimidas ou mesmo ridicularizadas, com base em sua incompatibilidade com o pensamento reducionista e mecanicista que, para muitos, tornou-se sinônimo de um enfoque científico. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As extraordinárias conquistas técnicas dessa ciência têm produzido um efeito negativo, apesar de seu potencial para resolver a maior parte dos problemas materiais que afligem a humanidade. Seu sucesso criou um mundo no qual seus maiores trunfos – energia nuclear, foguetes espaciais, laser, computadores e outros instrumentos eletrônicos, e os milagres da química e da bacteriologia modernas – transformaram-se em pesadelo e perigo vital. Como resultado vivemos em um mundo divido (...), perigosamente ameaçado por crises econômicas, poluição industrial (...). Por causa dessa situação mais e mais pessoas questionam a utilidade de um progresso tecnológico precipitado, que não é cuidado nem controlado por indivíduos emocionalmente maduros ou raças suficientemente evoluídas, capazes de manejar, de maneira construtiva, os poderosos instrumentos criados por esse mesmo progresso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que se deteriora a situação mundial sócio-política e ecológica, um crescente número de indivíduos parece desistir da manipulação unilateral e do controle do mundo material e voltar-se para dentro de si mesmo. Há um interesse cada vez maior na evolução da consciência como uma possível alternativa para a destruição global. Percebe-se isso na crescente popularidade da meditação ou de outras antigas práticas espirituais do oriente e na psicoterapia experiencial, tanto quanto nas pesquisas clínicas de laboratório sobre a consciência. Essas atividades apresentam um novo foco: os paradigmas tradicionais são incapazes de adaptar e responder por um grande número de observações seriamente desafiadoras vindas de áreas e fontes diferentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua totalidade, esses dados são de importância crítica e indicam necessidade urgente de uma revisão drástica de nossos conceitos fundamentais da natureza humana e da natureza da realidade.&lt;/div&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirado do livro: Além do cérebro; de Stanislav Grof&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-3153291204695709447?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/3153291204695709447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=3153291204695709447' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3153291204695709447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3153291204695709447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2009/03/desafios-conceituais-ciencia.html' title='Desafios conceituais à ciência'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/Sbe3bHJAMqI/AAAAAAAAAMY/LEr7kUxbJMc/s72-c/Gonsalves_AstralProjections.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-5816503233783314122</id><published>2008-10-04T14:14:00.006-02:00</published><updated>2010-04-20T13:20:59.379-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Insights'/><title type='text'>Modelos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SOeXgv1s2FI/AAAAAAAAAKo/ak6tMKiLgTQ/s1600-h/despertar_de_consciencia_cosmica_100x81_mista_tela_2006.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253334079204284498" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SOeXgv1s2FI/AAAAAAAAAKo/ak6tMKiLgTQ/s320/despertar_de_consciencia_cosmica_100x81_mista_tela_2006.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Incontáveis grãos&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Modelos de explicação&lt;br /&gt;Criatividade que flui em mim&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Grãos brotando sem fim&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na peneira-entendimento&lt;/div&gt;&lt;div&gt;fechou o paradoxo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;em mistério e contradição?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ou abriu em sentido e compreensão? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tão belo foi o grão &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que passou da peneira&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e abriu na minha mão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Me trouxe outro olhar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Permaneceu...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até não mais se sustentar&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Medo de perder o chão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Criando pra ter onde me agarrar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acreditar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na confusão afundo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e me perco sem querer olhar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a simplicidade daquilo que é&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lupa&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-5816503233783314122?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/5816503233783314122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=5816503233783314122' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/5816503233783314122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/5816503233783314122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/10/modelos.html' title='Modelos'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SOeXgv1s2FI/AAAAAAAAAKo/ak6tMKiLgTQ/s72-c/despertar_de_consciencia_cosmica_100x81_mista_tela_2006.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-8828697835039015577</id><published>2008-09-14T00:08:00.006-02:00</published><updated>2008-09-14T01:24:39.428-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Existência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Budismo'/><title type='text'>Shunyata - "O que é" é "o que é"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMxzr8LOrXI/AAAAAAAAAKY/LqBX1u7nNME/s1600-h/wrathful_vajrapani_tl772.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245694864704580978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMxzr8LOrXI/AAAAAAAAAKY/LqBX1u7nNME/s400/wrathful_vajrapani_tl772.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Shunyata — o nada, o vazio, a vacuidade, a ausência de dualidade e conceituação. O mais conhecido dos ensinamentos de Buda sobre o assunto é apresentado no Prajnaparamita-hridaya, também chamado Sutra do Coração; (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse Avalokiteshvara: "O, Shariputra, a forma é vazia, o vazio é forma; a forma não é mais do que o vazio, o vazio não é mais do que a forma." Não precisamos descer aos pormenores do diálogo deles, mas podemos examinar essa afirmação a respeito da forma e do vazio, que é o ponto principal do sutra. E por isso precisamos ser muito claros e muito precisos acerca do significado do termo "forma".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Forma é o que é antes de projetarmos nossos conceitos sobre ela. É o estado original do "que está aqui", as qualidades coloridas, vividas, impressionantes, dramáticas, estéticas, que existem em todas as situações. Forma pode ser uma folha caindo de urna árvore e pousando num rio que desce de uma montanha; pode ser a plena claridade do luar, uma sarjeta na rua ou um monte de lixo. Essas coisas são "o que é", e, num sentido, são todas idênticas: todas são formas, todas são objetos, todas são precisamente "o que é". As avaliações que lhes dizem respeito são formadas mais tarde em nossa mente. Se efetivamente olharmos para as coisas como elas são, veremos que são apenas formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, a forma é vazia. Mas vazia do quê? A forma é vazia de nossas idéias preconcebidas, vazia dos nossos julgamentos. Se não avaliarmos e categorizarmos a folha da árvore que cai e pousa na corrente de água como oposta ao monte de lixo, então, ambos estarão ali, serão “o que é”. Eles são vazios de preconceitos. São precisamente o que são, naturalmente! O lixo é lixo, a folha da árvore é a folha da árvore, "o que é" é "o que é". A forma será vazia se a virmos na ausência de nossas próprias interpretações dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o vazio também é forma. Esta é uma observação muito chocante. Julgávamos haver conseguido classificar tudo, pensávamos haver conseguido ver que tudo é o "mesmo", se de tudo tirarmos os nossos preconceitos. Isso compunha um bonito quadro: tudo o que vemos, mau ou bom, tudo é bom. Ótimo. Muito suave. Mas, o ponto seguinte é que o vazio também é forma, por isso, temos de reexaminar o assunto. O vazio da folha de árvore também é forma; não é realmente vazio. O vazio do monte de lixo também é forma. Tentar ver essas coisas como vazias é também vesti-las de conceito. A forma volta. Era fácil demais tirar todo o conceito e concluir que tudo simplesmente é o que é. Isso poderia ser uma saída, outra maneira de confortar-nos. Temos realmente de sentir as coisas como elas são, as características do estado de monte de lixo e as características do estado de folha de árvore, o estado de ser das coisas. Temos de senti-las ajustadamente, e não apenas cobri-las com o véu do vazio. Isso nada ajuda. Temos de ver o estado de ser do que está ali, as qualidades cruas e rudes das coisas exatamente como são. Esta é uma maneira muito precisa de ver o mundo. Primeiro, portanto, extinguimos todos os nossos pesados preconceitos, e depois eliminamos até as sutilezas de palavras como "vazio", o que nos deixa em lugar nenhum, completamente com o que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, chegamos à conclusão de que forma é apenas forma e o vazio é apenas o vazio, o que foi descrito no sutra como a visão de que a forma não é mais do que o vazio, que o vazio não é mais do que a forma; são inseparáveis. Vemos que a busca da beleza ou do significado filosófico da vida é apenas um modo de justificar-nos, dizendo que as coisas não são tão más quanto as supomos. As coisas são tão más quanto as supomos! Forma é forma, o vazio é vazio, as coisas são exatamente o que são e não precisamos vê-las à luz de qualquer raciocínio mais profundo. Finalmente descemos à Terra, vemos as coisas tais e quais são. Isso não significa ter uma inspirada visão mística com arcanjos, querubins e músicas suaves. As coisas são vistas como elas são, em suas próprias características. Neste caso, portanto, shunyata é a ausência total de conceitos ou véus de qualquer espécie, a ausência até da conceituação de "forma é vazio" e de "o vazio é forma". É uma questão de ver o mundo de modo direto sem aspirar "maior" consciência ou significação ou profundidade. É perceber as coisas literalmente de maneira direta, como elas são por si mesmas. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como, então, começa a crença num "eu" e todo o processo neurótico? Em linhas gerais, conforme os Madhyamikas, toda vez que ocorre uma percepção de forma, verifica-se uma reação imediata de fascinação e incerteza da parte de um subentendido percebedor da forma. Essa reação é quase instantânea. Leva apenas uma fração de fração de segundo. E, assim que reconhecemos o que é a coisa, a nossa reação seguinte é dar-lhe um nome. Com o nome, naturalmente, vem o conceito. Tendemos a conceituar o objeto, o que quer dizer que, a essa altura, já não somos capazes de perceber as coisas como elas realmente são. Criamos uma espécie de acolchoamento, um filtro ou véu entre nós e o objeto. É isto que impede a manutenção da consciência contínua, durante e após a prática da meditação. Este véu nos afasta da consciência panorâmica e da presença do estado meditativo, porque, comumente, somos incapazes de ver as coisas como elas são. Sentimo-nos compelidos a nomear, a traduzir, a pensar discursivamente, e essa atividade nos afasta ainda mais da percepção direta e precisa. Assim, shunyata não é simplesmente consciência do que somos e de como somos em relação a tal e tal objeto, mas é antes a claridade, que transcende o acolchoamento conceptual e as confusões desnecessárias. Já não se está fascinado pelo objeto nem envolvido como sujeito. É liberdade disto e daquilo. O que persiste é espaço aberto, a ausência da dicotomia do isto-e-aquilo. Eis aí o significado do Caminho do Meio ou Madhyamika.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMxzMq-1kqI/AAAAAAAAAKQ/19xzAqa3s94/s1600-h/wrathful_vajrapani_tl77.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(retirado de: Além do Materialismo Espiritual; de Chogyam Trungpa)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-8828697835039015577?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/8828697835039015577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=8828697835039015577' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/8828697835039015577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/8828697835039015577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/09/shunyata-o-nada-o-vazio-vacuidade.html' title='Shunyata - &quot;O que é&quot; é &quot;o que é&quot;'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMxzr8LOrXI/AAAAAAAAAKY/LqBX1u7nNME/s72-c/wrathful_vajrapani_tl772.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-1860341859721297433</id><published>2008-09-13T00:42:00.008-02:00</published><updated>2009-03-11T10:50:42.724-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência Neoparadigmática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Budismo'/><title type='text'>Natureza da realidade - Budismo e Ciência</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245338613182265826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMsvrX1eeeI/AAAAAAAAAKI/Dvcr6yuAXyo/s400/508_alex_grey.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Lama Padma Samten - físico e budista.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que aconteceu (...), foi eu perceber a grande profundidade do pensamento budista e como ele poderia me levar além dos paradigmas usuais da ciência. Resumindo, me dei conta de que o cientista pode até perceber o fato de que a realidade para a qual ele olha é inseparável da realidade que ele tem dentro, porém, está sempre mais preocupado com a realidade que está fora, porque é assim que ele faz sua busca. Vai sempre olhar o que está fora. Quando me deparei com esta questão do dentro-fora, vi que o espaço interno é muito maior do que o externo. Foi nesse momento que fundei o Centro de Estudos Budistas Bodisatva e propus ao Departamento de Filosofia da UFRGS, e mais tarde ao Departamento de Física, a criação de uma disciplina que tratasse desses elementos ligados à cognição, à compreensão do saber, de como nós sabemos, como nós aprendemos e entendemos, mas especialmente de como nós nos enganamos. Tratando dessas questões, de qual é o erro do cientista, porque os cientistas comprovam experimentalmente suas teorias e mesmo assim elas mudam. É espantoso, porque elas são comprovadas experimentalmente, mas mesmo assim, mudam, não perduram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perceba que hoje estamos há 77 anos do surgimento da visão complementar que foi exposta por Niels Bohr na Itália, numa época em que os cientistas mais importantes do mundo cabiam todos em uma única sala. Estavam reunidos ali para resolver como pacificar os fenômenos experimentais com as visões teóricas no que diz respeito à física atômica e à física quântica. A noção complementar do Bohr é uma visão cognitiva filosófica sobre os eventos científicos na qual o observador deixa de ser neutro e passa a ser visto como alguém que interfere de forma muito poderosa na realidade. Isso dito assim pode parecer muito estranho ainda, porque nós temos uma noção de que somos neutros, de que nós apenas olhamos! O fato é que o observador não é neutro porque quando ele olha, tem uma experiência de realidade. Então, a primeira etapa para a compreensão disso é dizer: “em vez de eu ver a realidade, tenho uma experiência de realidade”. Tem uma diferença muito grande entre nós trabalharmos com a noção de realidade externa e termos uma experiência de realidade externa. Essa transição é muito importante para que possamos compreender a física quântica, a ciência, o aspecto cognitivo e também os aspectos mais sofisticados do budismo. O que nós vemos é inseparável das estruturas de expectativas dentro de nós. O que nós vemos fora espelha a paisagem mental que temos dentro. Num sentido budista, é muito importante notarmos isso porque podemos usar a noção de paisagem mental. Assim, construímos uma paisagem mental através da qual nos relacionamos com o mundo. A própria comunicação entre as pessoas só é possível se elas tiverem partes de suas paisagens mentais em superposição, caso contrário elas não se entendem, mesmo que estejam falando português. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;* trecho de uma entrevista com o Lama Padma Samten.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;** entrevista completa em: &lt;a href="http://www.caminhodomeio.org/LamaPadmaSamten/virtual.htm"&gt;http://www.caminhodomeio.org/LamaPadmaSamten/virtual.htm&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-1860341859721297433?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/1860341859721297433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=1860341859721297433' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1860341859721297433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1860341859721297433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/09/natureza-da-realidade-budismo-e-cincia.html' title='Natureza da realidade - Budismo e Ciência'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMsvrX1eeeI/AAAAAAAAAKI/Dvcr6yuAXyo/s72-c/508_alex_grey.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-5760859036301117291</id><published>2008-09-12T12:56:00.003-02:00</published><updated>2008-09-12T13:06:23.533-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Budismo'/><title type='text'>O Budismo e a Condição Humana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMqD0RgML7I/AAAAAAAAAJw/k8CkRUnd_Vg/s1600-h/pitre_john_meditation.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245149650101219250" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMqD0RgML7I/AAAAAAAAAJw/k8CkRUnd_Vg/s400/pitre_john_meditation.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;O presente texto é a tradução de uma palestra promovida pela Ordem Monástica Karma Teksum Chohorling, pronunciada em língua tibetana e traduzida para o inglês por intérprete tibetano, em dezembro de 1988, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMqDr3sY4uI/AAAAAAAAAJo/bZ3QqEoIRmM/s1600-h/pitre_john_meditation.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos nós, seres sensoriais, desejamos nos libertar do sofrimento e da dor. Com este sincero desejo de libertação nos dedicamos a todas as atividades, e tudo a que nos dedicamos a todas as atividades, e tudo a que nos dedicamos visa a libertação de mais sofrimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto prosseguimos nossas vidas, é difícil e raro que consigamos o que buscamos ser feliz com o que atingimos. Tão pronto chega-se a algo, há felicidade superficial e, por trás disto, impossibilidade de satisfação. Quanto mais temos, mais insatisfeito no sentimos, ou seja, há a ausência de um sentido de moderação. A mente, por seus hábitos, não conhece limites, e daí mais e mais sofrimentos decorrem. Assim, o sofrimento é contínuo. Isto não são palavras, mas é experiência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como não realizar a liberdade se a procuramos? A questão é que nossa abordagem é confusa com respeito ao sofrimento. Nossa abordagem é ficar livre do sofrimento, mas não sabemos como encontrar o conhecimento de olhar internamente a causa do sofrimento. Quando nos libertamos da prática externa e da experiência do sofrimento, nos libertamos só na superfície, sem tocar no aspecto fundamental . O que fazemos é tentar evitar a experiência do sofrimento. Temos a noção de que sofrimento é algo errado, algo externo, e tentamos ficar afastados tanto quanto possível. A fuga não dá frutos sem que se localize a causa deste sofrimento, e sem dela nos libertarmos não nos libertaremos de sua experiência. É equivocado pensar em agastar-se da experiência sem afastar-se da causa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É uma visão errada colocar sofrimento com algo externo, como originado de fora. O sofrimento depende de circunstâncias externas, mas estas não são a causa-em-si do sofrimento. Quando permitimos que o exterior nos influencie, isto é uma permissão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O primeiro discurso do Buda Sakiamuni foi justamente sobre a questão do sofrimento:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1. Entender o sofrimento, chegar a esta compreensão. Buscar entender a verdade do sofrimento em lugar de buscar a eliminação do sofrimento. Compreender a verdade do sofrimento. Mas o que é compreender a verdade do sofrimento? Compreendendo a verdade do sofrimento pode-se chegar a causa do sofrimento. O sofrimento não acontece apenas, mas tem origem. A natureza é dependente das causas; não há resultado sem causas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;2. A causa do sofrimento pode ser eliminada. A causa do sofrimento é um conflito de emoções e karma; tendências várias agrupadas. Karma, ignorância e hábitos são inseparáveis. Ignorância, no budismo, significa a crença em um ego independente. Devido a isto, há a fixação referencial aos outros. Devido à forte crença na dualidade eu-outro, há a permanência da separação sujeito-objeto e o dualismo de eternalismo versus niilismo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nossa tendência normal é crer que as coisas existem permanentemente (o que é o eternalismo), mas nada é permanente, e quando há mudança, isto nos perturba pois cremos no permanente. A realidade do mundo nos confronta. Assim, não é a mudança que traz o sofrimento, mas é a crença no eternalismo. Isto traz o sofrimento até nós. Os fenômenos existem interdependentemente. Tudo existe assim, e o que é interdependente não é permanente. A outra alternativa seria o niilismo, a inexistência de tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Criado o conflito do eternalismo versus niilismo, estamos, de qualquer maneira, presos à dualidade. Portanto, geramos o sofrimento tanto de um extremo como do outro. Esta noção dual de sujeito-objeto nos induza ao surgimento de atividades mentais como agressão, raiva, desejo, apego, ignorância, ciúme, etc... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos ensinamentos do Buda falamos de cinco tendências que geram o sofrimento. Estas tendências são o karma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Karma é o potencial de chegar a frutificar em resultados. Devido a estas tendências que falamos, atuamos de modo confuso, agimos de forma nociva com o corpo, palavra e mente, o que conduz a uma maior acumulação de tendências e karma. Quanto maior a acumulação, mais ações nociva ocorrem e, sem qualquer controle, caímos em um ciclo vicioso auto-criado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos a crença que somos seres humanos e, então espertos. Controlamos nossa vida, decisões, etc., e gostamos de crer que fazemos coisas pela nossa vontade. Se nosso desejo é viver mais e mais sofrimento, então nossas decisões estão corretas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nossas visões não vêm de compreensão correta, mas de nossas distrações. Somos completamente atraídos e envolvidos pelas nossas tendências e distrações. Um exemplo disto: a raiva. Ninguém deseja ficar zangado e com raiva; como se chega a isso sem desejar e sem controle? E o controle que pensávamos ter? (...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nossa experiência de sofrimento surge da experiência de uma mente confusa, e esta, da experiência de hábitos confusos. Segundo a tradição budista, se não somos capazes de examinar e gradualmente ganhar liberdade frente às tendências habituais da nossa mente, nunca vamos nos libertar do sofrimento e insatisfação. Arranjar as coisas externamente não vem ao caso. As circunstâncias externas e nossa reação são projeções mentais nossas. Para alguém libertar-se dessas tendências habituais, a ênfase é desenvolver a estabilidade da mente e daí a mente consciente e atenta, sem a qual não temos controle.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para experimentar uma maior estabilidade da mente consciente e atenta, pratica-se a meditação. Meditação é o desenvolvimento de práticas e hábitos da mente que conduzem a mais e mais familiaridade com a estabilidade e clareza desta mente. Assim, a palavra budismo significa o caminho internalizador, significa voltar a atenção para o interior e examinar a mente, e operar com ela para dentro. Aí a questão, por acreditarmos que o problema é externo, equivocadamente o vemos lá fora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na tradição existem vários estágios, de acordo com as necessidades e capacidades das pessoas, e um destes é especialmente importante: a estabilidade e clareza da mente. Existimos para isto. E só após este grande trabalho é possível compreender a importância de desenvolver um coração suave e bondoso e reconhecendo a própria capacidade - bodicita - voltar-se aos outros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É importante para os indivíduos compreender que a fonte e origem do sofrimento é interna. O potencial para a libertação está também dentro. Sem controle nada podemos fazer e nada merecemos. Na verdade, temos a capacidade de iluminação total. A essência do ensinamento do Buda Sakiamuni é esta: não devemos cometer nenhuma ação nociva, devemos evitar o egoísmo e evitar de ferir os outros por palavras, ações ou pensamentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não permita que sua mente seja dominada pelas emoções cegas (kleshas, nyon-mongs). É preciso perseverar na prática da ação completamente sã e, através da compaixão, fazer o que os outros precisam. Abandonar o nocivo, praticar a sanidade. Praticar a mente totalmente descondicionada. Praticar a total não-agressividade e a bondade e suavidade libertas. Alcançar este estado é o ensinamento do Buda e sua experiência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para concluir: É ótimo que pratiquem a meditação. Sentem com vocês mesmos em lugar de sentar com os outros. Conhecer-se melhor, já que é com cada um que cada um vive e não com o outro. Surpresas agradáveis terão. Somos mais agradáveis e temos mais recursos do que imaginávamos. O Buda e a iluminação não estão fora, nem temos que aguardar ajuda externa mas apenas vivenciar o próprio potencial. É nossa responsabilidade conhecermo-nos melhor. Existem oportunidades de ajuda e apoio não apenas para ajudarmos a nós mesmos, mas quanto melhor nos sentirmos, mais generosos e bons seremos com os outros. Qualquer um, usando inteligência e método, terá êxito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Artigo completo em: &lt;a href="http://bodisatva.org/ensinamentos/e.php?subaction=showfull&amp;amp;id=1091503232&amp;amp;archive=&amp;amp;start_from=&amp;amp;ucat=34"&gt;http://bodisatva.org/ensinamentos/e.php?subaction=showfull&amp;amp;id=1091503232&amp;amp;archive=&amp;amp;start_from=&amp;amp;ucat=34&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-5760859036301117291?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/5760859036301117291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=5760859036301117291' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/5760859036301117291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/5760859036301117291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/09/o-budismo-e-condio-humana.html' title='O Budismo e a Condição Humana'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMqD0RgML7I/AAAAAAAAAJw/k8CkRUnd_Vg/s72-c/pitre_john_meditation.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-24470505955486097</id><published>2008-09-05T13:43:00.009-02:00</published><updated>2009-03-18T10:36:15.872-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><title type='text'>Transformação Individual e o Futuro do Planeta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMFVUqSiGqI/AAAAAAAAAJg/TOSgXnF0JG8/s1600-h/deus.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5242565254673734306" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMFVUqSiGqI/AAAAAAAAAJg/TOSgXnF0JG8/s400/deus.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Nas últimas poucas décadas, tem se tornado cada vez mais claro que a humanidade está enfrentando uma crise de proporções sem precedentes. A ciência moderna desenvolveu medidas efetivas que poderiam resolver a maior parte dos problemas urgentes do mundo atual – combate à maioria das doenças, eliminar a pobreza e a fome, reduzir a quantidade do desperdício industrial e substituir os combustíveis não renováveis por fontes de energia limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os problemas que permanecem no caminho não são de natureza econômica e tecnológica. A fonte profunda da crise global está dentro da personalidade humana e reflete o nível de evolução de nossa espécie. Por causa das forças não domadas da psique humana, recursos inimagináveis estão sendo desperdiçados no absurdo da corrida armamentista, luta pelo poder e a perseguição de metas como “crescimento ilimitado.” Esses elementos da natureza humana também impedem uma distribuição mais apropriada das riquezas entre as nações e os indivíduos, bem como a reorientação da ênfase puramente política e econômica para as prioridades ecológicas que são essenciais para a manutenção da vida no planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As negociações diplomáticas, as medidas legais e administrativas, as sanções econômicas e sociais, as intervenções militares e outros esforços semelhantes tiveram muito pouco sucesso até o momento. De fato, eles na realidade produziram mais problemas que soluções. Está se tornando cada vez mais clara a razão pela qual tais medidas só poderiam falhar. Em primeiro lugar, é impossível aliviar a crise pela aplicação de estratégias baseadas apenas na ideologia que a criou. Em última análise, a crise global atual é de natureza psico/espiritual. Desse modo é difícil imaginar que ela pudesse ser resolvida sem a transformação interna radical da humanidade e sua elevação a um nível mais alto de maturidade emocional e consciência espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando o papel de destaque da violência e da ganância na história humana, a possibilidade de transformação da humanidade atual em um conjunto de indivíduos capazes de uma coexistência pacífica com seus companheiros dos sexos masculino e feminino, a despeito das diferenças de cor, raça e convicção política e religiosa, sem falar nas outras espécies, certamente não parece muito plausível. Estamos enfrentando um desafio tremendo de instalar na humanidade profundos valores éticos, sensibilidade para as necessidades dos outros, simplicidade voluntária e um agudo senso para com os imperativos ecológicos. Num primeiro relance, essa tarefa parece ser utópica e não realista e não oferecer nenhuma real esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a situação não é tão desesperadora quanto parece. Como vimos antes, a transformação profunda do tipo necessário é exatamente a que acontece no curso do trabalho interno sistemático usando os estados holotrópicos, seja ele uma prática de meditação, profundas formas de terapia experiencial ou um trabalho feito com responsabilidade e supervisão de profissionais treinados no uso de substâncias psicodélicas. Mudanças semelhantes podem também ser obtidas em pessoas que experienciam crise psico/espirituais espontâneas e têm o privilégio de dispor de um bom sistema de apoio e acompanhamento sensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma estratégia de vida que integre o trabalho interno profundo com a ação inspirada no mundo esterno pode assim tornar-se um importante fator de solução da crise global, desde que praticada numa escala suficientemente ampla. A transformação interna e a evolução acelerada da consciência podem melhorar significativamente nossas chances de sobrevivência e de coexistência pacífica. Eu colecionei e descrevi sistematicamente os insights dos estudos dos estados holotrópicos na esperança que aquelas pessoas que irão escolher tal caminho ou as que já o estejam trilhando os considerem úteis e as ajudem em sua própria jornada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(Retirado de: "O Jogo Cósmico"; de Stanislav Grof)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-24470505955486097?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/24470505955486097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=24470505955486097' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/24470505955486097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/24470505955486097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/09/transformao-individual-e-o-futuro-do.html' title='Transformação Individual e o Futuro do Planeta'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SMFVUqSiGqI/AAAAAAAAAJg/TOSgXnF0JG8/s72-c/deus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-2762173043898430830</id><published>2008-09-02T15:51:00.005-02:00</published><updated>2008-09-02T22:55:26.199-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Budismo'/><title type='text'>A Prática e a Natureza da Mente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241483463660318338" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SL19cIuOroI/AAAAAAAAAJQ/VsKX2JrWv5Q/s320/untitledjj.bmp" border="0" /&gt;&lt;em&gt;Todos têm a possibilidade da liberdade completa que não gozamos hoje. Neste estado atual, ainda estamos na experiência de sofrimento. Enquanto tivermos a mente consciente, a experiência de iluminação não estará separada da mente iluminada. Devido ao dualismo, não somos capazes de reconhecer isto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A fixação dualística separa sujeito e objeto. Nossa qualidade básica é o vazio, a ausência de forma, qualidade ou ponto de referência. Quando não reconhecemos a característica de nossa mente, ficamos presos à mente dual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Devido à característica da mente vazia, existe o surgimento não-obstruído da mente. Esta compreensão não-obstruída é que se chama de clareza ou luminosidade da mente. Não reconhecendo a existência não-condicionada da mente, temos a noção de "objeto" ou "outro" e nos fixamos nisto. A existência da mente é livre de surgimento e desaparecimento, de obstruções e sensações, e de fixação em um ponto. Assim, a natureza da mente é a inseparabilidade entre luminosidade e vazio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando falamos em termos de sabedoria suprema ou verdade absoluta, falamos desta inseparabilidade. Não estamos falando de nada fora da própria mente. Tal natureza é a natureza de todos os fenômenos. Assim, focando o ponto de vista confuso, vemos imagens externas e jogos projetados pela mente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista da onisciência da mente, ter a compreensão da mente significa ter-se a compreensão de todas as coisas. Mas como já mencionei, não conseguimos reconhecer esta natureza da mente. O não-reconhecimento da natureza da mente, que está livre de ponto de referência, condicionamentos, limitações, deve-se ao apego dualístico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A causa principal de nossa confusão são nossas tendências habituais e o apego aos três venenos: ignorância, raiva-ódio, desejo-apego.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A ausência de entendimento da mente é a ignorância. Em oposição ao entendimento da luminosidade e vazio, temos o "ego", o "outro" e os "objetos". Isto é ignorância. Assim, temos a visão distorcida e pervertida da realidade. É devido à ignorância (eu e outro, coisas), que originam-se os demais venenos, raiva-ódio e desejo-apego. O apego a eu, meu e coisas-minhas leva à agressão aos outros lá fora. Este é o mundo pelo qual a mente funciona. A mente apegada e os objetos são o mesmo. Chama-se de dupla fixação dualística a noção de ego próprio e ego dos outros e das coisas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Usualmente, a mente é internamente influenciada e condicionada por estes três venenos. Assim vivemos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Somos cativados magicamente por estas três tendências. Assim nossa mente opera, e assim subjuga nosso corpo, gestos e fala à escravidão. Deste modo, nosso corpo, mente e fala capitulam aos três venenos, havendo a expansão destas ações e energias-de-hábito. Isto é o que se diz não ter controle sobre nossa mente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ter controle é reconhecer a natureza da nossa mente que fica sempre ocupada em nossas tendências habituais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A prática do Darma é o afastamento ao apego egoísta, ou seja, é a própria libertação. Mas, devido a estarmos apegados ao egoísmo e dualismo, não há esperança de libertação da confusão e sofrimento. (...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*Esta é a transcrição da terceira palestra proferida por Sua Eminência Jamgon Kongtrul Rinpoche III no Rio de Janeiro, em dezembro de 1988, a convite da Ordem Monástica Karma Teksum Chohorling. Sua fala foi traduzida para o inglês por intérprete tibetano, sendo transcrita e vertida para o português pela equipe de Bodisatva e revisada por Anila Karma Tsultrim Palmo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(fonte: &lt;a href="http://bodisatva.org/"&gt;http://bodisatva.org/&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**Artigo completo em: &lt;a href="http://bodisatva.org/ensinamentos/e.php?subaction=showfull&amp;amp;id=1091502990&amp;amp;archive=&amp;amp;start_from=&amp;amp;ucat=34"&gt;http://bodisatva.org/ensinamentos/e.php?subaction=showfull&amp;amp;id=1091502990&amp;amp;archive=&amp;amp;start_from=&amp;amp;ucat=34&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-2762173043898430830?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/2762173043898430830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=2762173043898430830' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/2762173043898430830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/2762173043898430830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/09/prtica-e-natureza-da-mente.html' title='A Prática e a Natureza da Mente'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SL19cIuOroI/AAAAAAAAAJQ/VsKX2JrWv5Q/s72-c/untitledjj.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-3063955414119926228</id><published>2008-08-18T13:29:00.003-02:00</published><updated>2008-08-18T13:48:05.882-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Budismo'/><title type='text'>Sobre a Entrega</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKmZWMiz_GI/AAAAAAAAAJA/SPKIw-PzPh4/s1600-h/alexmind0co5bs.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235884648398322786" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKmZWMiz_GI/AAAAAAAAAJA/SPKIw-PzPh4/s320/alexmind0co5bs.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Entregar-nos também significa reconhecer as qualidades cruas, rudes, desajeitadas e chocantes do nosso ego, reconhecê-las e renunciar a elas. Geralmente, achamos muito difícil mostrar e entregar as qualidades nuas e cruas do nosso ego. Embora possamos odiar-nos, ao mesmo tempo, vemos neste auto-ódio uma espécie de serventia. Apesar de não gostarmos do que somos e acharmos penosa nossa auto-condenação, ainda assim não conseguimos abrir mão deste fato completamente. Se começamos a renunciar nossa autocrítica, podemos sentir que estamos perdendo a nossa ocupação, como se alguém estivesse tirando o nosso emprego. Não teríamos nenhuns outros afazeres, se tivéssemos que renunciar a tudo; não haveria coisa alguma a que nos agarrar. A auto-avaliação e a autocrítica são, basicamente, tendências neuróticas que decorrem do fato de não termos suficiente confiança em nós mesmos, "confiança" no sentido de ver o que somos, saber o que somos, saber que podemos permitir-nos uma abertura. Podemos permitir-nos a entrega dessa qualidade neurótica nua e crua do eu, e deixar para trás o fascínio, deixar para trás as idéias preconcebidas. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decepção é o melhor veículo que podemos usar no caminho do dharma. Ela não confirma a existência do nosso ego nem de seus sonhos. Entretanto, se estamos envolvidos com materialismo espiritual, se encaramos a espiritualidade como parte de nosso acúmulo de aprendizado e virtudes, se a espiritualidade se transforma num meio de nos formar a nós mesmos, o curso de todo o processo de entrega está completamente distorcido. Se consideramos a espiritualidade um meio de adquirirmos conforto, toda vez que tivermos uma experiência desagradável, uma decepção, tentaremos racionalizá-la: "É claro que isto deve ser um gesto de sabedoria da parte do guru, pois eu sei, tenho certeza de que ele não faz nada que seja prejudicial. Guruji é um ser perfeito e tudo o que faz está certo. Tudo o que faz, não importa o quê, Guruji faz por mim, porque está do meu lado. Por isso estou em condições de me abrir. Posso entregar-me com segurança. Sei que estou seguindo pelo caminho certo." Há qualquer coisa não muito certa numa atitude assim. Na melhor das hipóteses, ela é simplista e? ingênua. Ficamos cativados pelo aspecto impressionante, inspirador, digno e pitoresco de "Guruji". Não ousamos ter um outro ângulo de visão. Desenvolvemos a convicção de que tudo quanto vivenciamos faz parte do nosso desenvolvimento espiritual. "Eu consegui. Eu vivenciei a experiência. Sou uma pessoa que se fez por si mesma e sei quase tudo, porque li livros e eles confirmam minhas crenças, minhas idéias, que eu tenho razão. Tudo coincide."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos conter-nos ainda de outra forma: não nos entregando de fato porque nos julgamos pessoas muito bemeducadas, sofisticadas e dignas. "Por certo que não podemos entregar-nos a esta realidade prosaica, vulgar e suja". Temos a impressão de que cada passo do caminho que percorremos deveria ser uma pétala de lótus e criamos uma lógica que concordantemente interpreta tudo o que nos aconteça. Se caímos, criamos um pouso macio para impedir qualquer choque brusco. Mas, a entrega não inclui preparativos para um pouso suave; significa simplesmente cair em solo duro, comum, em terreno agreste, cheio de pedras. Quando nos abrimos, caímos no que realmente existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradicionalmente, a entrega é simbolizada por práticas como a prostração, que é o ato de cair ao chão num gesto de renúncia. Ao mesmo tempo nos abrimos psicologicamente e nos entregamos completamente ao nos identificarmos com o mais humilde dos humildes, reconhecendo nossa qualidade crua e rude. Não há nada que temamos perder quando nos identificamos com o mais baixo dos baixos. Ao fazê-lo, preparamo-nos para ser um recipiente vazio, pronto para receber os ensinamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tradição budista existe uma fórmula básica: "Refugio-me no Buda, refugio-me no dharma, refugio-me no sangha." Refugio-me no Buda como exemplo de entrega, o exemplo do reconhecimento da negatividade como parte da nossa constituição e de nossa abertura à ela. Refugio-me no dharma — dharma, a "lei da existência", a vida como ela é. Estou disposto a abrir os olhos e enxergar as circunstâncias da vida exatamente como elas são. Não estou inclinado a vê-las como espirituais ou místicas, mas quero ver as situações da vida como elas realmente são. Refugio-me no sangha. "Sangha" significa "comunidade de pessoas no caminho espiritual", "companheiros". Estou disposto a compartilhar a experiência de toda a vida que nos cerca com os meus companheiros de peregrinação, meus companheiros de busca, os que caminham comigo; mas não estou disposto a encostar-me neles a fim de obter apoio. Minha vontade é apenas caminhar com eles. Há uma tendência muito perigosa de nos apoiarmos uns nos outros ao percorrer o caminho. Se os membros de um grupo se firmam uns nos outros, todos cairão se, por acaso, um deles cair. Por isso mesmo não nos apoiamos em uma outra pessoa. Limitamo-nos a caminhar uns com os outros, lado a lado, ombro a ombro, a trabalhar com os outros, a ir com eles. Essa atitude com relação à entrega, essa noção de refúgio é muito profunda. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entregar-se não significa ser inferior e tolo, nem querer ser elevado e profundo. Não tem nada a ver com níveis e avaliações. Ao invés disso, entregamo-nos porque gostaríamos de nos comunicar com o mundo tal "como ele é". Não precisamos nos classificar como cultos ou como ignorantes. Sabemos onde estamos e, portanto, fazemos o gesto de entrega, da abertura, que quer dizer comunicação, ligação, comunicação direta com o objeto da nossa entrega. Não nos constrangemos com nossa rica coleção de qualidades cruas, rudes, belas e puras. Apresentamos tudo ao objeto da nossa entrega. O ato básico da entrega não implica a adoração de um poder externo. Antes disso, significa trabalhar junto com a inspiração, de modo que nos tomamos um recipiente aberto no qual o conhecimento pode ser vertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, a abertura e a entrega constituem a preparação necessária para o trabalho com um amigo espiritual. Nós reconhecemos nossa riqueza fundamental em vez de lastimar a pobreza imaginária do nosso ser. Sabemos que somos dignos de receber os ensinamentos, dignos de relacionar-nos com a riqueza das oportunidades de aprender.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(Retirado de "Além do Materialismo Espiritual"; de Chögyam Trungpa)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-3063955414119926228?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/3063955414119926228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=3063955414119926228' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3063955414119926228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3063955414119926228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/sobre-entrega.html' title='Sobre a Entrega'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKmZWMiz_GI/AAAAAAAAAJA/SPKIw-PzPh4/s72-c/alexmind0co5bs.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-7167056232206874204</id><published>2008-08-17T16:46:00.005-02:00</published><updated>2008-08-17T21:16:11.698-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Budismo'/><title type='text'>Chögyam Trungpa sobre as Quatro Nobres Verdades</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235561521855949442" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKhzdwXtaoI/AAAAAAAAAIw/q6hgwpq1VB4/s320/the_patron_deity_of_om_mani_padme_hum_tm23.jpg" border="0" /&gt;É preciso começar vendo a realidade de duhkha, palavra sânscrita que significa "sofrimento", "insatisfação" ou "dor". Ocorre a insatisfação porque a mente gira de tal maneira que o seu movimento parece não ter princípio nem fim. Os processos do pensamento continuam indefinidamente: pensamentos do passado, pensamentos do futuro, pensamentos do presente. Isso gera irritação. Os pensamentos estimulados pela insatisfação são também idênticos a ela, duhkha, a sensação constantemente repetida de que alguma coisa está faltando, está incompleta em nossa vida. Seja como for, alguma coisa não está bem certa, não o bastante. Vivemos tentando preencher a lacuna, endireitar as coisas, encontrar aquela pontazinha extra de prazer ou segurança. A contínua ação da luta e da azáfama é exasperante e dolorosa. Finalmente, começa a irritar-nos o simples fato de sermos quem somos, de sermos "nós".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo, compreender a verdade de duhkha é realmente compreender a neurose da mente. Somos impelidos para cá e para lá com muita energia. Quer comamos, quer durmamos, quer trabalhemos, quer joguemos, seja o que for que façamos, a vida contém duhkha, insatisfação, dor. Se nos agrada o prazer, receamos perdê-lo; esforçamo-nos por lograr mais e mais prazer ou tentamos retê-lo. Se sofremos dor, desejamos fugir dela. Experimentamos insatisfação o tempo todo. Todas as atividades encerram insatisfação ou dor, continuamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, modelamos a vida de um modo que nunca nos dá tempo de provar-lhe o sabor. Há um contínuo estar ocupado, uma contínua busca do momento seguinte, uma contínua característica gananciosa de viver. Isso é duhkha, a Primeira Nobre Verdade. Compreender e enfrentar o sofrimento é o primeiro passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo-nos tornado agudamente cônscios da nossa insatisfação, começamos a buscar uma razão para ela, a sua origem. Examinando nossos pensamentos e ações descobrimos que estamos sempre lutando para nos manter e destacar. Compreendemos que a luta é a raiz do sofrimento. Então, procuramos compreender o processo da luta: isto é, como o ego se desenvolve e opera. Esta é a Segunda Nobre Verdade, a verdade da origem do sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já discutimos nos capítulos que versam sobre materialismo espiritual, muitas pessoas cometem o erro de supor que, por ser o ego a raiz do sofrimento, a meta da espiritualidade consiste em vencê-lo e destruí-lo. Elas se esforçam para eliminar a pesada mão opressiva do ego mas, como descobrimos antes, essa luta é apenas outra expressão dele. Giramos e giramos, tentando aprimorar-nos através da luta, até compreendermos que o problema reside na própria ambição de aprimorar-nos. O entendimento somente surge quando há brechas em nossa luta, quando paramos de tentar nos livrar do pensamento, quando deixamos de tomar o partido dos pensamentos bons e piedosos contra os pensamentos maus e impuros, quando nos permitimos simplesmente ver a natureza do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos a compreender que existe uma qualidade sã, desperta, dentro de nós, que, de fato, só se manifesta na ausência da luta. Assim, descobrimos a Terceira Nobre Verdade, a verdade da meta: isto é, a da não-luta. Basta-nos abandonar o esforço por garantir-nos e solidificar-nos para que apareça o estado desperto. Logo, porém, percebemos que o "deixar estar" só é possível em curtos períodos. Precisamos de alguma disciplina para levar-nos ao "deixar ser". Precisamos palmilhar um caminho espiritual. O ego deve gastar-se como um sapato velho, caminhando do sofrimento para a libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Examinemos, portanto, o caminho espiritual, a prática da meditação, a Quarta Nobre Verdade. A prática da meditação não é uma tentativa de entrar num estado mental semelhante a um transe, nem uma tentativa de ocupar-nos com determinado objeto. Desenvolveu-se, tanto na Índia quando no Tibete, um assim chamado sistema de meditação, que pode denominar-se "concentração", ou seja, ele tem por base a focalização da atenção num ponto determinado, de modo que nos tornemos mais capazes de controlar a mente e concentrar-nos. Nessa prática, o discípulo escolhe um objeto para contemplar, pensar ou visualizar e depois focaliza nele toda a sua atenção. Ao fazê-lo, tende a desenvolver, por força, certa espécie de calma mental. Chamo a esse tipo de prática "ginástica mental", porque não tenta lidar com a totalidade de nenhuma situação de vida. Funda-se inteiramente nisso ou naquilo, sujeito e objeto, em vez de transcender a visão dualista da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática do samadhi, por outro lado, não supõe concentração, o que é muito importante compreender. As práticas de concentração são principalmente reforçadoras do ego, se bem que, intencionalmente, não seja este o seu objetivo. Ainda assim, pratica-se a concentração com um alvo específico e um objetivo preconcebido, de modo que tendemos a centralizar-nos no "coração". Planejamos concentrar-nos numa flor, numa pedra ou numa chama e fixamos o olhar no objeto mas, mentalmente, penetramos o máximo possível no coração. Estamos tentando intensificar o aspecto sólido da forma, as qualidades de estabilidade e quietude. A longo prazo, esse tipo de prática pode revelar-se perigoso. Segundo a intensidade da sua força de vontade, o meditador pode tornar-se introvertido de modo demasiado solene, fixo e rígido. Essa espécie de prática não conduz à abertura, nem à energia, nem ao senso de humor. É pesada demais, e pode facilmente tornar-se dogmática, uma vez que aqueles que se envolvem em tais práticas pensam em termos de impor disciplina a si próprios. Achamos necessário ser muito sérios e solenes, o que imprime uma atitude competitiva ao nosso modo de pensar — quanto mais cativa tornarmos a mente, tanto mais bem-sucedidos seremos — o que representa um enfoque dogmático, autoritário. Essa maneira de pensar, sempre focalizada no futuro, é habitual ao ego: "Eu gostaria de ver tais e tais resultados. Tenho uma teoria idealizada, ou sonho, que gostaria de pôr em prática." Tendemos a viver no futuro, com a nossa visão da vida colorida pela expectativa de alcançar uma meta ideal. Por causa dessa expectativa perdemos a precisão, a abertura e a inteligência do presente. Somos fascinados, cegos e dominados pelo objetivo idealizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A qualidade competitiva do ego pode ser prontamente vista no mundo materialista em que vivemos. Se quisermos tornar-nos milionários, temos de tentar primeiro tornar-nos milionários psicologicamente. Começamos criando uma imagem de nós mesmos como milionários e depois trabalhamos com muito empenho no sentido do objetivo. Empurramo-nos nessa direção, independentemente de sermos ou não capazes de atingi-lo. Esse enfoque cria uma espécie de venda, que nos torna cegos, insensíveis ao momento presente, porque estamos vivendo demais no futuro. Podemos adotar o mesmo enfoque errôneo da prática da meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visto que a verdadeira prática da meditação é um modo de sair do ego, o primeiro ponto consiste em não focalizarmos demasiado a futura chegada ao estado desperto da mente. Toda a prática da meditação se baseia essencialmente na situação do momento presente, aqui e agora, e significa trabalhar com essa situação, com esse atual estado da mente. Qualquer prática de meditação que diga respeito à superação do ego está focalizada no momento presente. Eis por que é um modo de viver muito eficaz. Se estivermos completamente cônscios do nosso atual estado de ser e da situação à nossa volta, coisa alguma poderá nos escapar. Podemos usar várias técnicas de meditação para facilitar esse tipo de consciência, mas tais técnicas são simplesmente um modo de sair do ego. A técnica é como um brinquedo dado a uma criança. Quando a criança cresce, o brinquedo é posto de lado. Entretanto, a técnica se faz necessária para desenvolvermos a paciência e abstermo-nos de sonhar com a "experiência espiritual". Toda a nossa prática deve basear-se na relação entre nós e o estado de agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisamos nos empurrar para a prática da meditação, mas apenas deixar as coisas como estão. Se praticarmos dessa maneira, surgirá automaticamente uma sensação de espaço e arejamento, expressão da natureza do Buda ou da inteligência básica que abre caminho através da confusão. Iniciamos, então, o entendimento da "verdade do caminho", a Quarta Nobre Verdade, a simplicidade, tal como a consciência do andar. Primeiro temos a consciência de que estamos em pé, depois nos conscientizamos de que a nossa perna direita está-se levantando, avançando, tocando, pressionando; em seguida, a perna esquerda se levanta, avança, toca, pressiona. Há um sem-número de minúcias da ação envolvidas na simplicidade e na agudeza de estarmos neste mesmo momento, aqui, agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mesmo acontece com a prática da consciência do respirar. Nós nos tornamos conscientes do ar que nos penetra as narinas, que sai e que, finalmente, se dissolve na atmosfera. É um processo muito gradual e pormenorizado e há uma aguda precisão em sua simplicidade. Quando um ato é simples, começamos a compreender-lhe a exatidão. Começamos a perceber que, seja o que for que façamos na vida diária, é belo e significativo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;(Retirado de "Além do Materialismo Espiritual"; de Chögyam trungpa)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-7167056232206874204?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/7167056232206874204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=7167056232206874204' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7167056232206874204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7167056232206874204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/chgyam-trungpa-sobre-as-quatro-nobres.html' title='Chögyam Trungpa sobre as Quatro Nobres Verdades'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKhzdwXtaoI/AAAAAAAAAIw/q6hgwpq1VB4/s72-c/the_patron_deity_of_om_mani_padme_hum_tm23.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-1686869297949076633</id><published>2008-08-17T16:02:00.005-02:00</published><updated>2009-03-18T10:36:49.215-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Existência'/><title type='text'>O Poder Separador do Mal</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKhqJvlL7PI/AAAAAAAAAIg/lj9bk5553Vo/s1600-h/lucifer.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235551282442005746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKhqJvlL7PI/AAAAAAAAAIg/lj9bk5553Vo/s320/lucifer.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKhplAbXlMI/AAAAAAAAAIY/HDo3DeklPUc/s1600-h/lucifer.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Algumas das pessoas que experimentaram um encontro pessoal com o Mal Cósmico tiveram alguns insights interessantes a respeito de sua natureza e função no esquema universal das coisas. Elas viram que esse princípio está intrincadamente entretecido na textura da existência e que ele permeia em formas cada vez mais concretas todos os níveis da criação. Suas várias manifestações são expressões da energia que faz com que as unidades projetadas da consciência sintam-se separadas umas das outras. Ela também as alienam de sua fonte cósmica, a Consciência Absoluta indiferenciada. Desse modo elas são impedidas de perceber sua identidade com sua fonte e também de perceber sua unidade básica de umas com as outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse ponto de vista, o mal está intimamente ligado ao dinamismo ao qual me referi anteriormente como “dissociação”, “trabalhos em tela” ou “esquecimento”. Desde que a brincadeira divina, o drama cósmico é inimaginável sem protagonistas individuais, sem entidades distintas separadas, a existência do mal é absolutamente essencial para a criação do mundo como o conhecemos. Esse entendimento está basicamente de acordo com a noção encontrada em algumas escrituras místicas cristãs de acordo com as quais o anjo decaído Lúcifer (literalmente, “portador da luz”), como representante das polaridades, é visto como uma figura demiúrgica. Ele leva a humanidade na fantástica viagem ao mundo da matéria. Abordando o problema de uma outra perspectiva podemos dizer que, em última análise, o mal e o sofrimento são baseados numa falsa percepção da realidade, particularmente na crença dos seres sencientes de que são individualidades separadas. Esse insight constitui uma parte essencial da doutrina budista da anatta ou Anātman (não eu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O insight de que o mal é uma força de separação do universo também ajuda no entendimento de certas seqüências e padrões típicos experimentais dos estados holotrópicos. Desse modo, as experiências extáticas de unificação e expansão da consciência são freqüentemente precedidos por encontros esmagadores com as forças da escuridão, em forma de maléficas figuras arquetípicas, ou mostras em telas demoníacas. Isso é regularmente associado com sofrimentos emocionais e físicos extremos. O exemplo mais significativo que ilustra essa conexão é o processo de morte e renascimento psicoespirituais, no qual as experiências de agonia, terror e aniquilamento por deidades coléricas são seguidas pelo sentimento de reunião com a fonte espiritual. Essa conexão parece ter encontrado uma expressão concreta nos templos budistas japoneses, tais como o esplêndido Todaiji, em Nara, onde tem-se que passar por terríveis figuras de guardiões coléricos antes de se entrar no interior do templo e contemplar a imagem radiante do Buda. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Retirado de "O Jogo Cósmico"; de Stanislav Grof)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-1686869297949076633?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/1686869297949076633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=1686869297949076633' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1686869297949076633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1686869297949076633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/o-poder-separador-do-mal.html' title='O Poder Separador do Mal'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKhqJvlL7PI/AAAAAAAAAIg/lj9bk5553Vo/s72-c/lucifer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-8123580817077544636</id><published>2008-08-17T14:46:00.005-02:00</published><updated>2008-08-19T00:03:55.055-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Budismo'/><title type='text'>O Cântico das quatro lembranças que trazem chuva de realizações</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKheDnBvt4I/AAAAAAAAAII/nZFejDOp7eU/s1600-h/alex4.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235537982927124354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKheDnBvt4I/AAAAAAAAAII/nZFejDOp7eU/s320/alex4.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Para facilitar sua memorização e subsequente uso na meditação, o VII Dalai Lama (1708-1757) versificou estes breves ensinamentos originalmente dados por Mañjusri a Tsong-kapa. A tradução (inglesa) baseou-se em transmissões orais e explanações do texto recebidas de Sua Santidade Tenzin Gyatso, o XVI Dalai Lama, em Dharamsala, Índia, em maio e agosto de 1972."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Instruções para Meditação sobre a perspectiva do Vazio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I Lembrança do Mestre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No assento da imutável união de método e sabedoria senta-se o bondoso mestre, entidade de todos os refúgios, um Buda de perfeita renúncia e sabedoria aí está.&lt;br /&gt;Abandonando pensamentos de defeitos fazei um pedido com perfeição pura;&lt;br /&gt;não permitindo que vossa mente divague, estabelecei-a na admiração e no respeito;&lt;br /&gt;impedindo que vossa atenção esqueça, mantenha-a na admiração e no respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II Lembrança da aspiração altruísta à mais alta Iluminação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prisão do sofrimento da ilimitada existência cíclica vagueiam os seis tipos de seres senscientes desprovidos de felicidade;&lt;br /&gt;pais e mães que vos protegeram com bondade aí estão.&lt;br /&gt;Abandonando desejo e ódio, meditai no carinho e na compaixão;&lt;br /&gt;não permitindo que vossa mente divague, estabelecei-a na compaixão;&lt;br /&gt;impedindo que vossa atenção esqueça, mantenha-a na compaixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III Lembrança de vosso corpo como um corpo divino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na divina mansão da grande bem aventurança, agradável de sentir,&lt;br /&gt;mora o corpo divino que é o vosso próprio corpo de agregados e constituintes puros;&lt;br /&gt;uma divindade com os Três Corpos inseparáveis aí está.&lt;br /&gt;Não vos concebendo como vulgar, praticai o divino orgulho e o aspecto fulgurante;&lt;br /&gt;não permitindo que vossa mente divague, estabelecei-a no profundo e no manifesto. impedindo que vossa atenção esqueça, mantenha-a no profundo e no manifesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV Lembrança da perspectiva do Vazio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todo o círculo de surgimento e ocorrência de objetos de conhecimento&lt;br /&gt;difunde-se o espaço de clara luz que é realidade, o supremo;&lt;br /&gt;um inefável modo de ser de objetos aí está.&lt;br /&gt;Abandonando construções mentais, olhai para a entidade de vazio imaculado;&lt;br /&gt;não permitindo que vossa mente divague, estabelecei-a na realidade.&lt;br /&gt;impedindo que vossa atenção esqueça, mantenha-a na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na encruzilhada das variedades de aparências e das seis consciências,&lt;br /&gt;vê-se a confusão dos fenômenos sem fundamento da dualidade;&lt;br /&gt;aí estão os espetáculos ilusórios de um mágico enganador.&lt;br /&gt;Sem pensar que são verdadeiros, olhai para sua entidade de vazio.&lt;br /&gt;não permitindo que vossa mente divague, estabelecei-a na aparência e no vazio.&lt;br /&gt;impedindo que vossa atenção esqueça, mantenha-a na aparência e no vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Retirado do livro: A Grinalda Preciosa e o Cântico das quatro lembranças; Nagarjuna e Kaysang Gyatso, VII Dalai Lama)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*obs: agradeço ao Gabriel por ter emprestado o livro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-8123580817077544636?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/8123580817077544636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=8123580817077544636' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/8123580817077544636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/8123580817077544636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/o-cntico-das-quatro-lembranas-que.html' title='O Cântico das quatro lembranças que trazem chuva de realizações'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKheDnBvt4I/AAAAAAAAAII/nZFejDOp7eU/s72-c/alex4.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-7825099264881851071</id><published>2008-08-17T12:52:00.006-02:00</published><updated>2008-08-17T17:04:34.403-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Orações'/><title type='text'>Hino à Matéria - Teilhard de Chardin</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKhEDrXHzWI/AAAAAAAAAIA/gVIYeb5C6AA/s1600-h/earth_angel.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235509396788202850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKhEDrXHzWI/AAAAAAAAAIA/gVIYeb5C6AA/s320/earth_angel.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Bedita sejas tu,&lt;br /&gt;áspera matéria,&lt;br /&gt;terra estéril,&lt;br /&gt;dura rocha,&lt;br /&gt;que cedes apenas à violência&lt;br /&gt;e nos forças a trabalhar&lt;br /&gt;se quisermos comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bendita sejas,&lt;br /&gt;poderosa matéria,&lt;br /&gt;evolução irresistível,&lt;br /&gt;realidade sempre nascendo,&lt;br /&gt;que a cada momento fazes em estilhaços nossos limites&lt;br /&gt;e nos obrigas a procurar&lt;br /&gt;cada vez mais profundamente a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bendita sejas,&lt;br /&gt;matéria universal,&lt;br /&gt;éter sem fronteiras,&lt;br /&gt;triplo abismo das estrelas,&lt;br /&gt;dos átomos e&lt;br /&gt;das gerações.&lt;br /&gt;Tu, que dissolvendo e transbordando&lt;br /&gt;nossas estreitas medidas,&lt;br /&gt;nos revelas as dimensões de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bendita sejas,&lt;br /&gt;impenetrável matéria.&lt;br /&gt;tu que és tensão entre nossas almas&lt;br /&gt;e o mundo das essências&lt;br /&gt;e nos fazes definhar&lt;br /&gt;com o desejo de romper o véu dos fenômenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bendita sejas,&lt;br /&gt;matéria imortal,&lt;br /&gt;Tu, que, desagregando -te um dia em nós,&lt;br /&gt;nos induzirá, forçosamente,&lt;br /&gt;no íntimo daquilo que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ti, matéria,&lt;br /&gt;sem teus combates,&lt;br /&gt;sem teus dilaceramentos,&lt;br /&gt;viveríamos inertes,&lt;br /&gt;estagnados,&lt;br /&gt;pueris,&lt;br /&gt;ignorantes de nós mesmos&lt;br /&gt;e de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu que feres e que curas,&lt;br /&gt;tu que resistes e que cedes,&lt;br /&gt;que aprisionas e libertas,&lt;br /&gt;tu que desmoronas e constróis,&lt;br /&gt;seiva de nossas almas,&lt;br /&gt;mãe de Deus,&lt;br /&gt;carne do Cristo,&lt;br /&gt;matéria,&lt;br /&gt;eu te bendigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te bendigo e te saúdo,&lt;br /&gt;não como te descrevem,&lt;br /&gt;diminuída e transfigurada,&lt;br /&gt;os pontífices da ciência&lt;br /&gt;e os pregadores da virtude.&lt;br /&gt;Um amontoado - dizem eles -&lt;br /&gt;de forças brutais ou&lt;br /&gt;de apetites baixos,&lt;br /&gt;mas como me apareces hoje,&lt;br /&gt;na totalidade da tua verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te saúdo,&lt;br /&gt;inesgotável capacidade de ser e de transformação,&lt;br /&gt;onde germina e cresce&lt;br /&gt;a substância escolhida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te saúdo,&lt;br /&gt;universal poder&lt;br /&gt;de aproximação e de união,&lt;br /&gt;por onde se comunicam a multidão das moléculas&lt;br /&gt;e a quem todas convergem,&lt;br /&gt;em marcha para o espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te saúdo,&lt;br /&gt;matriz harmoniosa das almas,&lt;br /&gt;límpido cristal,&lt;br /&gt;do qual será tirada a Nova Jerusalém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te saúdo,&lt;br /&gt;meio divino,&lt;br /&gt;carregado de poder criador,&lt;br /&gt;oceano agitado pelo espírito,&lt;br /&gt;argila modelada&lt;br /&gt;e animada pelo Verbo encarnado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crendo obedecer ao teu irresistível apelo,&lt;br /&gt;os homens se precipitam muitas vezes,&lt;br /&gt;por teu amor,&lt;br /&gt;no abismo externo dos prazeres egoístas.&lt;br /&gt;Um reflexo os engana,&lt;br /&gt;ou, então,&lt;br /&gt;um eco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, agora eu vejo.&lt;br /&gt;Para te atingir, matéria,&lt;br /&gt;é preciso que,&lt;br /&gt;partindo de um contato universal,&lt;br /&gt;com tudo o que se move,&lt;br /&gt;sintamos, pouco a pouco,&lt;br /&gt;esvair-se entre nossos dedos,&lt;br /&gt;as formas particulares de tudo que seguramos,&lt;br /&gt;até que retenhamos, apenas,&lt;br /&gt;a única essência&lt;br /&gt;de todas as consistências e de todas as uniões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quisermos te possuir,&lt;br /&gt;temos que te sublimar na dor,&lt;br /&gt;após termos, voluptuosamente,&lt;br /&gt;apertado os braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu reinas, matéria,&lt;br /&gt;nas serenas alturas,&lt;br /&gt;onde imaginam evitar-te&lt;br /&gt;os santos.&lt;br /&gt;Carne tão transparente e móvel&lt;br /&gt;que não te distinguimos mais de um espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leva-me para o alto, matéria,&lt;br /&gt;pelo esforço,&lt;br /&gt;a separação&lt;br /&gt;e a morte.&lt;br /&gt;Leva-me para onde for possível,&lt;br /&gt;enfim, abraçar castamente&lt;br /&gt;o universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Extraído de: As Mais Belas Orações de Todos os Tempos; de Rose Marie Muraro e Frei Raimundo Silva)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;*Enviado por Maísa à lista de email Psicomundrungo&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-7825099264881851071?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/7825099264881851071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=7825099264881851071' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7825099264881851071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7825099264881851071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/hino-matria-teilhard-de-chardin.html' title='Hino à Matéria - Teilhard de Chardin'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKhEDrXHzWI/AAAAAAAAAIA/gVIYeb5C6AA/s72-c/earth_angel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-4010665300841024562</id><published>2008-08-13T02:20:00.004-02:00</published><updated>2008-08-13T02:25:37.124-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Existência'/><title type='text'>A Perfeita Ilusão - Os Segredos da Identidade Falsa</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKJhfLOXHbI/AAAAAAAAAG0/N-xznxE7eaA/s1600-h/Arquitecto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233852905174801842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKJhfLOXHbI/AAAAAAAAAG0/N-xznxE7eaA/s400/Arquitecto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos estados holotrópicos, podemos transcender as fronteiras do ego corporificado com o qual nós usualmente nos identificamos e ter experiências convincentes de nos tornar outras pessoas, animais, plantas e mesmo partes inorgânicas da natureza ou vários seres mitológicos. Descobriremos que a separação e descontinuidade que nós usualmente percebemos dentro da criação é arbitrária e ilusória. E quando todas as fronteiras são dissolvidas e por nós transcendidas, poderemos experienciar a identificação com a própria fonte criativa, seja na forma da Consciência Absoluta seja como o Vazio Cósmico. Nós então descobriremos que nossa identidade real não é o self individual, mas o Self Universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for verdade que nossa natureza mais profunda é divina e que nós somos idênticos ao princípio criativo do universo, como explicamos a intensidade da crença que somos um corpo físico existindo num mundo material? Qual seria a natureza dessa ignorância fundamental referente à nossa verdadeira identidade, esse véu misterioso do esquecimento que Alan Watts chamou de “tabu de saber quem somos”? (Watts 1966). Como é possível que uma entidade infinita espiritual eterna cria a partir de si mesma e dentro de si mesma um fac-símile virtual de uma realidade tangível povoada por seres sencientes que experienciam a si mesmos como separados de sua fonte e uns dos outros? Como podem os atores do drama cósmico ser iludidos acreditando na existência objetiva de sua realidade ilusória?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor explicação que eu já ouvi de pessoas com as quais eu trabalhei é que o princípio criativo cósmico instala armadilhas para si mesmo para se aperfeiçoar. A intenção criativa atrás da brincadeira cósmica é materializar realidades experimentais que ofereceriam as melhores oportunidades para aventuras da consciência. Para atingir sua finalidade elas têm que ser convincentes e críveis em todos os detalhes. Poderemos usar aqui como exemplos trabalhos de arte tais como peças teatrais ou filmes cinematográficos. Elas uma vez ou outra podem ser interpretados com tal perfeição que podem nos fazer esquecer que aquilo que estamos vendo são eventos fictícios, sem nenhuma realidade, e então reagir como se fossem reais. Além disso, um bom ator ou atriz podem algumas vezes perder sua verdadeira identidade e fundir temporariamente com os personagens que estão personificando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo no qual vivemos tem muitas características que a Consciência Absoluta em sua forma pura não possui, tais como a pluralidade, polaridade, materialidade, mutabilidade e impermanência. O projeto de criação de um fac-símile que é a realidade material dotada de tais propriedades é executado com uma tal perfeição artística e científica que as unidades projetadas de consciência da Mente Universal acham-no inteiramente convincente e consideram-no como real. Numa expressão extrema desse talento artístico, representada por um ateu, o Divino é realmente bem sucedido ao sugerir argumentos não apenas contrários à sua participação na criação, mas também contra sua própria existência. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certamente muito mais fácil associar a divindade com a beleza que com a feiúra. Entretanto, sob um ponto de vista mais amplo, incluir a feiúra no esquema universal faz o espectro da existência ser mais rico e cheio e ajuda a disfarçar a natureza divina da criação. A imagem do hediondo pode ser executada com grande perfeição e ser capaz de fazer isso constitui um desafio interessante. Quando percebemos que a natureza complexa da Consciência Cósmica inclui, entre outras, certas características que, em nosso nível, percebemos existir refletidas em certos artistas e cientistas, a tendência de explorar o espectro inteiro das possibilidades, inclusive o feio e enojante, de repente parece não ser muito surpreendente. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o nosso critério usual, Albert Einstein é um gênio que certamente supera de muito seus semelhantes humanos, nada sendo necessário dizer com relação aos primatas tais como o chimpanzé. Entretanto, de uma perspectiva cósmica, não existe nenhuma diferença hierárquica entre Einstein e um macaco, desde que ambos são espécimens perfeitos do que estavam destinados a ser. Numa peça de Shakespeare, um rei é certamente superior ao bobo de sua corte. Entretanto, o status de Lawrence Olivier como ator não oscila em função de qual dos dois ele está representando, desde que seu desempenho seja impecável. Similarmente, Einstein é Deus representando impecavelmente o papel de Albert Einstein e um chimpanzé é Deus representando perfeitamente o papel de um chimpanzé. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo pode ser dito a respeito de um sapo feio, uma criatura que foi incluída no esquema universal com uma finalidade específica pela mesma fonte que foi capaz de criar a “borboleta de fraque”, o pavão e a gazela. É a perfeição absoluta da criação, entendida nesse sentido, que parece ser responsável pelo “tabu de saber quem somos”. A realidade virtual simulando um universo material é projetada e realizada com uma tal riqueza e com um tal cuidado dos mínimos detalhes que seu resultado é absolutamente convincente e crível. As unidades de consciência lançadas como protagonistas dos incontáveis papeis deste show dos shows se vêem misturadas e presas nesta complexa e intrincada teia de ilusionismo mágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos agora reunir os insights dos estados holotrópicos referentes ao “tabu de saber quem somos.” Em todos os níveis da criação, com exceção do Absoluto, a participação no jogo cósmico exige que as unidades de consciência esqueçam sua verdadeira identidade, que assumam uma individualidade separada e que percebam e tratem os outros protagonistas como fundamentalmente diferentes de si mesmas. O processo criativo gera muitos domínios com características diferentes e cada um deles oferece oportunidades únicas de refinadas experiências da consciência. A experiência do mundo da matéria bruta e a identificação com um organismo biológico vivendo nesse mundo é apenas uma forma extrema desse processo universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maestria com a qual o princípio criativo está apto a retratar os diferentes reinos da existência parece fazer a experiência dos papeis envolvidos tão convincentes e críveis que é extremamente difícil detectar sua natureza ilusória. Além disso, as possibilidades de ser superada a ilusão da separação, experienciando a reunificação com o fonte são associadas a extremas dificuldades e ambigüidades complexas. Em essência, nós não temos uma identidade fixa e podemos experimentar a nós mesmos como qualquer coisa no continuo desde o self corporificado até a Consciência Absoluta. A extensão e o grau de livre escolha que temos como protagonistas nos diferentes níveis do jogo cósmico, decresce à medida em que a consciência desce do Absoluto até o plano da existência material e cresce no curso da viagem do retorno espiritual. Desde que por nossa própria natureza somos seres espirituais ilimitados, entramos no jogo cósmico na base da livre escolha e ficamos presos pela perfeição com a qual ele é executado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Retirado de: O Jogo Cósmico; de Stanislav Grof"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-4010665300841024562?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/4010665300841024562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=4010665300841024562' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/4010665300841024562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/4010665300841024562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/perfeita-iluso-os-segredos-da.html' title='A Perfeita Ilusão - Os Segredos da Identidade Falsa'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKJhfLOXHbI/AAAAAAAAAG0/N-xznxE7eaA/s72-c/Arquitecto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-5137961471531936100</id><published>2008-08-12T14:00:00.012-02:00</published><updated>2008-08-19T00:04:14.264-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Existência'/><title type='text'>A conversa que Sri Ramakrishna versou sobre o Conhecimento de Brahman</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKGz9_zLccI/AAAAAAAAAGU/OlkWkCM_dQY/s1600-h/ramakrishna.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233662119660712386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKGz9_zLccI/AAAAAAAAAGU/OlkWkCM_dQY/s200/ramakrishna.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Brahman (o absoluto) está além de vidya e avidya - conhecimento e ignorância. Está além de maya, a ilusão da dualidade. O mundo consiste da dualidade de conhecimento e ignorância. Contém conhecimento e devoção, mas também, apego a ‘mulher e ouro’; honradez e iniqüidade; bem e mal, porém, Brahman não está apegado a nada. O bem e o mal afetam somente o Jiva, a alma individual, assim como ocorre com a retidão e a iniqüidade, mas Brahman não é afetado por elas. “Um homem pode ler o Bhagavata à luz de um lampião e outro pode cometer uma falsificação sob essa mesma luz, mas o lampião não é afetado. O sol derrama sua luz para os bons e para os maus. “Vocês podem perguntar, ‘Como então, se explica a miséria, o pecado e a infelicidade?’ A resposta é que esses aplicam-se apenas ao Jiva. Brahman mantém-se intocado por eles. Há veneno na cobra; embora as pessoas possam morrer ao serem mordidas por ela, ela mesma não é afetada pelo veneno. “O que Brahman é, não pode ser descrito. Todas as coisas do mundo – os Vedas, os Puranas, os Tantras, os seis sistemas filosóficos – foram todos maculados, como a comida que foi tocada pela língua, porque foram lidos e pronunciados pela língua. Somente uma coisa não foi maculada dessa maneira e esta é Brahman. Nunca ninguém foi capaz de dizer o que Brahman é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens freqüentemente pensam que entenderam Brahman em toda a plenitude. Uma vez, uma formiga foi até um monte de açúcar. Um grão foi o suficiente para encher seu estômago. Pegando mais um grão com a boca, foi para casa. A caminho pensou: ‘Na próxima vez trarei o monte todo.’ É desse modo que as mentes pouco profundas pensam. Desconhecem que Brahman está além das palavras e pensamentos. Por maior que um homem seja, quanto poderá conhecer de Brahman? Shukadeva e outros sábios como ele, podem ter sido grandes formigas, mas mesmo eles não poderiam ter carregado mais do que oito ou dez grãos de açúcar! “Pelo que foi dito nos Vedas e Puranas, sabe como isso é? Suponhamos que um homem tenha visto o oceano e alguém lhe pergunte: ‘Bem, como é o oceano?’ O primeiro homem abre a boca o mais que pode e responde: ‘Que vista! Que tremendas ondas e barulho!’ A descrição de Brahman nos livros sagrados é assim. Está descrito nos Vedas que Brahman é da natureza de Bem-aventurança – Ele é Satchidananda. “Shuka e outros sábios chegaram até a praia do Oceano de Brahman, viram e tocaram a água. Mas segundo uma escola de pensamento, jamais mergulharam. Aqueles que o fazem não retornam ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em samadhi uma pessoa atinge o Conhecimento de Brahman - realiza-O. Nesse estado o raciocínio pára completamente e a pessoa torna-se muda. Não tem o poder de descrever a natureza de Brahman. Uma vez uma boneca de sal quis conhecer a profundidade do oceano. Queria contar para os outros quão profunda era a água, mas tal jamais pôde ser feito pois, assim que entrou n’água, derreteu-se. Agora, quem estava lá para dizer qual a profundidade do oceano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um devoto: “Suponhamos que uma pessoa alcance o Conhecimento de Brahman em samadhi. Ele não vai falar mais?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shankaracharya reteve o ‘ego do conhecimento’ para ensinar os outros. Depois da visão de Brahman, a pessoa torna-se silenciosa. Raciocina sobre Ele, somente enquanto não O realiza. Um homem estabelecido em samadhi desce ao plano relativo de consciência a fim de ensinar e então, fala de Deus. Uma abelha zumbe enquanto não estiver pousada numa flor. Torna-se silenciosa no momento que começa a sugar o mel, mas, às vezes, intoxicada pelo mel, zumbe de novo. Um jarro vazio faz um barulho borbulhante quando é mergulhado na água. Ao se encher tornase silencioso. Os rishis da antigüidade atingiram o Conhecimento de Brahman. Ninguém pode alcançar esse estado enquanto houver o menor traço de mundanismo. Como os rishis trabalharam duro! Bem cedo saíam e passavam o dia inteiro sozinhos, meditando em Brahman. À noite voltavam e alimentavam-se de um pouco de frutas e raízes. Mantinham as mentes longe dos objetos da vista, audição e tato e das outras coisas do mundo material. Assim conseguiram realizar Brahman como sua própria consciência interna. Mas no Kaliyuga (Era de Kali), o homem sendo totalmente dependente do alimento para viver, não pode afastar totalmente a idéia de que é corpo. Nesse estado mental, não é próprio que diga ‘Eu sou Ele’. Quando uma pessoa faz todo o tipo de trabalho mundano, não deve dizer ‘Eu sou Brahman’. Os que não podem desapegar-se das coisas do mundo, que não podem tirar a idéia do ‘eu’, deveriam dizer: "Sou o servo de Deus; sou Seu devoto". Pode-se, também, realizar Deus pelo caminho da devoção. O jnani abandona a identificação com as coisas do mundo, discriminando ‘Isto não, isto não’. Só então, pode realizar Brahman. É como subir até o terraço de uma casa, deixando atrás de si os degraus, um após o outro, mas o vijnani, que está mais próximo de Brahman, realiza algo mais. Realiza que os degraus são do mesmo material que o terraço: tijolos, cal, pó de tijolo. Que o que é realizado intuitivamente como Brahman, pelo processo de eliminação “Isto não, isto não”, parece, ter-se tornado o universo com todos os seres vivos. O vijnani vê que a Realidade que é nirguna, sem atributos, é também, saguna com atributos. Um homem não pode viver muito tempo no terraço. Desce de novo. Aqueles que realizam Brahman em samadhi também descem e percebem que é Brahman que havia se tornado o universo e os seres vivos. Na escala musical há as notas as, re, ga, ma, pa, dha e ni , mas ninguém pode manter a voz no ni por muito tempo. O ego não desaparece completamente. O homem descendo do samadhi percebe que é Brahman que Se tornou o ego, o universo e todos os seres vivos. Isto é vijnana. O caminho do Conhecimento conduz à Verdade, como o caminho que combina conhecimento e amor. O caminho do amor também conduz a essa meta. O caminho do amor é tão verdadeiro quanto o do conhecimento. Todos os caminhos no final, conduzem à mesma Verdade, mas enquanto Deus mantiver o sentimento de ego em nós, é mais fácil seguir o caminho do amor. O vijnani vê que Brahman é imutável e sem ação, como o Monte Sumeru. Esse universo é formado dos três gunas – sattva, rajas e tamas. Estão em Brahman, mas Brahman é desapegado. O vijnani posteriormente vê que o que é Brahman é o Bhagavan, o Deus Pessoal. Quem está além dos três gunas é o Bhagavan, com Seus seis poderes sobrenaturais. Os seres vivos, o universo, a mente, inteligência, amor, renúncia, conhecimento – todos são manifestações do Seu poder. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;(retirado do livro: O Evangelho de Sri Ramakrishna)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-5137961471531936100?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/5137961471531936100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=5137961471531936100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/5137961471531936100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/5137961471531936100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/conversa-de-sri-ramakrishna-versou.html' title='A conversa que Sri Ramakrishna versou sobre o Conhecimento de Brahman'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKGz9_zLccI/AAAAAAAAAGU/OlkWkCM_dQY/s72-c/ramakrishna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-442781320368195269</id><published>2008-08-10T19:49:00.006-02:00</published><updated>2009-03-18T10:37:36.012-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enteogenia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><title type='text'>O Impacto do Processo Holotrópico nos Valores Éticos e no Comportamento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ9j52WJacI/AAAAAAAAAFc/uH_x94z1Czc/s1600-h/borboleta_e_deus.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233011137519905218" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ9j52WJacI/AAAAAAAAAFc/uH_x94z1Czc/s320/borboleta_e_deus.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Antes de podermos apreciar de modo global as implicações éticas que os profundos e transcendentes insights possam ter em nosso comportamento, devemos levar em consideração alguns fatores adicionais. A exploração experimental que tornam disponíveis tais insights profundos revelam tipicamente a existência em nosso subconsciente de fontes de informações transpessoais, biográficas, e de nossa ganância. O trabalho psicológico realizado sobre tais dados conduz a uma redução significativa de nossa agressividade e a um aumento de nossa tolerância. Também encontramos um amplo espectro de experiências transpessoais nas quais nós nos identificamos com vários aspectos da criação. Isso resulta numa profunda reverência pela vida e empatia por todos os seres sencientes. O mesmo processo através do qual nós estamos descobrindo o vazio das formas e a relatividade dos valores éticos também reduz significativamente nossa predisposição para o comportamento imoral e antisocial e nos ensina a amar e ter compaixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenvolvemos um novo sistema de valores que não é baseado em normas convencionais, preceitos, mandamentos e medo de punição, mas em nosso conhecimento e compreensão da ordem universal. Percebemos que somos uma parte integrante da criação e que ferindo os outros nós estaríamos ferindo a nós mesmos. Além disso, a auto exploração profunda nos conduz à descoberta experiencial da reencarnação e da lei do carma. Isso nos traz a percepção da possibilidade de sérias repercussões experienciais do comportamento prejudicial, mesmo aqueles que escapam das reações da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Platão estava claramente consciente das profundas implicações morais de nossas crenças no que se refere ao prosseguimento da vida após a morte biológica. Em seu livro Leis (Platão, 1961a) ele escreve que Sócrates dizia que a falta de conseqüências postmortem de nossos atos seria “uma dádiva aos perversos.” Nos estágios avançados de desenvolvimento espiritual, a combinação de decréscimo de agressividade, declínio de orientação egocêntrica, sentimento de ser um com os seres sencientes, e as consciências do carma torna-se um fator importante fator que governa nossa conduta no dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante mencionar neste contexto Carl Gustav Jung e a crise que ele experienciou quando percebeu a relatividade das normas e valores éticos. Nesse ponto, ele questionou seriamente se, de um ponto de vista elevado, realmente importa qual comportamento escolhemos e se seguimos ou não preceitos éticos. Depois de alguma deliberação, ele finalmente encontrou uma resposta pessoal satisfatória a tal pergunta. Ele concluiu que, desde que não existe um critério absoluto com relação à moralidade, toda decisão ética é um ato criativo que reflete o nosso estágio atual de desenvolvimento de consciência e de conhecimento das informações a nós disponíveis. Quando tais fatores mudam, nós poderemos retrospectivamente ver a situação de modo diferente. Entretanto, isso não quer dizer que nossa decisão anterior estivesse errada. O que importa é que fizemos o que de melhor nos era possível sob aquelas circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora nas experiências transpessoais avançadas possamos transcender o mal, sua existência parece ser muito real em nossa vida do dia-a-dia e em vários outros reinos experimentais, particularmente no domínio dos arquétipos. No mundo da religião, nós freqüentemente encontramos tendências a retratar o mal como algo separado do Divino e a ele estranho. As experiências holotrópicas conduzem a um entendimento que um dos meus clientes chamou de “realismo transcendental.” Trata-se de uma atitude que aceita o fato de que o mal é uma parte intrínseca da criação e que todos os domínios em que existam indivíduos separados possuirão sempre tanto o seu lado claro como o escuro. Desde que o mal está intrinsecamente tecido na tela cósmica e é indispensável para a existência de mundos experimentais, ele não pode ser derrotado ou erradicado. Entretanto, embora não possamos eliminar o mal do esquema universal das coisas, nós certamente podemos transformar a nós mesmos e desenvolver caminhos radicalmente diferentes de enfrentar com sucesso o lado sombrio da existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos profundos trabalhos experienciais nos percebemos que temos que experimentar em nossa vida uma certa quantidade de desconforto e de sofrimento físico e emocional que é intrínseco à existência encarnada em geral. A Primeira Nobre Verdade de Buda nos lembra que a vida significa sofrimento (duhkha) e ela refere-se a situações e circunstâncias que são responsáveis por nossa miséria – nascimento, velhice, doença, morte, associação com o que não gostamos, separação do que nos é caro, e a não obtenção daquilo que queremos. Além disso, cada um de nós experimenta o sofrimento que é específico para nós o qual reflete o nosso destino e nosso carma passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora não possamos evitar o sofrimento, nós podemos ter uma certa influência em sua ocorrência e na forma que ele se apresente. Minhas observações ao trabalhar com os estados holotrópicos indicam que quando confrontamos com o lado sombrio da existência numa forma condensada e focalizada em sessões deliberadamente planejadas, nós podemos reduzir significativamente suas várias manifestações em nossa vida do dia-a-dia. Existem alguns outros modos nos quais a auto exploração sistemática pode nos ajudar a enfrentar com sucesso o sofrimento e as experiências de situações difíceis da existência. Depois de termos aprendido a suportar a intensidade extrema das experiências dos estados holotrópicos, nossa atitude básica ao enfrentar o início de qualquer sofrimento sofre uma profunda mudança e as provações e atribulações da vida do dia-a-dia serão muito mais fáceis de suportar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também descobrimos que não somos o corpo físico ou aquilo que os hindus chamam de nome e forma (nāmarūpa). No decorrer de nossa auto exploração, nós experienciamos mudanças radicais em nosso sentimento de identidade. Nos estados holotrópicos, podemos nos identificar com qualquer coisa, desde uma insignificante porção de protoplasma num vasto universo material até a totalidade da existência e a própria Consciência Absoluta. O fato de vemos a nós mesmos como vítimas indefesas de esmagadoras forças cósmicas ou como co-autores do script de nossas vidas terá naturalmente um profundo impacto no grau de sofrimento que experienciamos ao viver ou, ao invés disso, no grau de deleite e liberdade que podemos desfrutar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Retirado de: O Jogo Cósmico; de Stanislav Grof"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-442781320368195269?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/442781320368195269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=442781320368195269' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/442781320368195269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/442781320368195269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/o-impacto-do-processo-holotrpico-nos.html' title='O Impacto do Processo Holotrópico nos Valores Éticos e no Comportamento'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ9j52WJacI/AAAAAAAAAFc/uH_x94z1Czc/s72-c/borboleta_e_deus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-7378841669898936403</id><published>2008-08-10T17:22:00.011-02:00</published><updated>2008-08-10T23:20:25.825-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Existência'/><title type='text'>Aldous Huxley - sobre a percepção da realidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ-T0l-WKUI/AAAAAAAAAGE/tJRM1lV6Bnw/s1600-h/gray4.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233063823783897410" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ-T0l-WKUI/AAAAAAAAAGE/tJRM1lV6Bnw/s320/gray4.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Refletindo sobre minha experiência, vejo-me levado a concordar com o eminente filósofo de Cambridge, dr. C. D. Broad, "que será bom considerarmos, muito mais seriamente do que até então temos feito, o tipo de teoria estabelecida por Bergson, com relação à memória e ao senso de percepção. Segundo ela, a função do cérebro e do sistema nervoso é, principalmente, eliminativa e não produtiva. Cada um de nós é capaz de lembrar-se, a qualquer momento, de tudo que já ocorreu conosco, bem como de se aperceber de tudo o que está acontecendo em qualquer parte do universo. A função do cérebro e do sistema nervoso é proteger-nos, impedindo que sejamos esmagados e confundidos por essa massa de conhecimentos, na sua maioria inúteis e sem importância, eliminando muita coisa que, de outro modo, deveríamos perceber ou recordar constantemente, e deixando passar apenas aquelas poucas sensações selecionadas que, provavelmente, terão utilidade prática".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com tal teoria, cada um de nós, possui em potencial, a Onisciência. Mas, visto que somos animais, o que mais nos preocupa é viver a todo custo. Para tornar possível a sobrevivência biológica, a torrente da Onisciência tem que passar pelo estrangulamento da válvula redutora que são nosso cérebro e sistema nervoso. O que consegue coar-se através desse crivo é um minguado fio de conhecimento que nos auxilia a conservar a vida na superfície desse singular planeta. Para formular e exprimir o conteúdo dessa sabedoria limitada, o homem inventou, e aperfeiçoa incessantemente, esses sistemas de símbolos com suas filosofias implícitas a que chamamos idiomas. Cada um de nós é, a um só tempo, beneficiário e vítima da tradição linguística dentro da qual nasceu - beneficiário, porque a língua nos permite o acesso aos conhecimentos acumulados oriundos da experiência de outras pessoas; vítimas, porque isso nos leva a crer que esse saber limitado é a única sabedoria que está a nosso alcance; e isso subverte nosso senso de realidade, fazendo com que encaremos essa noção como a expressão da verdade e nossas palavras como fatos reais. Aquilo que na terminologia religiosa, recebe o nome de "este mundo" é apenas o universo do saber reduzido, expresso e como que petrificado pela limitação dos idiomas. Os vários "outros mundos" com os quais os seres humanos entram esporadicamente em contato não passam, na verdade, de outros tantos elementos componentes da ampla sabedoria inerente à Onisciência. A maioria das pessoas, durante a maior parte do tempo, só toma conhecimento daquilo que passa através da válvula de redução e que é considerado genuinamente real pelo idioma de cada um. No entanto, certas pessoas parecem ter nascido com uma espécie de desvio que invalida essa válvula redutora. Em outras, o desvio pode surgir em caráter temporário, seja espontaneamente, seja como resultado de "exercícios espirituais" voluntários, do hipnotismo ou da ingestão de drogas. Mas o fluxo de sensações que percorre esse desvio, seja ele permanente ou temporário, não é suficiente pra que alguém se aperceba "de tudo o que esteja ocorrendo em qualquer lugar do universo" (uma vez que o desvio não destrói a válvula de redução, que ainda impede que se escoe por ela toda a torrente da Onisciência), embora possibilite a passagem de algo mais - e sobretudo diferente - do que aquelas sensações utilitárias, cuidadosamente selecionadas, que a estreiteza de nossas mentes considera uma imagem completa (ou, no mínimo, suficiente) da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Retirado de: As portas da percepção; de Aldous Huxley" &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-7378841669898936403?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/7378841669898936403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=7378841669898936403' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7378841669898936403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7378841669898936403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/aldous-huxley-sobre-percepo-da.html' title='Aldous Huxley - sobre a percepção da realidade'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ-T0l-WKUI/AAAAAAAAAGE/tJRM1lV6Bnw/s72-c/gray4.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-184236630052821011</id><published>2008-08-10T16:43:00.015-02:00</published><updated>2009-03-18T10:38:20.135-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><title type='text'>Emergência Espiritual: Para Compreender a Crise de Evolução</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ-SY8pbwTI/AAAAAAAAAFs/XAxgGOs2VYI/s1600-h/brown_michael_fives.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233062249322234162" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ-SY8pbwTI/AAAAAAAAAFs/XAxgGOs2VYI/s320/brown_michael_fives.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"O místico, dotado de talentos inatos..., e seguindo... a instrução de um mestre, entra na água e descobre que sabe nadar; o esquizofrênico, por sua vez, despreparado, sem orientação e sem dotes, caiu nela, ou mergulhou voluntariamente, e está se afogando."&lt;br /&gt;Joseph Campbell, Myths to Live By&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sentimentos de unidade com todo o universo. Visões e imagens de épocas e locais distantes. Sensações de vibrantes correntes de energia percorrendo o corpo, acompanhadas de espasmos e de violentos tremores. Visões de divindades, semideuses e demônios. Vividos vislumbres de luzes brilhantes e das cores do arco-íris. Temores de insanidade, e até de morte, iminente. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem passar por esses fenômenos físicos e mentais extremos é rotulado imediatamente de psicótico pela maioria dos ocidentais de hoje. Contudo, um número crescente de pessoas parece estar tendo experiências incomuns semelhantes às descritas acima e, em vez de se perderem sem esperança na insanidade, esses indivíduos costumam sair desses estados mentais extraordinários com um sentido cada vez maior de bem-estar e com um nível superior de funcionamento na vida diária. Em muitos casos, problemas emocionais, mentais e físicos de longa data são curados nesse processo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Encontramos muitos paralelos desses incidentes nas histórias de vidas de santos, de iogues, místicos e xamãs. Com efeito, a literatura e as tradições religiosas de todo o mundo validam o poder de cura e de transformação desses estados incomuns para as pessoas que passam por eles. Por que, então, as pessoas que têm essas experiências no mundo de hoje são consideradas, quase todas, mentalmente doentes?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora haja muitas exceções individuais, a psicologia e a psiquiatria dominantes não costumam distinguir entre misticismo e doença mental. Esses campos não reconhecem em termos oficiais que as grandes tradições espirituais que se dedicam há milênios ao estudo sistemático da consciência humana têm algo a oferecer. Por isso, os conceitos e práticas do budismo, do hinduísmo, do cristianismo, do sufismo e de outras tradições místicas são ignorados e descartados indiscriminadamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Neste ensaio, vamos examinar a idéia de que muitos episódios de estados mentais incomuns, mesmo os dramáticos e de proporções psicóticas, não são necessariamente sintomas de doenças no sentido médico. Vemo-los como crises da evolução da consciência ou "emergências espirituais", comparáveis aos estados descritos pelas várias tradições místicas do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Antes de discutir em termos mais específicos o conceito de emergência espiritual, analisemos mais de perto a relação entre psicose, doença mental e misticismo e os fatos históricos que resultaram na rejeição das experiências místicas e espirituais clássicas como sintomas de doença mental por parte da ciência e da psiquiatria moderna.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A visão de mundo criada pela ciência ocidental tradicional, e que domina a nossa cultura, é, em sua forma mais rigorosa, incompatível com toda noção de espiritualidade. Num universo em que somente o palpável, o material e o mensurável são reais, todas as modalidades de atividades religiosas e místicas são consideradas reflexo da ignorância, da superstição e da irracionalidade ou imaturidade emocional. Por conseguinte, interpretam-se as experiências diretas de realidades espirituais como "episódios psicóticos" - manifestações de doença mental.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nossas experiências e observações pessoais ao longo de anos de envolvimento em várias formas de psicoterapia experiencial profunda nos levaram a crer ser importante rever essa situação na psiquiatria e em nossa visão de mundo em geral, reavaliando-a à luz de evidências da história pregressa e recente. Um reexame radical do pensamento sobre o misticismo e a psicose há muito tem sido adiado. Uma clara diferenciação entre esses dois fenômenos tem amplas conseqüências práticas para as pessoas que passam por estados de consciência incomuns, especialmente os de ênfase espiritual. É importante reconhecer as emergências espirituais e tratá-las de modo apropriado, devido ao seu enorme potencial positivo de crescimento e de cura pessoais, que em geral seria suprimido por uma abordagem insensível e por uma medicação de rotina indiscriminada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O grupo de desordens mentais conhecido como psicoses constitui um grande desafio e um enigma para a psiquiatria e a psicologia ocidentais. Essas condições se caracterizam por um profundo distúrbio da capacidade de perceber o mundo em termos normais; de pensar e de responder, em termos emocionais, de uma maneira cultural e socialmente aceitável; e de comportar-se e comunicar-se de modo apropriado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para algumas dessas desordens, a ciência moderna descobriu modificações anatômicas, fisiológicas e bioquímicas de base no cérebro e em outras partes do organismo. Esse subgrupo, denominado psicoses orgânicas, pertence inquestionavelmente ao domínio médico. Mas não se descobriram explicações médicas para muitos outros estados psicóticos, apesar dos esforços concentrados de gerações de pesquisadores de vários campos. Mesmo com a falta geral de resultados na busca de causas médicas específicas, as chamadas psicoses funcionais costumam ser incluídas na categoria de doenças mentais de causa desconhecida. Trata-se do subgrupo de psicoses que nos interessa aqui.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diante da ausência de um claro consenso sobre as causas das psicoses funcionais, seria mais adequado e honesto reconhecer nossa completa ignorância quanto à sua origem e sua natureza, e só usar o termo doença para as condições passíveis de ter descoberta uma base física específica. Assim, podemos abrir a porta para novas abordagens de, ao menos, algumas psicoses funcionais, criando novas perspectivas que diferem, teórica e praticamente, da concepção médica da doença. Já foram desenvolvidas alternativas, em particular no âmbito das chamadas psicologias profundas. Existem várias teorias psicológicas e estratégias psicoterapêuticas inspiradas pelo trabalho pioneiro de Sigmund Freud.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora as abordagens da psicologia profunda sejam discutidas e ensinadas nos círculos acadêmicos, a compreensão e o tratamento das psicoses funcionais na psiquiatria dominante estão dominados, por uma variedade de razões, pelo pensamento médico. Em termos históricos, a psiquiatria conseguiu estabelecer-se com firmeza como disciplina médica. Descobriu-se uma base orgânica para certos estados psicóticos e, em alguns casos, até tratamentos efetivos para eles. Além disso, sintomas de condições psicóticas de origem desconhecida foram controlados por meio de tranqüilizantes, antidepressivos, sedativos e soporíferos. Parecia lógico, portanto, estender a trajetória e esperar sucesso ao longo das mesmas linhas em desordens para as quais ainda não foram descobertas causas nem tratamentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há outros fatos persuasivos em favor da perspectiva médica ou psiquiátrica. A psiquiatria atribui estados e comportamentos psicóticos a condições físicas e fisiológicas, enquanto as psicologias profundas tentam descobrir as causas dos problemas mentais em eventos e circunstâncias da vida do paciente, em geral ocorrências da infância. Por conseguinte, a psicologia tradicional limita as fontes dos conteúdos da mente a aspectos observáveis da história pessoal do cliente. A isso chamamos de "modelo biográfico" da psicose. Os estados mentais e comportamentos psicóticos para os quais não se pode encontrar causas na biografia pessoal serviriam, portanto, para fornecer evidências favoráveis ao modelo médico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, há significativos aspectos de muitas psicoses que não podem ser explicados por meio do método psicológico de descobertas da origem de todas as condições mentais na história de vida do paciente. Alguns deles envolvem certas emoções e sensações físicas extremas que não se podem compreender em termos da história individual da infância ou de eventos posteriores. Incluem-se aqui, por exemplo, visões e experiências de ser engolfado pelo universo, de torturas diabólicas, de desintegração da personalidade e até de destruição do mundo. De igual modo, sentimentos de culpa abismais, a sensação de danação eterna ou impulsos agressivos indiscriminados ou incontroláveis não podem ser associados, em muitos casos, com eventos ou condições específicas da vida do paciente. Assim sendo, poderíamos facilmente supor que esses elementos estranhos presentes na psique devem ser uma decorrência de processos patológicos orgânicos que afetam direta ou indiretamente o cérebro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há outras espécies de experiências problemáticas da perspectiva biográfica, não apenas por causa de sua intensidade como em função de sua natureza. Experiências com divindades e demônios, com heróis e ambientes místicos ou com regiões celestiais ou infernais não têm lugar lógico no mundo concebido pela ciência ocidental. Por isso, parece evidente sugerir, como o faz o ponto de vista médico, que elas devem ser produto de algum processo físico patológico de origem desconhecida. O caráter místico de muitas experiências de estados de consciência incomuns as inclui automaticamente na categoria de enfermidades, visto que a espiritualidade não é considerada uma dimensão legítima no universo material excludente da ciência tradicional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Contudo, recentes desenvolvimentos na área psicológica começaram a sugerir, para essas ocorrências extraordinárias, fontes que não se enquadram na patologia médica nem da história de vida pessoal. Historicamente, a primeira ruptura nesse sentido foi a obra do psiquiatra suíço C. G. Jung. Jung expandiu em muito o modelo biográfico, ao introduzir o conceito de inconsciente coletivo. Por meio-de uma cuidadosa análise de sua própria vida onírica, dos sonhos dos seus clientes e das alucinações, fantasias ou delírios dos psicóticos, ele descobriu que a psique humana tem acesso a imagens e motivos de real natureza universal. Esses elementos podem ser encontrados na mitologia, no folclore e na arte de culturas distribuídas amplamente, não apenas pelo globo, mas ao longo da história da humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esses arquétipos, como Jung os denominou, aparecem com surpreendente regularidade mesmo em indivíduos cuja história de vida e cuja educação carecem de exposição direta às várias manifestações culturais e históricas. Essa observação levou-o à conclusão de que há - além do inconsciente individual - um inconsciente racial ou coletivo comum à humanidade. Para ele, a religião e a mitologia comparadas eram fontes inestimáveis de informação sobre esses aspectos coletivos do inconsciente. No modelo junguiano, muitas experiências que não fazem sentido como derivativos de eventos biográficos, tais como visões de divindades e demônios, podem ser consideradas manifestações de conteúdos do inconsciente coletivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora conhecidas há muitas décadas, as idéias de Jung de início não tiveram influência significativa fora de estreitos círculos de seguidores dedicados. Elas estavam muito além do seu tempo e tiveram de esperar um ímpeto adicional para se destacarem. Essa situação começou a mudar nos anos 60, época de um grande renascimento do interesse pelos limites mais amplos da consciência humana. Essa era de exploração interior se iniciou com a experimentação clínica com drogas psicodélicas entre profissionais e com a exposição pessoal de uma parcela da população leiga, que por um certo período passou a ser conhecida como contracultura, a essas drogas. Prosseguiu com uma avalancha de técnicas experienciais de psicoterapia e de práticas espirituais de toda espécie, da terapia da Gestalt à meditação transcendental, entre terapeutas e leigos nos anos 70 e 80.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À medida que muitas pessoas passaram a ter experiências com os tipos de imagens e símbolos que Jung atribuía ao inconsciente coletivo, bem como a viver episódios de natureza mística clássica, essa onda forneceu um forte apoio as idéias junguianas e uma poderosa validação das tradições místicas do mundo, oriental e ocidental. Nessa época, ficou evidente para muitos praticantes dessas explorações ser necessário um novo modelo de psique cujos elementos importantes incluiriam não apenas a dimensão biográfica freudiana como o inconsciente coletivo e a espiritualidade junguiana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando se pensa na mente em termos tão ampliados, os conteúdos das experiências que ocorrem durante vários estados de consciência extraordinários não são vistas como produtos casuais e arbitrários de um funcionamento cerebral alterado. Eles são, em vez disso, manifestações dos recessos remotos da psique humana a que não costumamos ter acesso. E a vinda desse material inconsciente à superfície pode ser, na verdade, curativa e transformadora, desde que ocorra nas circunstâncias corretas. Inúmeras disciplinas espirituais e tradições místicas, do xamanismo ao zen, representam ricos repositórios de valioso conhecimento sobre esses domínios mais profundos da mente. Sabe-se há séculos que muitos episódios dramáticos e difíceis podem ocorrer durante a prática espiritual e que o caminho para a iluminação pode ser doloroso e tempestuoso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, a luz lançada pela psicologia profunda e dos antigos legados espirituais fornece a base para uma nova compreensão de alguns estados psicóticos para os quais não podem ser descobertas causas biológicas. Os desafios à psiquiatria moderna apresentados por essas duas escolas de conhecimento nos revelam as raízes da idéia de emergência espiritual, conceito que ora examinaremos com maiores detalhes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Retirado de: Emergência Espiritual; de Stanislav e Christina Grof"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-184236630052821011?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/184236630052821011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=184236630052821011' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/184236630052821011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/184236630052821011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/emergncia-espiritual-para-compreender.html' title='Emergência Espiritual: Para Compreender a Crise de Evolução'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ-SY8pbwTI/AAAAAAAAAFs/XAxgGOs2VYI/s72-c/brown_michael_fives.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-3761673532283541860</id><published>2008-08-10T15:36:00.005-02:00</published><updated>2009-03-18T10:38:41.741-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><title type='text'>Pesquisa da Consciência e Filosofia Eterna</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ8qvrtD8II/AAAAAAAAAEk/3jOrXnwwGsE/s1600-h/heal.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232948290701750402" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ8qvrtD8II/AAAAAAAAAEk/3jOrXnwwGsE/s320/heal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Através dos séculos, essas experiências (transpessoais) e os novos mundos que elas descortinam têm sido objeto de descrições no contexto das filosofias espirituais e tradições místicas, tais como o Vedanta, Hinayãna e Mahayãna Budistas, Taoismo, Sufismo, Gnoticismo, misticismo cristão, Cabala, e muitos outros sistemas espirituais sofisticados. As descobertas de minhas pesquisas e as pesquisas gerais relativas à consciência confirmam, em sua essência, como também amparam a posição de tais ensinamento antigos. Eles estão em completo conflito com os fundamentos mais fundamentais da ciência materialista no que concerne à consciência, natureza humana e a natureza da realidade. Eles claramente indicam que a consciência não é o produto do cérebro, e sim um princípio primário da existência, desempenhando um papel fundamental na criação do mundo fenomenal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquelas pesquisas mudaram radicalmente nossa concepção da psique humana. Elas mostram que, em última análise, a psique de cada um de nós é, guardadas as devidas proporções, essencialmente o reflexo da existência como um todo e, no final das contas, é dotada do mesmo princípio criativo do próprio universo. Tal conclusão, embora seriamente desafiadora da cosmovisão das modernas sociedades tecnológicas, está amplamente de acordo com a imagem da realidade encontrada nas grandes tradições espirituais e místicas do mundo, as quais foram chamadas pelo escritor e filósofo anglo-americano Aldous Huxley de “perennial-philosophy” – filosofia eterna (Huxley 1945).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa moderna da consciência tem gerado importantes dados que amparam os princípios básicos da filosofia eterna. Ela tem revelado a existência de um projeto intencional amplo subjacente a toda a criação e tem mostrado que tudo na existência está permeado por uma inteligência superior. À luz dessas novas descobertas, a espiritualidade é definida como um esforço legítimo e importante da vida humana, já que ela reflete a dimensão crucial da psique humana e do esquema universal das coisas. As tradições místicas e as filosofias espirituais do passado têm sido freqüentemente descartadas e mesmo ridicularizadas como sendo “irracionais” e “não-científicas.” Esse é um julgamento desinformado ao mesmo tempo que injustificado e sem nenhuma garantia. Muitos dos grandes sistemas espirituais são produtos de séculos de investigação profunda da psique humana e da consciência que, sob vários aspectos, é semelhante à pesquisa científica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses sistemas oferecem instruções detalhadas com respeito aos métodos de indução de experiências espirituais nas quais são baseadas suas especulações filosóficas. Eles têm coletado sistematicamente dados retirados dessas experiências, os quais são validados pelo consenso coletivo, usualmente através de períodos que duram séculos. Esses são os estágios necessários para a confirmação e confiabilidade de conhecimento em qualquer área do esforço científico (Smith 1976; Wilber 1997). É algo muito excitante o fato de que várias escolas da filosofia eterna possam agora ser amparadas pelos dados obtidos da moderna pesquisa da consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Retirado do livro: O Jogo Cósmico; de Stanislav Grof"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-3761673532283541860?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/3761673532283541860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=3761673532283541860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3761673532283541860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3761673532283541860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/pesquisa-da-conscincia-e-filosofia.html' title='Pesquisa da Consciência e Filosofia Eterna'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ8qvrtD8II/AAAAAAAAAEk/3jOrXnwwGsE/s72-c/heal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-6274215241000837593</id><published>2008-08-10T14:14:00.009-02:00</published><updated>2009-03-18T10:39:01.603-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevistas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enteogenia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><title type='text'>Profeta do psicodélico - IstoÉ entrevista Grof</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232927282352894274" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ8Xo1gYMUI/AAAAAAAAAEM/GYsTKU_CIIc/s200/grof_stanislav2_med.jpg" border="0" /&gt;&lt;em&gt;Stanislav Grof foi um dos primeiros a conhecer o LSD e agora é o maior guru da psicologia transpessoal&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;MIRNA GRZICH &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com Timothy Leary, recentemente falecido, e Ralph Metzner, da Universidade de Harvard, o psiquiatra húngaro, hoje radicado nos Estados Unidos, Stanislav Grof compõe o triângulo principal da chamada cultura psicodélica dos anos 60 e 70. Fascinado pelos estados de alteração de consciência, ele criou as bases do que se convencionou chamar de psicologia transpessoal. Uma ciência baseada em paradigmas científicos que reconhecem a alma e a relação entre consciência e matéria. Grof acredita que não se pode mais tratar as pessoas como corpos ou mentes. No final de maio, ele esteve em Manaus onde presidiu a 15ª Conferência Internacional de Psicologia Transpessoal e se confessou entusiasmado com o panreligiosismo, a pajelança e os rituais indígenas brasileiros. Nesta entrevista para ISTOÉ conta um pouco de sua história e lembra o primeiro contato com o LSD, então uma droga que se imaginava capaz de provar que a psicose e a esquizofrenia não eram doenças mentais, mas apenas o resultado de alterações químicas.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ -&lt;/strong&gt; Quais as diferenças entre a psiquiatria convencional e a transpessoal?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Grof -&lt;/strong&gt; Pessoas que têm um contato direto com a espiritualidade recebem diagnósticos de esquizofrênicos ou psicóticos. A psiquiatria transformou a espiritualidade em algo psicopatológico. Eu não conheço nenhuma religião que não tenha começado com uma experiência visionária dos fundadores, algo que chamaríamos hoje de uma experiência transpessoal. Segundo a psiquiatria, Santa Tereza foi uma histérica, São João da Cruz um esquizofrênico, Maomé um epilético. Eu não estou dizendo que não existem doentes com modificação de consciência que advém de problemas orgânicos. Estou sim falando de experiências onde uma visão de mundo mais ampla chega à consciência. Não como uma distorção de mundo, mas como uma oportunidade de compreender mais sobre o universo e complementar nossa visão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ -&lt;/strong&gt; Por que decidiu se dedicar a este ramo da psicologia?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Grof -&lt;/strong&gt; Quando era criança, em Budapeste, Walt Disney era o meu herói, e queria trabalhar com histórias em quadrinhos para o cinema. Mas fiquei tão excitado com as leituras sobre psicanálise que decidi estudar medicina. À medida que fui me aprofundando, me interessei pela análise de sonhos, sintomas neuróticos, lapsos de memória e psicoses. Quando percebi que se pode fazer muito pouco de prático com a psicanálise tradicional fiquei desapontado. É muito tempo, dinheiro e energia, e os resultados não são convincentes. Cheguei a me arrepender de não ter seguido a carreira cinematográfica.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ -&lt;/strong&gt; E quando se iniciou com drogas psicodélicas? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Grof -&lt;/strong&gt; Estava trabalhando com os primeiros tipos de tranquilizantes, como o melaril, desenvolvido pela Sandoz, quando eles nos mandaram uma caixa cheia de LSD, para ver se havia alguma utilidade na área psiquiátrica. A idéia principal era provar que a psicose e a esquizofrenia não eram doenças mentais, mas uma alteração química. Outra idéia era utilizar o LSD como treinamento não-convencional para psiquiatras, estudantes e enfermeiras para entenderem melhor os pacientes que tratavam. Era 1955, e eu me ofereci para a experiência. Foi uma transformação formidável para mim. Comecei a trabalhar sistematicamente na área de psicodélicos, e tive uma experiência mística poderosa, que me abriu espiritualmente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ -&lt;/strong&gt; Que experiência mística foi essa? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Grof -&lt;/strong&gt; Eu tinha curiosidade de ver o que acontecia sob o efeito do LSD. Quando fui exposto a uma luz estroboscópica saí do corpo, do laboratório, do país, do planeta, e minha consciência se tornou o universo. Uma experiência inesquecível. Passei 20 anos pesquisando essa área. Depois mais 20 estudando a respiração holotrópica, onde se conseguem os mesmos efeitos somente com a respiração, sem o uso de drogas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ -&lt;/strong&gt; Além do LSD e da respiração holotrópica existem alguns métodos seguros para se alterar a consciência?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Grof -&lt;/strong&gt; O trabalho ritual com dança e canto, ou usando tambores. Métodos bastante extremos, como o jejum, não dormir, retirar-se para um deserto, uma caverna ou uma montanha. Em muitas culturas há o uso de plantas psicodélicas: a maconha usada pelos sufis, por algumas tribos africanas e pelos rastafarianos; na América Central, o peyote, os cogumelos sagrados do México, a ayahuasca e a datura. Há também variadas técnicas de meditação, de dança, ioga, budismo, do sufismo, da cabala, e o misticismo cristão. Tudo isso leva ao contato direto com a espiritualidade, o que Jung chamaria de arquétipos do inconsciente coletivo. Outra dimensão importante dos estados alterados é provocar a cura de pacientes através desses estados, desenvolver a intuição, a inspiração artística e criativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Fonte: Revista ISTOÉ, Junho de 2006."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.terra.com.br/istoe/comport/139307.htm"&gt;http://www.terra.com.br/istoe/comport/139307.htm&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-6274215241000837593?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/6274215241000837593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=6274215241000837593' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/6274215241000837593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/6274215241000837593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/profeta-do-psicodlico-isto-entrevista.html' title='Profeta do psicodélico - IstoÉ entrevista Grof'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ8Xo1gYMUI/AAAAAAAAAEM/GYsTKU_CIIc/s72-c/grof_stanislav2_med.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-8616929931967628972</id><published>2008-08-08T16:40:00.010-02:00</published><updated>2008-09-06T13:15:00.358-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Budismo'/><title type='text'>Além do Materialismo Espiritual</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJyTuvgfOMI/AAAAAAAAADY/-wLedtB_pzA/s1600-h/bud.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232219298333669570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJyTuvgfOMI/AAAAAAAAADY/-wLedtB_pzA/s320/bud.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; De acordo com a tradição budista, o caminho espiritual é o processo de atravessar e superar a nossa confusão, de descobrir o estado desperto da mente. Quando este estado se encontra entulhado pelo ego e pela paranóia que o acompanha, assume o caráter de um instinto subliminar. Dessa forma, não se trata de construir o estado desperto da mente, mas sim de queimar as confusões que o obstruem. No processo de consumir as confusões, descobrimos a iluminação. Se o processo fosse outro, o estado desperto da mente seria um produto dependente de causa e efeito e, assim, passível de.dissolução. Tudo o que é criado, mais cedo ou mais tarde, tem de morrer. Se a iluminação fosse criada dessa maneira, haveria sempre a possibilidade de o ego reafirmar-se, provocando um retomo ao estado de confusão. A iluminação é permanente porque não a produzimos; apenas a descobrimos. Na tradição budista, a analogia do Sol que surge por trás das nuvens é freqüentemente empregada para explicar o descobrimento da iluminação. Na prática da meditação, removemos a confusão do ego a fim de vislumbrar o estado desperto. A ausência da ignorância, da sensação de opressão, da paranóia, descerra uma visão fantástica da vida. Descobrimos um modo diferente de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cerne da confusão é o fato de o homem ter um senso de ego que lhe parece contínuo e sólido. Quando ocorre um pensamento, uma emoção, ou um evento, há o sentido de que alguém tem consciência do que está acontecendo. Você sente que você está lendo estas palavras. Esse senso do eu, na realidade, é um evento transitório, descontínuo, que em nossa confusão parece perfeitamente estável e contínuo. Como tomamos por real a nossa visão confusa, lutamos para manter e incrementar esse eu sólido. Tentamos alimentá-lo com prazeres e escudá-lo contra a dor. A experiência ameaça continuamente revelar-nos nossa transitoriedade, de modo que lutamos continuamente para encobrir qualquer possibilidade de descoberta da nossa verdadeira condição. "Mas", poderíamos perguntar, "se a nossa verdadeira condição é um estado desperto, por que nos ocupamos tanto em evitar que tomemos consciência disso?" Porque estamos tão imersos em nossa confusa visão do mundo que consideramos real o único mundo possível. Essa luta por manter o senso de um eu sólido e contínuo é obra do ego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ego, contudo, consegue apenas sucesso parcial em sua tentativa de defender-nos do sofrimento. É a insatisfação que vem junto com a luta do ego que nos inspira a examinar o que estamos fazendo. E, uma vez que sempre existem hiatos na consciência que temos de nós mesmos, torna-se possível algum discernimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma interessante metáfora empregada no Budismo tibetano para descrever o funcionamento do ego é a dos “Três Senhores do Materialismo”: o "Senhor da Forma", o "Senhor da Fala", e o "Senhor da Mente". Na discussão que se segue sobre os Três Senhores, as palavras "materialismo" e "neurótico" dizem respeito à ação do ego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor da Forma refere-se à perseguição neurótica do conforto físico, da segurança e do prazer. Nossa sociedade altamente organizada e tecnológica reflete nossa preocupação em manipular o ambiente físico de modo a nos salvaguardar das irritações provenientes dos aspectos crus, rudes e imprevisíveis da vida. Elevadores acionados por botões de comando, carne empacotada, ar condicionado, privadas com descarga de água, velórios particulares, planos de aposentadoria, produção em massa, satélites meteorológicos, máquinas de terraplenagem, luzes fluorescentes, empregos das nove às cinco, televisão — tudo são tentativas de criar um mundo controlável, seguro, previsível e prazeroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor da Forma não significa as situações de vida em si que criamos para serem fisicamente ricas e seguras. Refere-se, antes, à preocupação neurótica que nos impele a criá-las, a tentar controlar a Natureza. O ego ambiciona assegurar-se e entreter-se, buscando evitar toda e qualquer irritação. Desse modo, agarramo-nos aos nossos prazeres e propriedades, tememos mudanças ou forçamos mudanças, tentamos criar um ninho ou um playground.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor da Fala tem a ver com o emprego do intelecto no relacionamento com o mundo. Adotamos grupos de categorias que servem como alavancas, como meios para manipular fenômenos. Os produtos mais plenamente desenvolvidos dessa tendência sâo as ideologias, os sistemas de idéias que racionalizam, justificam e santificam nossas vidas. Nacionalismo, comunismo, existencialismo, Cristianismo, Budismo — todos nos proporcionam identidades, regras de ação e interpretações de como e por que as coisas acontecem como acontecem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui, novamente, o emprego do intelecto não é em si mesmo o Senhor da Fala. O Senhor da Fala indica a inclinação do ego a interpretar o que quer que seja ameaçador ou irritante de modo a neutralizar a ameaça ou transformá-la em algo "positivo" do ponto de vista do ego. O Senhor da Fala refere-se ao uso de conceitos como filtros que nos resguardam de uma percepção direta do que é. Os conceitos são levados demasiado a sério; são utilizados como instrumentos para solidificar o nosso mundo e a nós mesmos. Se existe um mundo com coisas a que se possa dar nomes, então o "eu", como uma das coisas nomeáveis, também existe. Nosso desejo é não deixar espaço algum para dúvidas ameaçadoras, para a incerteza ou a confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor da Mente refere-se ao esforço da consciência em conservar a percepção de si mesma. O Senhor da Mente impera quando usamos disciplinas espirituais e psicológicas como meios de conservar a consciência que temos de nós mesmos, de nos agarrar ao senso de eu. Drogas, ioga, orações, meditação, transes, várias psicoterapias — tudo pode ser usado com essa finalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ego é capaz de converter tudo para seu uso próprio, inclusive a espiritualidade. Se aprendemos, por exemplo, uma técnica de meditação dentro de uma prática espiritual particularmente benéfica, o ego se põe, primeiro, a tratá-la como um objeto de fascinação e, depois, a examiná-la. Por fim, visto que o ego é sólido apenas na aparência e não pode, de fato, absorver coisa alguma; só é capaz de arremedar. Em tais circunstâncias, ele procura examinar e imitar a prática da meditação e o modo de vida meditativo. Depois de aprendermos todos os truques e todas as respostas do jogo espiritual, tentamos imitar automaticamente a espiritualidade, já que o envolvimento verdadeiro exigiria uma completa eliminação do ego, e a última coisa que desejamos fazer é renunciar completamente a ele. Entretanto, não podemos experimentar aquilo que estamos tentando imitar; podemos apenas encontrar alguma área dentro dos limites do ego que pareça ser a mesma coisa. O ego traduz tudo em termos do seu próprio estado de saúde, de suas qualidades intrínsecas. Experimenta um sentido de grande realização e excitação quando consegue criar um modelo desse tipo. Finalmente criou um feito tangível, uma confirmação de sua própria individualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se formos bem-sucedidos em manter a consciência que temos de nós mesmos através de técnicas espirituais, o desenvolvimento espiritual autêntico será altamente improvável. Nossos hábitos mentais se tomam tão fortes que fica difícil penetrá-los. Podemos até chegar ao desenvolvimento totalmente demoníaco da completa "Egoidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o Senhor da Mente detenha o maior poder para subverter a espiritualidade, os outros dois Senhores podem também reger a prática espiritual. O retiro no seio da Natureza, o isolamento, a gente simples, sossegada, digna — tudo pode ser meio para nos proteger da irritação, tudo pode ser expressão do Senhor da Forma. Ou talvez a religião nos forneça uma racionalização para criarmos um ninho seguro, um lar singelo mas confortável, para conseguirmos um companheiro afável e um emprego estável e fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor da Fala também se envolve com a prática espiritual. Ao seguir um caminho espiritual, podemos substituir nossas crenças anteriores por uma nova ideologia religiosa, continuando, porém, a usá-la da antiga maneira neurótica. Por mais sublimes que sejam nossas idéias, se as tomamos com excessiva seriedade e as utilizamos para manter nosso ego, ainda assim estaremos sendo governados pelo Senhor da Fala. Se examinarmos nossos atos, quase todos concordaremos, provavelmente, em que somos governados por um ou mais dos Três Senhores. "Mas", poderíamos perguntar, "e daí? Isto é simplesmente uma descrição da condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, sabemos que a tecnologia não consegue pôr-nos a salvo de guerras, crimes, doenças, insegurança econômica, trabalho laborioso, velhice e morte; tampouco nossas ideologias nos resguardam da dúvida, incerteza, confusão e desorientação; nem podem as nossas terapias proteger-nos da dissolução dos altos estados de consciência que viermos temporariamente a alcançar ou da desilusão e angústia daí decorrentes. Mas que outra coisa podemos fazer? Os Três Senhores parecem poderosos demais para serem derrubados e não sabemos com que poderíamos substituí-los." Perturbado por essas indagações, o Buda examinou o processo pelo qual os Três Senhores governam. Investigou por que nossas mentes os seguem e se não havia um outro caminho. Descobriu que os Três Senhores nos seduzem criando um mito fundamental: o de que somos seres concretos. Todavia, o mito, em última análise, é falso, uma imensa burla, uma fraude gigantesca, a raiz do nosso sofrimento. Para fazer essa descoberta, ele precisou romper as defesas muito complexas erguidas pelos Três Senhores, com o fim de impedir que seus súditos descobrissem o engano fundamental que é a origem do poder deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderemos, de maneira alguma, livrar-nos do domínio dos Três Senhores a menos que nós, também, cortemos e atravessemos, camada por camada, as suas complexas defesas. As defesas dos Senhores são criadas com material das nossas mentes, que eles utilizam para preservar o mito básico da solidez. A fim de enxergar por nós mesmos como este processo funciona, precisamos examinar nossa própria experiência. "Mas como," podemos perguntar, "haveremos de conduzir este exame ? Que método ou instrumento vamos usar?" O método descoberto pelo Buda foi a meditação. Ele verificou que lutar para encontrar respostas não surtia efeito. Só quando havia brechas na sua luta é que lhe acudiam discernimentos. Começou a dar-se conta de que existia dentro de si uma qualidade sadia e desperta que só se manifestava na ausência de luta. Por isso, a prática da meditação implica "deixar ser".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem havido uma série de idéias errôneas acerca da meditação. Algumas pessoas a consideram um estado mental semelhante a um transe. Outras pensam nela em termos de treinamento, no sentido de ginástica mental. A meditação, contudo, não é nenhuma dessas coisas, embora lide com estados mentais neuróticos. Não é difícil nem impossível lidar com tais estados. Eles têm energia, pressa e um certo padrão. A prática da meditação implica deixar ser — uma tentativa de acompanhar o padrão, uma tentativa de acompanhar a energia e a velocidade. Dessa forma, aprendemos como lidar com esses fatores, como relacionar-nos com eles, não no sentido de fazê-los amadurecer como gostaríamos, mas no sentido de conhecê-los como são e de trabalhar com o seu padrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma história sobre o Buda em que se conta como ele, de uma feita, transmitiu ensinamento a um famoso tocador de citara que desejava estudar meditação. Perguntou o músico: "Devo controlar minha mente ou devo deixá-la completamente solta?" O Buda respondeu: "Visto que você é um grande músico, diga-me como afinaria as cordas do seu instrumento." Disse o músico: "Eu não as deixaria ficar nem demasiado retesadas nem demasiado frouxas." "Da mesma forma," acudiu o Buda, "na sua prática da meditação você não deve impor nada com demasiada força à sua mente, nem deve permitir que fique ao leu." Eis aí o ensinamento de como deixar a mente ser de um modo bastante aberto, de como sentir o fluxo da energia sem tentar sujeitá-lo e sem deixar que ele se descontrole, de como acompanhar o padrão da energia da mente. Essa é a prática da meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal prática se faz necessária, via de regra, porque o padrão do nosso pensamento, o nosso modo conceitualizado de conduzir a vida, ou é demasiado manipulativo, impondo-se ao mundo, ou completamente desgovernado e sem controle. Por conseguinte, nossa prática da meditação precisa começar com a camada mais superficial do ego, com os pensamentos discursivos que estão sempre a atravessar-nos a mente, com a nossa tagarelice mental. Os Senhores empregam o pensamento discursivo como a sua primeira linha de defesa, como peões, em seu esforço para iludir-nos. Quanto mais geramos pensamentos, tanto mais ocupados nos tornamos mentalmente e tanto mais nos convencemos da nossa existência. Desse modo, os Senhores estão constantemente tentando ativar esses pensamentos, tentando criar uma constante sobreposição de pensamentos, para que nada mais se possa ver além deles. Na verdadeira meditação não existe a ambição de suscitar pensamentos, e tampouco existe a ambição de suprimi-los. Permite-se apenas que ocorram espontaneamente e se tomem a expressão de uma sanidade básica. Eles se tomam a expressão da precisão e da clareza do estado desperto da mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for vazada a sua estratégia de estar sempre criando pensamentos sobrepostos, os Senhores, então, agitam emoções para distrair-nos. A qualidade excitante, colorida e dramática das emoções nos prende a atenção como se estivéssemos assistindo a um filme absorvente. Na prática da meditação não encorajamos as emoções nem as reprimimos. Vendo-as com clareza, deixando que sejam como são, não mais permitimos que sirvam de meios para nos entreter e distrair. Dessa maneira, elas se tomam a energia inexaurível que executa a ação sem ego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ausência de pensamentos e emoções, os Senhores introduzem uma arma ainda mais poderosa, os conceitos. A rotulação dos fenômenos cria a sensação de um mundo sólido e definido de "coisas". Um mundo estável reassegura que somos, igualmente, uma coisa sólida e contínua. O mundo existe e, portanto, eu, que o percebo, também existo. A meditação implica ver a transparência dos conceitos, de sorte que a rotulação já não serve como meio de solidificar o nosso mundo e a nossa imagem do eu. A rotulação passa a ser, simples mente, ato de discriminação. Os Senhores ainda têm outros mecanismos de defesa, mas seria por demais complicado discuti-los no presente contexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mediante o exame dos seus próprios pensamentos, emoções, conceitos e demais atividades mentais, o Buda descobriu que não precisamos lutar para provar nessa existência, não precisamos ficar sujeitos ao jugo dos Três Senhores do Materialismo. Não há necessidade de lutar para sermos livres; a ausência de luta, em si mesma, é liberdade. Este estado desprovido de ego é a realização da Natureza Búdica. O processo de transformar o material da mente para que deixe de ser expressão da ambição do ego e passe a ser, por meio da prática da meditação, expressão da sanidade básica e da iluminação — eis o que poderíamos chamar de verdadeiro caminho espiritual&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Retirado do livro: Além do Materialismo Espiritual; de Chögyam Trungpa"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-8616929931967628972?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/8616929931967628972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=8616929931967628972' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/8616929931967628972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/8616929931967628972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/alm-do-materialismo-espiritual.html' title='Além do Materialismo Espiritual'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJyTuvgfOMI/AAAAAAAAADY/-wLedtB_pzA/s72-c/bud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-1094366153735223374</id><published>2008-08-08T15:35:00.009-02:00</published><updated>2008-08-12T15:05:42.741-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Insights'/><title type='text'>Mente, dualidade, paradoxo, loucura, humildade...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKHCx6nvD-I/AAAAAAAAAGc/wGcosHslBq0/s1600-h/brown_michael_thethreejewels.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233678404786524130" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKHCx6nvD-I/AAAAAAAAAGc/wGcosHslBq0/s400/brown_michael_thethreejewels.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá no limite da mente se percebe que ela está presa em uma dualidade que não pode ser ultrapassada, porque essa dualidade é sua própria natureza - seu alcance e seu limite. Quando a dualidade tenta investigar questões fundamentais relacionadas à natureza da existência, fica presa em paradoxos. Os paradoxos quando examinados pela razão, levam até a loucura. E a loucura dá a humildade de reconhecer que a mente é muito limitada pra investigar a natureza fundamental da existência. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lupa...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-1094366153735223374?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/1094366153735223374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=1094366153735223374' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1094366153735223374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/1094366153735223374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/mente-dualidade-paradoxo-loucura.html' title='Mente, dualidade, paradoxo, loucura, humildade...'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKHCx6nvD-I/AAAAAAAAAGc/wGcosHslBq0/s72-c/brown_michael_thethreejewels.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-3103780843348984666</id><published>2008-08-08T12:49:00.012-02:00</published><updated>2009-03-18T10:39:25.042-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enteogenia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><title type='text'>Como vivenciar a "loucura"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKHDUemGcrI/AAAAAAAAAGk/YKaicF9gFik/s1600-h/hopp_jeff_floatation.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233678998558896818" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKHDUemGcrI/AAAAAAAAAGk/YKaicF9gFik/s320/hopp_jeff_floatation.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Durante uma emergência espiritual, a mente lógica é, muitas vezes, desviada e os ricos mundos pitorescos da intuição, da inspiração e da imaginação assumem seu lugar. A razão se torna restrita e a verdadeira revelação fica acima do intelecto. Para algumas pessoas, essa incursão nas áreas visionárias pode ser excitante, espontânea e criativa. Mas várias vezes, como isso não envolve os estados da mente considerados normais, muitas pessoas pensam que estão ficando loucas.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando acontece a dissolução da racionalidade como parte do desenvolvimento espiritual, ocorre o desaparecimento de antigas restrições mentais ou mesquinharias, que são às vezes obrigatórias, antes que uma consciência abrangente e uma inspiração intensificada possam tomar seu lugar. O que, na verdade, está desaparecendo não é a capacidade de raciocinar, embora possa parecer que isso aconteça durante um certo tempo, mas as limitações cognitivas que mantêm a pessoa pressionada e imutável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto isso estiver ocorrendo, o pensamento linear será às vezes impossível, e a pessoa sentir-se-á mentalmente agitada quando a consciência for bombardeada com o material liberado pelo inconsciente. Emoções estranhas e perturbadoras tornar-se-ão subitamente acessíveis e a racionalidade outrora familiar será inútil para explicar essas ocorrências. Isso poderá ser um momento crítico muito assustador no desenvolvimento espiritual. Porém, se uma pessoa estiver verdadeiramente comprometida com o processo de emersão, isso será passageiro e poderá ser uma fase de transformação muito importante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Em The Chasm of Fire, Irina Tweedy conta suas sensações de loucura:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Meio inconsciente, de repente percebi no quarto escuro, à minha volta, algum tipo de névoa girando, sombria, cinzenta... e logo pude distinguir mais coisas ou seres horríveis, maldosos, obscenos, todos unidos em relações sexuais, criaturas elementares, parecidas com animais, em orgias sexuais selvagens. Eu tinha a certeza de que estava ficando louca. Um arrepio de frio me deteve; alucinações, loucura; nenhuma esperança para mim — insanidade — era o fim... As criaturas estavam mais próximas, então, todas ao redor da minha cama... Todos aqueles demônios deviam estar em mim! Deus misericordioso, me ajude! Não há escapatória para mim, exceto um asilo indiano para dementes, ou uma cela para loucos!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Às vezes, padrões desconhecidos de coincidências significativas incomuns podem parecer governar as atividades do mundo, substituindo a ordem mais previsível, aparentemente controlável e conhecida. Outras vezes, as pessoas podem passar por um caos interior total; sua maneira lógica de estruturar a realidade se desvanece e é abandonada com uma confusa e desorganizada falta de continuidade. Totalmente à mercê de um mundo interior dinâmico, cheio de um intenso drama e emoções absorventes, elas não podem operar de modo objetivo e racional. Talvez sintam como se essa fosse a destruição final de qualquer resto de sanidade, e ficam com medo de serem levadas à loucura total e irreversível.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa experiência de insanidade é lembrada por uma mulher depois de sua emergência espiritual: "Senti como se minha mente estivesse sendo destruída em milhões de pedaços. Eu não podia me agarrar aos pensamentos como os conhecia; havia apenas fragmentos. Meu marido tentou falar comigo, mas não pude captar-lhe as palavras. Nada fazia sentido. Tudo estava completamente embaralhado e confuso. Eu tinha visões de mim mesma como uma paciente crônica na enfermaria de algum hospital estadual pelo resto da minha vida. Eu estava certa de que esse era o modo como ficaria para sempre."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Certas tradições espirituais oferecem uma visão alternativa desse tipo de "loucura". A "loucura santa" ou "loucura divina" é conhecida e apreciada por várias tradições espirituais, e é diferente da insanidade comum; é vista como uma forma de intoxicação pelo Divino que proporciona habilidades extraordinárias e instrução espiritual. Em tradições tais como o sufismo e a cultura americana nativa, figuras sagradas reconhecidas como tolas ou idiotas são conhecidas por englobar esse estado. Videntes, místicos e profetas venerados são freqüentemente descritos como inspirados pela loucura.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A loucura divina é descrita pelo filósofo grego Platão como um presente dos deuses:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;As maiores bênçãos vêm pelo caminho da loucura, a loucura que certamente é enviada do céu. É quando estavam loucas que a profetisa de Delfos e a sacerdotisa de Dodona fizeram tanto para que os Estados e as pessoas da Grécia lhes fossem agradecidas; quando sãs, fizeram pouco ou nada... A loucura é um presente sagrado, quando devida à providência divina.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na cultura Okinawan, esse estado é chamado de kamidari; é um período em que o espírito da pessoa passa por um tempo de provação, durante o qual ela não pode agir racionalmente. A comunidade apóia a pessoa, reconhecendo sua condição de loucura como um sinal de que está próxima a Deus. Além disso, essa pessoa é respeitada como alguém que tenha uma missão divina.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Retirado de: A tempestuosa busca do Ser; de Stanislav e Christina Grof"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-3103780843348984666?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/3103780843348984666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=3103780843348984666' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3103780843348984666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3103780843348984666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/como-vivenciar-loucura.html' title='Como vivenciar a &quot;loucura&quot;'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SKHDUemGcrI/AAAAAAAAAGk/YKaicF9gFik/s72-c/hopp_jeff_floatation.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-141745599869430719</id><published>2008-08-08T12:28:00.020-02:00</published><updated>2009-03-18T10:39:42.372-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enteogenia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><title type='text'>A natureza da experiência mística ou transcendental</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJy-r5T1EgI/AAAAAAAAADw/kNkhDIZSINs/s1600-h/life.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232266528425316866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJy-r5T1EgI/AAAAAAAAADw/kNkhDIZSINs/s320/life.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As emoções ou sensações associadas às áreas divinas internas são comumente o oposto daquelas que uma pessoa pode encontrar nas regiões escuras. Em vez de dor ou alienação, pode-se descobrir uma sensação abrangente de unidade e interconexão com toda a criação. Em vez de medo, a pessoa pode ser possuída por êxtase, paz e por uma profunda sensação de apoio pelo processo cósmico. Em vez de vivenciar a "loucura" e a confusão, encontra um sentimento de lucidez mental e de serenidade. E, em vez de uma preocupação permanente com a morte, pode entrar em contato com um estado em que se sinta eterna, compreendendo que alguém é, de repente, o corpo e tudo o mais que existe. Devido, em parte, à sua natureza inefável e ilimitada, os domínios divinos são mais difíceis de descrever do que as regiões escuras, embora poetas e místicos de todas as épocas tenham criado metáforas para torná-los próximos. Durante alguns estados espirituais, pode-se entender o meio ambiente comum como uma criação gloriosa da energia divina, cheia de mistério; tudo dentro disso parece fazer parte de uma bela trama interligada. O poeta William Blake capta esse conhecimento do "sagrado" iminente: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para ver um Mundo num Grão de Areia&lt;br /&gt;E um Céu numa Flor Selvagem,&lt;br /&gt;Segure o Infinito na palma da mão&lt;br /&gt;E a Eternidade numa hora.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outras experiências envolvem a revelação de dimensões, das quais não se está consciente na vida diária: elas transcendem o tempo e o espaço e são habitadas por seres celestiais e mitológicos. Essas experiências são freqüentemente acompanhadas por sensações intensas de uma força espiritual que inunda o corpo. As pessoas percebem os domínios místicos sendo permeados por uma essência sagrada ou numinosa e por uma beleza inexplicável, e têm, em geral, visões de jóias preciosas feitas de ouro, brilhantes, com extraordinária radiação, luminescência e luz resplandecente. Em Leaves of Grass, o poeta místico Walt Whitman escreve:&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Como num desmaio, um instante,&lt;br /&gt;Um outro sol inefável me deslumbra completamente,&lt;br /&gt;E todos os astros que conheci, e astros mais brilhantes, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;[desconhecidos; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Um instante da Terra do futuro, da Terra do Céu,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim como os seres se enchem com a luz divina resplandecente, os domínios transcendentais são incansavelmente descritos como existindo além das sensações comuns. O poeta americano Henry David Thoreau escreve:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ouço além do alcance do som,&lt;br /&gt;Vejo além do alcance da visão,&lt;br /&gt;Novas terras, céus e mares ao redor, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E, no meu dia, o sol faz empalidecer sua luz.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguém pode vivenciar o Divino como eterno, imutável e infinito, como é caracterizado pelo filósofo chinês Lao Tsé no Tao te King:&lt;/div&gt;.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Há algo inerente e natural,&lt;br /&gt;Que existia antes do céu e da Terra.&lt;br /&gt;Inerte e insondável.&lt;br /&gt;Esse algo permanece sozinho e nunca muda;&lt;br /&gt;Espalha-se por todo lugar e nunca fica exausto.&lt;br /&gt;Pode ser visto como a Mãe do Universo.&lt;br /&gt;Não sei o seu nome.&lt;br /&gt;Se for obrigado a dar-lhe um nome,&lt;br /&gt;Chamo-o de Tao, e o nomeio como supremo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitas pessoas que vivenciaram essas dimensões interiores, reconhecem-nas como partes da essência ilimitada e efusiva de cada ser humano, que é comumente obscurecida pelos problemas e preocupações da vida diária. Por causa da sua lucidez e vivacidade, os estados transcendentais em geral dão a sensação de que são mais reais do que a realidade "comum"; as pessoas sempre comparam a descoberta desses campos ao despertar de um sonho, ao remover véus obscuros ou à abertura das portas da percepção. Algumas vezes fazem novas descobertas e adquirem conhecimentos complexos sobre o processo de vida de fontes dentro de si e que geralmente não lhes são acessíveis.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim como alguém pode penetrar no domínio desolador da morte do ego durante a noite escura da alma, também pode encontrar um tipo de morte positiva do ego nos domínios transcendentais. Ali, as fronteiras pessoais se dissolvem temporariamente e a pessoa pode se sentir incorporada ao mundo externo ou ao cosmos. Um dos tipos mais comuns de desagregação é aquele em que as pessoas se sentem como se estivessem se perdendo no divino imanente, que é encontrado no meio ambiente. É comum sentirem que suas identidades individuais podem se debilitar quando se fundem ao mundo conhecido dos humanos, das árvores, dos animais ou da natureza inorgânica. Durante uma outra forma dessa experiência, freqüentemente se sentem incorporadas aos domínios divinos que transcendem a realidade diária.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alfred Lord Tennyson escreve sobre esse estado:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mais de uma vez quando&lt;br /&gt;Me sentei sozinho, refletindo sobre mim mesmo&lt;br /&gt;A palavra que é o símbolo de mim mesmo,&lt;br /&gt;O limite mortal do Eu foi liberado,&lt;br /&gt;E transferido ao anonimato, como uma nuvem&lt;br /&gt;Que se dissolve no céu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta experiência, em geral, toma a forma de uma perda benigna do ego, uma dissolução das suas estruturas, que é necessária para se alcançar uma ampla definição do eu. O santo e filósofo indiano Sri Ramana Maharishi comparou esse processo àquele da boneca de açúcar que vai em busca de um banho de mar e se dissolve no oceano da consciência. Uma forma mais impressionante de morte positiva do ego é um confronto repentino com a luz, comparado pelos místicos à mariposa que voa para a chama sagrada e é consumida instantaneamente.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os encontros com as regiões divinas durante o processo de emergência espiritual são extremamente terapêuticos. Atingindo-as, a pessoa sente, em geral, emoções positivas, tais como êxtase, alegria, gratidão, amor e satisfação, que podem aliviar ou dissipar rapidamente os estados negativos, tais como a depressão e a raiva. Sentir-se parte de uma rede cósmica abrangente em geral garante à pessoa que tem problemas com o amor-próprio o desenvolvimento de uma nova auto-imagem.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As pessoas envolvidas no processo e que passam logo por essas experiências se sentem afortunadas; desenvolvem uma compreensão filosófica que as acompanhará através das futuras mudanças. Sentem mesmo que, embora as coisas possam se tornar duras, ao menos têm uma idéia de para onde estão indo. É como dar uma olhada no topo da montanha, e então, mesmo que precisem voltar à base para escalá-la, têm a perspectiva de que há uma recompensa à sua espera no final da jornada. Isso é bem preferível à situação em que a pessoa gasta meses cavando um túnel através de sensações e emoções difíceis, sem nenhuma idéia de qual seja o propósito.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essas experiências positivas não ocorrem necessariamente como um estágio lógico na progressão linear, como um prêmio ao final de uma busca difícil. Muitas pessoas acham que têm que se livrar de problemas pessoais ou de bloqueios emocionais antes que essas áreas possam se revelar; quando se tornam acessíveis, sentem-se como se suas aparências fossem devidas ao trabalho árduo anterior. Porém, outras pessoas entram em contato, espontaneamente, com posições transcendentais dentro delas mesmas, muito embora não tenham feito nenhum trabalho sobre decisões difíceis. Em muitas emergências espirituais, as pessoas são orientadas periodicamente para resumir suas apreciações sobre esses domínios, e descobrem que se tornam mais acessíveis com o passar do tempo.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Retirado de: A tempestuosa busca do Ser; de Stanislav e Christina Grof" &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-141745599869430719?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/141745599869430719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=141745599869430719' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/141745599869430719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/141745599869430719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/natureza-da-experincia-mstica-ou.html' title='A natureza da experiência mística ou transcendental'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJy-r5T1EgI/AAAAAAAAADw/kNkhDIZSINs/s72-c/life.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-896988412677591258</id><published>2008-08-08T11:12:00.015-02:00</published><updated>2009-03-18T10:39:55.232-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tipos de Experiências'/><title type='text'>Experiências próximas à morte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ-rMKKisII/AAAAAAAAAGM/CLarbgl4t1U/s1600-h/ATcAAAAswK5KEeboPIjaN_qZ1Yhl3Dv-X9dYNpjqLSHqzZ0Ka2bOqE1YlHUHM_GViZJd6rXGI0RAlYENpJwr78BoQi1RAJtU9VC-N7fklwfuQ5J1hbPHMQwIUdo38Q.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233089517403156610" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ-rMKKisII/AAAAAAAAAGM/CLarbgl4t1U/s320/ATcAAAAswK5KEeboPIjaN_qZ1Yhl3Dv-X9dYNpjqLSHqzZ0Ka2bOqE1YlHUHM_GViZJd6rXGI0RAlYENpJwr78BoQi1RAJtU9VC-N7fklwfuQ5J1hbPHMQwIUdo38Q.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;"Então vi toda a minha vida passada aparecendo em muitas imagens, como num palco a uma certa distância de mim. Vi a mim mesmo como a personagem principal da apresentação. Tudo estava transfigurado como que por uma luz divina e tudo era belo, sem desgraça, sem ansiedade e sem dor. A lembrança de experiências muito trágicas que tive foram claras, mas não me entristeceram. Não senti nenhum conflito; o conflito tinha sido transformado em amor. Pensamentos sublimes e harmoniosos dominavam e uniam as imagens individuais, e como uma música magnífica uma calma divina arrebatou minha alma. Fiquei cada vez mais envolvido por um esplêndido céu azul com delicadas nuvenzinhas rosadas e violetas, precipitei-me para dentro disso tudo sem dor e suavemente e vi então que estava caindo livremente e abaixo de mim havia um campo de neve me esperando... Então, ouvi um baque surdo e minha queda chegara ao fim." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Albert Heim descrevendo sua queda quase fatal nos Alpes suíços &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A morte é uma das poucas experiências universais da existência humana. É o acontecimento mais previsível em nossa vida e ainda o mais misterioso. Desde tempos imemoráveis, o fato de nossa mortalidade tem sido uma inesgotável fonte de inspiração para artistas e místicos. A idéia da sobrevivência da consciência após a morte e das jornadas póstumas da alma aparecem no folclore, na mitologia e na literatura espiritual de todos os tempos e culturas. Escrituras sagradas especiais têm sido dedicadas à descrição e discussão das experiências associadas com a morte e com o "morrer".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No passado, os cientistas ocidentais ignoraram o que eles chamavam de "mitologia funerária", considerando isso como um produto da fantasia e da imaginação de pessoas primitivas, incapazes de enfrentar e aceitar o fato da própria mortalidade. Essa situação começou a mudar dramaticamente depois que Elisabeth Kübler-Ross atraiu a atenção dos círculos profissionais para a área da morte e do "morrer" e Raymond Moody publicou Life after Life, seu livro mais vendido. O trabalho de Moody foi baseado nos casos de 150 pessoas que tiveram experiências próximas à morte; isso tornou válidas, em especial, as descrições da morte encontradas nos livros tibetanos e egípcios, no Ars Moriendi europeu e em outros guias semelhantes, de outros tempos e culturas, sobre a morte. Torna-se claro que o processo de "morrer" pode ser associado a uma jornada interior extraordinária, nas áreas transpessoais da psique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora haja variações individuais, as experiências das pessoas que chegaram próximas à morte parecem seguir um padrão geral: a vida toda de alguém, até esse ponto, pode ser revista de forma condensada, pitoresca e inacreditável, em poucos segundos. A consciência pode se separar do corpo e se movimentar com grande liberdade e independência. Às vezes pode flutuar acima da cena do acidente e o observa com curiosidade e com um divertimento descomprometido; outras vezes, viaja para lugares distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas passam através de um túnel escuro ou um funil para uma fonte de luz, cuja radiação e brilho estão além da imaginação humana. Essa luz tem uma beleza extraordinária e sobrenatural, e é dotada de características pessoais precisas. Irradia amor, perdão e aceitação total e infinita. Moody usa o termo "ser de luz" para descrever a natureza dessa experiência; muitas pessoas se referem a isso bem explicitamente como Deus. Esse encontro tem, em geral, a forma de uma troca íntima e pessoal que envolve profundas lições sobre a vida e as leis universais; isto proporciona um contexto para olhar para o próprio passado e avaliá-lo por esses padrões cósmicos. À luz dessa nova informação, a pessoa toma a decisão de resistir em voltar à realidade comum. Quem já passou por essa experiência e volta à vida, geralmente retorna com uma profunda determinação de viver de um modo que seja compatível com os princípios que aprendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As experiências próximas à morte podem assim ser poderosos catalisadores do despertar espiritual e da evolução da consciência. Um encontro com a fonte transpessoal na forma de um "ser de luz" leva a mudanças profundas da personalidade que são muito semelhantes aos efeitos colaterais das experiências espontâneas de pico descritas por Maslow: um aumento do amor-próprio, da autoconfiança e uma diminuição do interesse pelo status, pelo poder e pelas atividades materiais. Tais mudanças estão associadas a uma maior valorização da natureza e da vida, a uma grande preocupação com a ecologia e ao amor pelos seres humanos. No entanto, sua conseqüência mais notável é o despertar de uma espiritualidade que tem uma qualidade universal. Transcende os interesses divisórios do sectarismo religioso e assemelha-se às melhores tradições místicas e às grandes filosofias espirituais do Oriente, em sua qualidade abrangente e em sua transcendência dos limites comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Retirado de: A tempestuosa busca do Ser; de Stanislav e Christina Grof"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-896988412677591258?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/896988412677591258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=896988412677591258' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/896988412677591258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/896988412677591258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/ento-vi-toda-minha-vida-passada.html' title='Experiências próximas à morte'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJ-rMKKisII/AAAAAAAAAGM/CLarbgl4t1U/s72-c/ATcAAAAswK5KEeboPIjaN_qZ1Yhl3Dv-X9dYNpjqLSHqzZ0Ka2bOqE1YlHUHM_GViZJd6rXGI0RAlYENpJwr78BoQi1RAJtU9VC-N7fklwfuQ5J1hbPHMQwIUdo38Q.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-2191429105195402215</id><published>2008-08-08T10:14:00.021-02:00</published><updated>2009-03-18T10:40:08.984-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tipos de Experiências'/><title type='text'>Os mistérios da Comunicação com os espíritos-guias e canalização</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJxBLbXA8-I/AAAAAAAAABw/wdwEWUkIFqQ/s1600-h/chaneling.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232128531676328930" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJxBLbXA8-I/AAAAAAAAABw/wdwEWUkIFqQ/s320/chaneling.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;"Não acredito que eu pudesse conseguir o equivalente ao livro de Seth por mim mesma. Esse livro é o modo de Seth demonstrar que a personalidade humana é multidimensional, que existimos em muitas realidades ao mesmo tempo, que a alma ou o eu interior não são algo à parte, mas o meio exato onde vivemos... Seth pode muito bem ser uma criação como é seu livro. Desse modo, este é um excelente exemplo de arte multidimensional, feita a tal nível de inconsciência que a 'artista' não se apercebe de seu próprio trabalho e fica muito mais intrigada do que qualquer outra pessoa."&lt;br /&gt;Jane Roberts, Seth Speaks&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em estados incomuns de consciência, um indivíduo pode assumir diferentes papéis com relação às várias entidades e situações encontradas no mundo interior. É possível que seja um observador descomprometido a fim de participar ativamente dessas seqüências ou, na verdade, se identificar com vários elementos do cenário. Ocasionalmente, porém, pode vir a ter contato com uma entidade que pareça ser totalmente isolada e independente do seu processo interior. Apresenta uma afinidade pessoal e continua a desempenhar o papel de guia, protetor, mestre ou fonte superior de informação. Na literatura sobre os fenômenos psíquicos, tais figuras são mencionadas como guias espirituais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em alguns casos, os sujeitos são capazes de reconhecer a natureza desses seres; outras vezes, os guias espirituais se apresentam e explicam de onde vêm e qual é a sua missão. Freqüentemente parecem ser humanos desencarnados, entidades sobre-humanas ou divindades, habitando planos superiores da consciência e dotados de uma liberdade extraordinária. Às vezes assemelham-se a seres humanos; outras vezes parecem uma fonte radiante de luz. Há também casos em que não aparecem em nenhuma forma detectável, mas sua presença pode ser sentida. Comunicam-se com seus protegidos através do pensamento direto ou através de outros meios extra-sensoriais. Podem ter vozes humanas e enviar mensagens verbais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo especial de experiências dessa categoria é a canalização, um fenômeno que nos últimos anos se tornou muito popular entre o povo americano e recebe grande cobertura dos meios de comunicação de massa: uma pessoa torna-se um mediador ou canal para as mensagens que vêm de uma fonte presumivelmente fora de sua consciência individual. Essas mensagens são transmitidas através da fala em transe, da escrita automática ou da transferência telepática. A qualidade das variações materiais canalizadas e a questão da fonte definitiva de informação tem sido objeto de muitas especulações e conjecturas. No entanto, a canalização pode ser uma experiência de cura e de transformação para o receptor, e a informação canalizada tem reiteradamente sido de valor para os outros como uma diretriz para o crescimento pessoal e para a consciência da evolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A canalização tem desempenhado um papel importante na história da humanidade. Entre os ensinamentos espirituais canalizados estão muitas escrituras de grande influência cultural, tais como os antigos Vedas indianos, o Alcorão e o Livro dos Mórmons. Muitas passagens no texto sagrado zoroastriano Zend Avesta e na Bíblia também têm sua origem em experiências desse tipo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre as fontes importantes para a canalização no século XX está uma entidade que se auto-intitula "o Tibetano"; Alice Bailey e Madame Blavatsky a reconhecem como a fonte de seus escritos espirituais. O psiquiatra italiano Roberto Assagioli acredita na mesma entidade como a verdadeira autora de seu sistema psicológico chamado psicossíntese.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No curso de sua vida, C. G. Jung teve muitas experiências transpessoais. Destacando-se entre elas está um episódio notável durante o qual ele canalizou seu famoso texto Seven Sermons for the Dead; a entidade que o inspirou apresentou-se como Gnostic Basilides. Jung também teve fortes experiências com o guia espiritual Philemon e deixou um quadro no qual o retratava. Suas experiências com essa entidade convenceram-no de que vários aspectos da psique podem assumir uma função completamente autônoma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dos mais populares textos canalizados contemporâneos é o best-seller A Course in Miracles; é muito aclamado por leigos e profissionais que o utilizam como base para leituras, seminários e cursos. Foi canalizado por Helen Schucman e ditado por uma entidade que chamou a si mesma de Cristo. Schucman era psicóloga com uma formação conservadora, atéia e descrente do "paranormal". tendo sólida posição universitária e boas credenciais profissionais. Quando começou a ouvir uma voz interior intervindo com informações que eram inteiramente novas para ela, entrou em um estado de profunda confusão conceitual, com dúvidas a respeito de sua sanidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A razão principal pela qual tais experiências desencadeiam uma crise séria é que a sociedade ocidental tem tradicionalmente apenas rótulos ridículos e patológicos para fenômenos desse tipo. No entanto, não é fácil para os canalizadores ignorarem e descartarem suas experiências em vista da natureza e da qualidade extraordinária da informação que possa ser recebida. Por exemplo, às vezes a canalização pode trazer dados exatos de áreas do conhecimento às quais o receptor nunca tinha sido exposto. Essa prova aparente da existência de realidades espirituais pode levar a uma séria confusão filosófica para aqueles que já tinham previamente um sistema bem diferente de crença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em alguns casos, a experiência de canalização pode ser intensa e intrusa, interferindo seriamente na vida diária. Um outro problema é o perigo da exaltação do ego do canalizador. Os guias espirituais são geralmente percebidos como seres muito avançados e evoluídos; parecem estar em um nível mais elevado de consciência e ter uma inteligência superior e uma integridade moral extraordinária. Os canalizadores podem interpretar a escolha deles como uma prova de sua própria superioridade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Retirado de: A tempestuosa busca do Ser; de Stanislav e Christina Grof"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-2191429105195402215?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/2191429105195402215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=2191429105195402215' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/2191429105195402215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/2191429105195402215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/os-mistrios-da-comunicao-com-os.html' title='Os mistérios da Comunicação com os espíritos-guias e canalização'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJxBLbXA8-I/AAAAAAAAABw/wdwEWUkIFqQ/s72-c/chaneling.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-2780511651733426802</id><published>2008-08-05T10:55:00.009-02:00</published><updated>2008-08-08T20:45:27.187-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escrituras Sagradas'/><title type='text'>Hino da criação - Rigveda</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJhS8Q02IrI/AAAAAAAAABo/nHKIGSyiO0M/s1600-h/big_19_mandala.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231022162453078706" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJhS8Q02IrI/AAAAAAAAABo/nHKIGSyiO0M/s320/big_19_mandala.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Não havia então não-existência nem existência;&lt;br /&gt;não havia o reino do ar nem o firmamento por trás dele.&lt;br /&gt;O que protegia e onde? E o que dava abrigo?&lt;br /&gt;Estava ali a água, a desmedida profundidade da água?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia morte então, nem havia algo imortal;&lt;br /&gt;não havia sinal ali, o divisor do dia e da noite.&lt;br /&gt;A Massa Unitária, sem vida, vivia por sua própria natureza;&lt;br /&gt;além dela nada mais havia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As trevas lá estavam; a princípio escondido nas trevas&lt;br /&gt;Tudo era um caos indiscriminado.&lt;br /&gt;Tudo que existia então era vazio e informe.&lt;br /&gt;Mas pelo grande poder do Calor nasceu aquela Unidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, surgiu o Desejo no começo, o Desejo,&lt;br /&gt;a semente e o germe primordial do Espírito.&lt;br /&gt;Os sábios que buscavam com o pensamento de seus corações&lt;br /&gt;descobriram o parentesco do existente no não-existente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transversalmente estava estendida uma linha de separação:&lt;br /&gt;o que, então, havia acima e abaixo dela?&lt;br /&gt;Havia progenitores, havia forças poderosas,&lt;br /&gt;ali havia ação livre e energia mais além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem verdadeiramente conhece e quem pode aqui&lt;br /&gt;declarar de onde nasceu e de onde veio essa criação?&lt;br /&gt;Os deuses são posteriores a essa produção do mundo.&lt;br /&gt;Quem sabe então como se originou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, a primeira origem da criação,&lt;br /&gt;formou tudo ou não formou.&lt;br /&gt;Na verdade, Ele, cujo olho vela pelo mundo nos altos céus,&lt;br /&gt;sabe, ou talvez não saiba...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rigveda X:129&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-2780511651733426802?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/2780511651733426802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=2780511651733426802' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/2780511651733426802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/2780511651733426802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/hino-da-criao.html' title='Hino da criação - Rigveda'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJhS8Q02IrI/AAAAAAAAABo/nHKIGSyiO0M/s72-c/big_19_mandala.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-4965735839080602735</id><published>2008-08-05T10:22:00.012-02:00</published><updated>2008-08-10T20:30:06.115-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Insights'/><title type='text'>O processo criativo</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJhGRIH8PtI/AAAAAAAAABY/jC3UgUUxW1k/s1600-h/CX4813.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231008227243343570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJhGRIH8PtI/AAAAAAAAABY/jC3UgUUxW1k/s320/CX4813.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;A fronteira que liga esse mundo ao outro é tão tênue que chega a não existir. Estando todos os limites de separação relacionados ao mesmo processo criativo que envolve toda a existência. O próprio ego e a mente são criações Dele. São sob certo aspecto, ilusórios, assim como toda a existência. Dessa forma entende-se que a individualidade e o que costumamos chamar de realidade são apenas identificações da Consciência com seu próprio processo criativo. Quando não há envolvimento Dela consigo própria, pode-se perceber que a existência, em todos os seus níveis, nada mais é do que Minha própria experiência. Toda a diversidade experienciada nesse grande êxtase é exatamente a Unidade que é Minha consciência. &lt;/p&gt;Lupa...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-4965735839080602735?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/4965735839080602735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=4965735839080602735' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/4965735839080602735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/4965735839080602735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/o-processo-criativo.html' title='O processo criativo'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJhGRIH8PtI/AAAAAAAAABY/jC3UgUUxW1k/s72-c/CX4813.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-7797183637536554773</id><published>2008-08-04T14:47:00.011-02:00</published><updated>2008-08-10T18:01:02.195-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Existência'/><title type='text'>A Dança Cósmica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJc2J3WEzUI/AAAAAAAAAAw/gKhIyRGWNV0/s1600-h/organic-cosmos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230709035317382466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJc2J3WEzUI/AAAAAAAAAAw/gKhIyRGWNV0/s320/organic-cosmos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Podemos agora tentar resumir os insights dos estados holotrópicos descrevendo a existência como uma aventura experimental fantástica da Consciência Absoluta – uma dança cósmica interminável, uma requintada brincadeira, ou drama divino. Em sua criação, o princípio criativo gera a partir de si mesmo e dentro de si mesmo um número incontável de imagens individuais, unidades fragmentadas de consciência, que assumem vários graus de autonomia e independência relativas. Cada uma delas representa uma oportunidade para uma experiência sem par, um experimento da consciência. Com a paixão de um explorador, de um cientista, de um artista, o princípio criativo realiza todas as experiências concebíveis em suas infindáveis variações e combinações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa brincadeira cósmica, a Consciência Absoluta encontra a possibilidade de expressar sua riqueza interna, sua abundância, e sua imensa criatividade. Através de suas criações ela experimenta miríades de papéis individuais, encontros, intrincados dramas, e aventuras em todos os níveis imagináveis. Essa peça divina de brincadeiras escalona-se desde as galáxias, sóis, planetas em órbitas, luas passando por plantas, animais, homens, até as moléculas, átomos e partículas nucleares. Dramas adicionais desdobram-se nos reinos arquetípicos e em outras dimensões da existência que não estão disponíveis à nossa percepção, quando em nosso estado de consciência do dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em infindáveis ciclos de criação, preservação e destruição a Consciência Absoluta supera os sentimentos de monotonia e tédio transcendentais. A negação temporária e perda de seus estados prístinos alterna com episódios de redescobrimento e recuperação. Os períodos que são cheios de agonia, angústia e desespero são seguidos por episódios de bem-aventurança e enlevo extático. Quando a consciência individual indiferenciada é recuperada depois de ser temporariamente perdida, ela é experimentada como excitante, surpreendente, fresca e nova. A existência da agonia dá uma nova dimensão à experiência do êxtase, o conhecimento da escuridão realça a apreciação da luz, e a extensão da iluminação é diretamente proporcional à profundidade da ignorância prévia. Mais que isso, com cada incursão nos mundos fenomenológicos seguido pelo retorno, a Mente Universal é enriquecida pelas experiências dos diferentes papéis envolvidos. Pela concretização de mais uma parte de seu potencial interno, ela aumenta e aprofunda seu auto conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para esse entendimento do processo cósmico é necessário supor que a Mente Universal experimenta conscientemente todos os aspectos da criação, tanto como objetos de observação quanto como estados subjetivos. Ela pode assim explorar não apenas o espectro inteiro das especificamente percepções, emoções, pensamentos e sensações humanas, mas também os estados de consciência de todas as outras formas de vida da árvore evolucionária de Darwin. No nível da consciência das células, ela pode experimentar a excitação do esperma em sua corrida e fusão com o óvulo durante a concepção, bem como a atividade das células do fígado ou dos neurônios do cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transcendendo os limites do reino animal e expandindo-se até o mundo botânico, a Consciência Absoluta pode tornar-se numa Sequóia gigante, experimentar a si mesma como uma planta carnívora caçando e digerindo uma mosca, ou participar da fotossíntese nas folhas ou da germinação das sementes. Similarmente, os fenômenos no mundo inorgânico, desde as ligações interatômicas passando depois pelos terremotos e explosões nucleares e até os quasares e pulsares dão margem a interessantes possibilidades experimentais. E desde que nossa psique, em sua essência mais profunda, é idêntica à Consciência Absoluta, essas possibilidades experimentais estão, sob certas circunstâncias, abertas a todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando contemplamos a realidade da perspectiva da Mente Universal, todas as polaridades usualmente experimentadas são transcendidas. Isso aplica-se a categorias tais como espírito/matéria, estabilidade/movimento, bom/mau, feminino/masculino, beleza/feiúra ou agonia/êxtase. Em última análise, não existe diferença absoluta entre sujeito e objeto, observador e coisa observada, experimentador e coisa experimentada, criador e criatura. Todos os papéis no drama cósmico são desempenhados, podemos dizer, por apenas um protagonista, a Consciência Absoluta. Essa é a verdade única mais importante a respeito da existência revelada pelo antigo poema hindu conhecido como Upanishads. Na atualidade, ela pode ser encontrada numa bela expressão artística, o poema intitulado “Por Favor, me Chame pelos Meus Verdadeiros Nomes” do professor budista e vietnamita Thich Nhat Hahn:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não diga que partirei amanhã&lt;br /&gt;pois eu chego todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhe profundamente; eu chego em cada segundo&lt;br /&gt;para ser um botão num galho da primavera,&lt;br /&gt;para ser um pequeno passarinho, com asas ainda frágeis&lt;br /&gt;aprendendo a cantar em meu novo ninho,&lt;br /&gt;para ser uma lagarta no coração da flor,&lt;br /&gt;para ser uma jóia escondendo-se numa pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda chego, para rir e para chorar,&lt;br /&gt;para ter medo e ter esperança,&lt;br /&gt;o ritmo do meu coração é o nascimento e a morte&lt;br /&gt;de tudo o que está vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou a efemérida metamorfoseando&lt;br /&gt;na superfície do rio,&lt;br /&gt;eu sou o pássaro que, quando chega a primavera,&lt;br /&gt;aparece a tempo de comer a efemérida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o sapo nadando feliz da vida&lt;br /&gt;na água clara do lago,&lt;br /&gt;e sou a cobra, que, aproximando-se&lt;br /&gt;em silêncio, alimenta-se do sapo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou a criança em Uganda, de pele e osso,&lt;br /&gt;de pernas finas como bambu,&lt;br /&gt;eu sou o mercador de armas,&lt;br /&gt;vendendo armas mortíferas para Uganda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou a garota de doze anos de idade,&lt;br /&gt;refugiada dentro de um pequeno bote,&lt;br /&gt;que atira-se no oceano&lt;br /&gt;depois de ser estrupada por um pirata do mar,&lt;br /&gt;eu sou o pirata,&lt;br /&gt;meu coração ainda não é capaz de ver e de amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um membro do Politburo&lt;br /&gt;com plenos poderes nas mãos,&lt;br /&gt;e sou o homem&lt;br /&gt;que tem que pagar o débito de sangue&lt;br /&gt;ao meu povo que morre lentamente num campo de trabalho forçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha alegria é como a primavera, tão quente que faz&lt;br /&gt;as flores desabrocharem-se em todos os passeios da vida.&lt;br /&gt;Minha dor é como um rio de lágrimas, tão cheio&lt;br /&gt;que enche os quatro oceanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, me chamem pelos meus verdadeiros nomes,&lt;br /&gt;De modo que eu possa ouvir todos os meus gritos e risos ao mesmo tempo,&lt;br /&gt;Do modo que eu possa ver que minha dor e minha alegria são uma só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, me chamem pelos meus verdadeiros nomes,&lt;br /&gt;De modo que eu possa acordar e assim a porta de meu coração&lt;br /&gt;possa ser deixada aberta,&lt;br /&gt;a porta da compaixão.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Retirado do livro: O Jogo Cósmico; de Stanislav Grof"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-7797183637536554773?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/7797183637536554773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=7797183637536554773' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7797183637536554773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/7797183637536554773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/dana-csmica.html' title='A Dança Cósmica'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJc2J3WEzUI/AAAAAAAAAAw/gKhIyRGWNV0/s72-c/organic-cosmos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-3508971493364378409</id><published>2008-08-04T13:41:00.014-02:00</published><updated>2009-03-18T10:40:40.282-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stanislav Grof'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enteogenia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><title type='text'>Problemas criados por experiências místicas ou transcendentais</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJcjuEhwkDI/AAAAAAAAAAo/lffRAPJtMyQ/s1600-h/catarse.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230688766610411570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJcjuEhwkDI/AAAAAAAAAAo/lffRAPJtMyQ/s320/catarse.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar das qualidades geralmente benevolentes dos estados positivos, há duas áreas de dificuldades que podem surgir quando as pessoas têm experiências místicas: dificuldade para aceitar ou lidar com as áreas transcendentais, e problemas quando as experiências se relacionam com o meio ambiente. Além disso, muitas vezes essas áreas se confundem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Problemas interiores&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muita gente se sente despreparada para as diretrizes das esferas sagradas. Estes são fatos e estados mentais desconhecidos, que permitem às pessoas penetrar na própria consciência, o que geralmente significa abandonar os conceitos já conhecidos sobre a realidade. Elas também podem sentir que não são suficientemente fortes para suportar o profundo impacto das manifestações físicas e sensoriais de experiências místicas, ou que não estão suficientemente abertas para manipular o seu poder. O professor espiritualista americano Ram Dass compara essas pessoas a uma "torradeira", e sua reação a "ligar o seu plugue em 220 volts em vez de 110, enquanto tudo torra". Recebendo esse enorme insumo físico, mental, emocional e espiritual, elas podem se sentir dominadas e uma reação natural talvez seja a de recuar.Uma resposta semelhante pode ocorrer durante uma forte experiência de luminosidade. Às vezes as pessoas sentem que sua visão está bastante fraca ou demasiado obscurecida para lidar com a intensidade da luz ofuscante com medo de ficar literalmente cegas se permitirem que a experiência prossiga. Quando isso acontece, podem sentir muita dor física ao redor dos olhos.Um praticante de meditação relembra o horror que sentiu durante um estado transpessoal "positivo": "Foi muito estranho... Eu havia lido sobre a experiência a luz em livros sobre espiritualidade e só tinha ouvido falar disso como sendo algo ligado à alegria. Eu ansiava por esse tipo de experiência há muito tempo, tentava várias formas de trabalho interior para chegar a isso. Mas, quando realmente aconteceu, fiquei horrorizado. Foi impressionante: era doloroso, terrível e maravilhoso ao mesmo tempo. Senti como se tudo aquilo fosse demais e que eu não o poderia suportar. Pensei em Moisés e na sarça ardente, que era tão brilhante que ele teve que se afastar. Reconheci, desamparado, que eu não seria capaz de compreender o que acontecia."Embora o sofrimento que acontece durante um encontro místico possa ser sentido como destrutivo e violento no início, com o tempo as pessoas em geral o reconhecem como a dor da abertura e do crescimento espiritual. Elas chegam até a receber isso como um sinal da sua ligação com o Divino, como descreve Santa Teresa de Ávila:A dor era tão aguda que eu gemia, mas o encanto dessa tremenda dor era tão poderoso que não se poderia querer abandoná-la, nem a alma se satisfaria com nada mais a não ser com Deus. Era uma dor espiritual, não física, embora o corpo tivesse alguma parte nisso, até que considerável. Era uma troca de cortesias entre a alma e Deus.A experiência da desintegração positiva do ego, descrita acima, também pode apresentar problemas. Enquanto algumas pessoas aceitam de bom grado a oportunidade de se liberar e de se expandir, outras estão muito ligadas às suas identidades individuais, e se esse momento crítico for muito assustador, elas poderão tentar resistir ou brigar devido a isso. Embora esse estado de perda do ego seja transitório, as pessoas que estão passando por ele sentem que esse processo é permanente. Aprisionadas entre o que conhecem de si próprias como são e em quem estão se transformando, podem se perguntar: "Quem sou eu? Onde isto está me levando? Como posso ter confiança no que está acontecendo?"Algumas pessoas podem não confiar na realidade de suas novas possibilidades, ou podem ter medo de que os estados que estão sendo vivenciados sejam sinais de doença mental. Elas sentem que estão se desviando muito do comum. Chegam até a temer que depois de entrar em contato com o Divino tenham mudado tanto que as pessoas do seu convívio compreenderão imediatamente que elas estão "diferentes", e pensarão que são especiais ou loucas.Outras podem lutar com as áreas transcendentais, não importando quão belas serenas elas sejam, porque não sentem o valor da experiência. Conhecemos várias pessoas com problemas permanentes de auto-imagem que se sentem desmerecedoras de qualquer experiência que seja muito agradável ou muito próspera. Em geral, quanto mais benevolente for o seu estado espiritual, mais ativamente tentarão resistir a ele.Algumas pessoas ficam deprimidas depois de entrar em contato com as áreas transcendentais, porque sua vida diária parece árida e desinteressante, em comparação com a radiação e a liberação que experimentaram. Um terapeuta escreveu sobre a volta às limitações do corpo físico depois de uma experiência mística:Naquele estado iluminado eu me senti completamente sem limites e livre, rodeado e repleto de uma luz brilhante, banhado por uma enorme sensação de paz. Quando comecei a voltar ao mundo cotidiano, senti que meu novo "Eu" abrangente estava se afunilando, voltando a ser uma unidade retraída: o meu "Eu" físico cotidiano. Meu corpo se sentia como uma armadilha de aço que prendia e dominava todas as minhas possibilidades. Senti a dor e o drama da vida diária começando a me pressionar, e chorei quando ansiei por voltar para a liberdade que havia descoberto.Algumas pessoas nessa situação podem realmente querer permanecer num estado prazeroso, excluindo suas responsabilidades diárias. Ou podem preferir repetir a experiência pela qual estão passando, em vez de aproveitar a possibilidade de vivenciar outros estágios de sua jornada espiritual que, mesmo não sendo tão belos e extraordinários, são igualmente importantes. Como resultado, podem abster-se de colaborar para seu maior desenvolvimento pessoal, resistindo e até mesmo censurando tudo o que seja inferior ao estado místico positivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Retirado de: A tempestuosa busca do Ser; de Stanislav e Christina Grof"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-3508971493364378409?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/3508971493364378409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=3508971493364378409' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3508971493364378409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/3508971493364378409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/problemas-criados-por-experincias.html' title='Problemas criados por experiências místicas ou transcendentais'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJcjuEhwkDI/AAAAAAAAAAo/lffRAPJtMyQ/s72-c/catarse.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-5062476847251820383</id><published>2008-08-03T22:48:00.006-02:00</published><updated>2009-03-18T10:41:08.520-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Espiritual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Traspessoal'/><title type='text'>Auto-Realização e Distúrbios Psicológicos - Roberto Assagioli</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJZoaDiosJI/AAAAAAAAAAg/n58YRMpsKR8/s1600-h/Assagioli.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230482814073876626" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJZoaDiosJI/AAAAAAAAAAg/n58YRMpsKR8/s200/Assagioli.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O desenvolvimento espiritual é uma longa e árdua jornada, uma aventura por estranhas terras plenas de surpresas, de alegrias e de beleza, de dificuldades e até de perigos. Envolve o despertar de potencialidades até então adormecidas, a elevação da consciência a novos domínios, uma drástica transmutação dos elementos "normais" da personalidade e um funcionamento no âmbito de uma nova dimensão interior. Uso o termo "espiritual" em sua conotação mais ampla e sempre com referência à experiência humana empiricamente observável. Nesse sentido, "espiritual" remete não somente a experiências tradicionalmente consideradas religiosas, como também a todos os estados de consciência e a todas as funções e atividades humanas que têm como denominador comum a posse de valores superiores aos comuns-valores éticos, estéticos, heróicos, humanitários e altruístas. Na psicossíntese, entendemos essas experiências de valores superiores como produtos dos níveis supraconscientes do ser humano. Pode-se conceber o supraconsciente como a contraparte superior do inconsciente inferior tão bem mapeado por Freud e por seus sucessores. Agindo como o centro unificador do supraconsciente e da vida do indivíduo como um todo, temos o Eu Transpessoal ou Superior. Logo, as experiências espirituais podem limitar-se aos domínios supraconscientes ou incluir a percepção consciente do Eu. Essa percepção torna-se aos poucos Auto-Realização - a identificação do "eu" com o Eu Transpessoal. Na discussão seguinte, farei considerações acerca dos vários estágios do desenvolvimento espiritual, incluindo o atingimento da realização do Eu. Não deveríamos nos surpreender ao sabermos que uma transformação tão fundamental é marcada por vários estágios críticos que podem ser acompanhados por inúmeros distúrbios mentais, emocionais e até físicos. À observação objetiva e clínica do terapeuta, esses elementos podem parecer os mesmos decorrentes de causas mais comuns. Na realidade, contudo, eles têm um significado e uma função bem distintos, precisando ser tratados de maneira bem diferente. A incidência de distúrbios de origem espiritual cresce rapidamente hoje acompanhando de perto o número crescente de pessoas que, consciente ou inconscientemente, abrem o seu próprio caminho para uma vida mais plena. Além disso, o maior desenvolvimento e complexidade da personalidade do homem de nossos dias e a sua mente cada vez mais crítica tornaram o desenvolvimento espiritual um processo mais rico e compensador, mas, ao mesmo tempo, mais difícil e complicado. No passado, uma conversão moral, uma simples devoção sincera a um mestre ou salvador, uma amorosa entrega a Deus costumavam ser suficientes para abrir as portas para um nível superior de consciência e para um sentido de união e de realização interiores. Agora, entretanto, os aspectos mais variados e complexos da personalidade do homem moderno estão envolvidos no processo e requerem uma transmutação e uma harmonização entre si: seus impulsos fundamentais, suas emoções e sentimentos, sua imaginação criadora, sua mente inquisitiva, sua vontade afirmativa, bem como suas relações sociais e interpessoais. Por essas razões, é útil fazer uma descrição geral dos distúrbios passíveis de surgir nos vários estágios do desenvolvimento espiritual, assim como dar algumas indicações sobre como tratar melhor deles. Podemos reconhecer nesse processo quatro estágios, ou fases, críticos: Crises que precedem o despertar espiritual, Crises causadas pelo despertar espiritual, Reações que seguem o despertar espiritual, e Fases do processo de transmutação. Usei o termo simbólico “despertar” porque ele sugere com clareza a tomada de consciência de uma nova área da experiência, a abertura dos olhos até então fechados para uma realidade interior antes desconhecida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Crises que Precedem o Despertar Espiritual&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para melhor entender as experiências que costumam preceder o despertar, devemos examinar algumas das características psicológicas do ser humano “normal”. Dele, pode-se dizer que “deixa-se viver” em vez de viver. Toma a vida tal como ela vem e não questiona o seu significado, o seu valor ou o seu propósito; dedica-se à satisfação dos desejos pessoais; busca o prazer dos sentidos e das emoções, a segurança material ou a realização das ambições pessoais. Se for mais maduro, subordina as satisfações pessoais ao cumprimento dos vários deveres sociais e familiares que lhes são atribuídos, mas sem procurar entender as bases em que esses deveres se apóiam ou a sua fonte. Possivelmente se considera “religioso” e crente em Deus, mas em geral sua religião é exterior e convencional e, quando se conforma às injunções da sua igreja e participa dos seus ritos, ele acha que faz tudo o que lhe foi exigido. Em resumo, sua crença operacional é a de que a única realidade é a do mundo físico que ele pode ver e tocar, razão por que tem forte apego aos bens materiais. Assim, para todos os propósitos práticos, ele considera esta vida um fim em si mesmo. Sua crença num “céu” futuro, se ele conceber um, é totalmente teórica e acadêmica – como o prova o fato de ele fazer os maiores esforços para adiar o máximo possível a sua ida para as delícias do céu. Mas pode ocorrer de esse “homem normal” ser surpreendido e perturbado por uma mudança – súbita ou gradual – de sua vida interior. Isso pode acontecer depois de uma série de desilusões; não é incomum que sobrevenha depois de algum choque emocional, como a perda de um ente querido ou de um amigo muito amado. Mas por vezes se manifesta sem causa aparente e no pleno gozo da saúde e da prosperidade. A mudança começa muitas vezes com uma crescente sensação de insatisfação, de carência, de “alguma coisa que falta” - que nada tem de material e definido; trata-se de algo vago e fugidio que a pessoa não consegue descrever. Acrescenta-se a isso, gradualmente, um sentido de irrealidade e de vazio com relação à vida cotidiana. Assuntos pessoais, que antes absorviam tanto a atenção e o interesse, parecem recuar, em termos psicológicos, para o segundo plano; perdem importância e valor. Surgem novos problemas. A pessoa começa a procurar a origem e o propósito da vida, a perguntar a razão de muitas coisas que antes tinha por certas – a questionar, por exemplo, o sentido do sofrimento pessoal e alheio, e da justificativa possível para tantas desigualdades no destino dos homens.Quando chegou a esse ponto, a pessoa pode entender e interpretar erroneamente a sua condição. Muitos que não compreendem o significado desses novos estados mentais os consideram fantasias e devaneios anormais. Alarmados com a possibilidade de desequilíbrio mental, esforçam-se por combatê-los de várias formas, fazendo frenéticos esforços para recuperarem a ligação com a “realidade” da vida cotidiana, que parece fugir-lhes. É freqüente que se atirem, com ardor crescente, numa girândola de atividades externas, buscando novas ocupações, novos estímulos e novas sensações. Por esses e outros meios, podem conseguir por algum tempo aliviar a sua perturbação, mas não podem livrar-se dela permanentemente. O problema continua a fermentar nas profundezas do seu ser, solapando as bases de sua existência comum, até poder irromper novamente, talvez depois de um longo tempo, com intensidade redobrada. O estado de incômodo e de agitação vai ficando cada vez mais doloroso e a sensação de vazio interior ainda mais intolerável. O indivíduo sente-se confuso; boa parte do que constituía a sua vida agora lhe parece ter desaparecido como um sonho, sem que nenhuma nova luz tenha aparecido. Na verdade, ele ainda ignora a existência dessa luz ou então não pode acreditar que ela venha a iluminá-lo. É freqüente que esse estado de agitação interior seja acompanhado por uma crise moral. Sua consciência dos valores se enfraquece ou se torna mais sensível; surge um novo sentido de responsabilidade e o indivíduo pode sentir-se oprimido por um pesado sentimento de culpa. Ele julga a si mesmo com severidade e é presa fácil de um profundo desânimo, chegando a ponto de pensar em suicídio. Para ele, a aniquilação física parece ser a única conclusão lógica do crescente sentimento de impotência e desespero, de colapso e de desintegração. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(1)Os dados acima são, com efeito, uma descrição geral dessas experiências. Na prática, as experiências e reações das pessoas variam amplamente. Há alguns que nunca chegam a esse estágio agudo, enquanto outros o alcançam quase de uma vez. Uns são mais acossados por dúvidas intelectuais e problemas metafísicos; em outros, são mais pronunciadas as depressões emocionais ou as crises morais. É importante reconhecer que essas várias manifestações de crise muito se assemelham a alguns dos sintomas tidos como característicos de estados neuróticos e de estados psicóticos fronteiriços. Em alguns casos, a tensão e a pressão da crise também produzem sintomas físicos como tensão nervosa, insônia e outros distúrbios psicossomáticos. Portanto, para lidar corretamente com essa situação, é essencial determinar a fonte básica das dificuldades. De modo geral, isso não é difícil. Observados isoladamente, os sintomas podem ser idênticos; mas um exame cuidadoso de suas causas, uma consideração da personalidade individual em sua inteireza e - o que é mais importante - o reconhecimento de sua situação real, existencial, revelam a natureza e o nível distintos dos conflitos de base. Em casos comuns, os conflitos ocorrem entre os impulsos "normais", entre estes e o "eu" consciente, ou entre a pessoa e o mundo exterior (em particular com as pessoas próximas, como os pais, o parceiro ou os filhos). Nos casos que aqui consideramos, contudo, os conflitos ocorrem entre algum aspecto da personalidade e as tendências e aspirações progressivas e emergentes de caráter moral, religioso, humanitário ou espiritual. E não é difícil determinar a sua presença uma vez que se reconheçam a sua validade e a, sua realidade, em vez de descartá-las como meras fantasias ou sublimações. De maneira geral, a emergência de tendências espirituais pode ser considerada o resultado de pontos decisivos do desenvolvimento, do crescimento da pessoa. Há possíveis complicações: por vezes, essas novas tendências emergentes revivem ou exacerbam conflitos antigos ou latentes entre elementos da personalidade. Esses conflitos, que seriam por si mesmo regressivos, são na verdade progressivos aoocorrerem nessa perspectiva mais ampla. E o são porque facilitam alcançar uma nova integração pessoal, mais abrangente, num nível superior - na direção do qual a própria crise abriu o caminho. Assim sendo, essas crises são preparativos positivos, naturais e, com freqüência, necessários para o progresso do indivíduo. Eles trazem à superfície elementos da personalidade que precisam ser considerados e modificados no interesse do crescimento adicional da pessoa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Crises Causadas pelo Despertar Espiritual&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A abertura de um canal entre os níveis consciente e supraconsciente, entre o "eu" e o Eu, assim como a cascata de luz, de energia e de júbilo que a segue, costumam produzir uma prodigiosa liberação. Os conflitos e sofrimentos precedentes, bem como os sintomas físicos e psicológicos que geraram, por vezes desaparecem com surpreendente rapidez, confirmando o fato de não se deverem a causas físicas, mas de serem o resultado direto de um esforço interior. Nesses casos, o despertar chega a uma real resolução. Mas em outros casos, não muito incomuns, a personalidade não consegue assimilar direito o influxo de luz e de energia. Isso ocorre, por exemplo, quando o intelecto não é bem coordenado e desenvolvido; quando as emoções e a imaginação são descontroladas; quando o sistema nervoso é demasiado sensível; ou quando a entrada de energia espiritual, dado o seu caráter súbito e a sua intensidade, é insuportável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(2)A incapacidade mental de suportar a iluminação, ou uma tendência de autocentração ou vaidade, podem levar à interpretação errônea, disso resultando, por assim dizer, uma "confusão de níveis". A distinção entre verdades absolutas e relativas, entre o Eu e o "eu" fica imprecisa e as energias espirituais que entram podem ter o efeito infeliz de alimentar ou de inflar o ego pessoal. O autor descobriu um incrível exemplo desse efeito prejudicial no Hospital Psiquiátrico de Ancona, Itália. Um dos internos, um homenzinho simples, fotógrafo, declarava calma e persistentemente ser Deus. Ele construíra, em torno dessa idéia central, grande número de delírios fantásticos sobre hostes celestiais comandadas por ele; ao mesmo tempo, era a mais pacífica, gentil e educada pessoa que se possa imaginar, sempre pronta a servir aos médicos e pacientes. Era tão confiável e competente que fora encarregado da preparação de remédios e até tinha as chaves da farmácia. Sua única falha de comportamento nessa função era um ocasional roubo de açúcar para agradar a alguns dos outros internos. Terapeutas de visão materialista provavelmente o considerarão, tão-somente, um paciente afetado por delírios paranóides; mas esse simples rótulo diagnóstico oferece pouca ou nenhuma ajuda na compreensão da natureza e das causas verdadeiras desses distúrbios. Por conseguinte, parece valer a pena explorar a possibilidade de uma interpretação mais profunda da ilusória convicção desse homem. A experiência interior do Eu espiritual, e a sua íntima associação com o seu pessoal, dão um sentido de expansão interior, de universalidade, assim como criam a convicção de se participar de alguma maneira da natureza divina. Nas tradições religiosas e doutrinas espirituais de todas as épocas, encontramos inúmeras comprovações dessa questão - algumas delas expressas em termos avançados. Há na Bíblia uma frase explícita: "Eu disse: vós sois deuses; e todos vós sois filhos do Altíssimo." Santo Agostinho: "Quando ama algo, a alma torna-se semelhante a ele; se amar coisas terrenas, torna-se terrestre, mas se amar a Deus não se tornará Deus?" A expressão mais extrema da identidade do espírito humano, em sua essência pura e verdadeira, com o Espírito Supremo está contida no ensinamento central da filosofia vedanta: Tat Tvam Asi (Tu És Isto) e Aham evam param Brahman (Em verdade, eu sou o Supremo Brahman). Como quer que concebamos o relacionamento entre o eu individual, ou "eu", e o Eu Universal, consideremo-los semelhantes ou diferentes, distintos ou unidos, o mais importante é reconhecer com clareza, e manter sempre presente, na teoria e na prática, a diferença entre o Eu em sua natureza essencial - aquilo que tem sido chamado de "Fonte", "Centro", "o Ser profundo", o "Ápice" de nós mesmos - e o pequeno eu, ou "eu", identificado com a personalidade comum, da qual costumamos ter consciência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(3) A desconsideração dessa distinção tem conseqüências absurdas e perigosas.A distinção fornece a chave para a compreensão do estado mental do paciente citado e de outras formas extremas de auto-exaltação e autoglorificação. O erro fatal de quantos são vitimados por essas ilusões é atribuir ao seu eu pessoal, ou "eu", as qualidades e poderes do Eu Superior ou Transpessoal. Em termos filosóficos, trata-se de um caso de confusão entre uma verdade relativa e uma verdade absoluta, entre os níveis empírico e transcendente da realidade. Exemplos dessa confusão não são incomuns entre pessoas que ficam perturbadas ao terem contato com verdades grandes demais ou com energias demasiado potentes para a apreensão pelas suas capacidades mentais e para a assimilação pela sua personalidade. O leitor sem dúvida se lembrará de exemplos de auto-engano semelhante entre seguidores fanáticos de vários cultos. Está claro que, nessa situação, é no mínimo perda de tempo argumentar com a pessoa ou ridicularizar a sua aberração; isso só vai servir para despertar a sua oposição e o seu ressentimento. O melhor é mostrar-se simpático e, embora admitindo a verdade última de sua crença, assinalar a natureza do seu erro e ajudá-la a aprender a fazer a necessária distinção de níveis. Há também casos em que o súbito influxo de energias produz uma perturbação emocional que se exprime num comportamento descontrolado, desequilibrado e desordenado. Gritar e chorar, cantar e ter explosões de vários tipos caracterizam essa modalidade de resposta. Se for ativo e impulsivo, o indivíduo pode ser facilmente impelido, pela excitação do despertar interior, a desempenhar o papel de profeta ou de salvador; pode fundar uma nova seita e começar uma espetacular campanha de proselitismo.Em alguns indivíduos sensíveis, há um despertar de percepções parapsicológicas. Eles têm visões, que acreditam ser de seres exaltados; podem ouvir vozes ou começar a escrever automaticamente, aceitando as mensagens ao pé da letra e obedecendo a elas de modo irrestrito. A qualidade dessas mensagens é extremamente variada. Algumas contêm refinados ensinamentos e outras são muito pobres ou sem sentido. Sempre devemos examiná-las com muita discriminação e um sólido julgamento, e sem nos deixarmos influenciar pela sua origem incomum nem por alegações do seu pretenso transmissor. Não se deve atribuir nenhuma validade a mensagens que contenham ordens definidas e determinem a obediência cega, nem às que tendem a exaltar a personalidade do receptor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Reações ao Despertar Espiritual&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como dissemos, um despertar interior harmonioso é caracterizado por uma sensação de júbilo e de iluminação mental que traz consigo uma percepção do sentido e do propósito da vida; ela dissipa muitas dúvidas, oferece a solução para muitos problemas e fornece uma fonte interior de segurança. Ao mesmo tempo, surge a compreensão de que a vida é una e uma chuva de amor flui pelo indivíduo desperto para os semelhantes e para toda a criação. A personalidade anterior, com seus contornos grosseiros e características desagradáveis, parece ter passado para o segundo plano, e uma nova pessoa, amorosa e adorável, sorri para nós e para o mundo inteiro, ávida por ser gentil, por servir e por compartilhar suas riquezas espirituais recém-adquiridas, cuja abundância lhe parece grande demais para ser contida. Esse estado de júbilo exaltado pode durar por períodos variáveis, mas está fadado a desaparecer. O influxo de luz e de amor é rítmico, como todas as coisas do universo. Depois de algum tempo, diminui ou cessa e a maré cheia é seguida pela vazante. A personalidade foi infundida e transformada, mas essa transformação raramente é permanente ou completa. O mais comum é a reversão de uma ampla parcela de elementos da personalidade envolvidos ao seu estado anterior. O processo fica mais claro se observarmos a natureza de uma experiência culminante em termos de energias e de níveis de organização. Dada a sua natureza sintetizadora, as energias supraconscientes agem sobre os elementos da personalidade de maneiras que tendem a levá-los ao seu próximo nível superior de organização. Alcançado esse nível, há liberação de energia sinérgica e esta produz o êxtase, o enlevo e o júbilo característicos dessas experiências. A depender da quantidade de energia supraconsciente irradiada pelo Eu, da capacidade da pessoa na época e de muitos outros fatores, esse nível superior de organização pode ou não ser estável. Na maioria dos casos, ele permanece enquanto o Eu irradiar a sua energia. Mas uma vez que essa energia seja retirada - o que termina por acontecer, devido à natureza cíclica da atividade do Eu -, há uma tendência mais ou menos pronunciada na personalidade no sentido de reverter ao seu nível precedente de organização. Por razões de clareza, podemos considerar três resultados possíveis que tipificam as conseqüências desse processo: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1. A energia do Eu é forte o bastante para alcançar essa integração superior da personalidade, bem como para transformar ou decompor os padrões e tendências inerentes à personalidade que tenderiam a fazê-la reverter ao estado precedente. Esse resultado é relativamente raro e é ilustrado por casos em que a vida da pessoa é súbita e permanentemente elevada e transformada como decorrência direta e imediata de um despertar espiritual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2. A energia transmitida pelo Eu é menos intensa e/ou a personalidade é menos capaz de uma resposta, razão por que, embora se atinja um nível superior de organização, apenas algumas das tendências e padrões regressivos da personalidade passam por uma transformação total, sendo a maioria deles, tão- somente, neutralizados temporariamente pela presença de energias superiores. Por isso, a integração superior alcançada pela personalidade só se mantém enquanto a energia do Eu estiver sendo transmitida de modo ativo. Quando essa energia é retirada, a personalidade reverte ao estado precedente. Mas permanece - e isso costuma ser a parte mais útil da experiência - um modelo ideal e um sentido de direção que a pessoa pode usar para completar a transformação por meio dos seus próprios métodos intencionais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3. A energia transmitida pelo Eu não é suficiente para produzir o nível superior de organização. Isso faz a energia ser absorvida pelos blocos e padrões ocultos que impedem a integração superior. Isso resulta em sua energização e desvelamento, que permitem que os reconheçamos e lidemos com eles. Nesses casos, a experiência costuma ter uma qualidade dolorosa e a sua origem transpessoal costuma passar despercebida. Mas, na realidade, o valor é o mesmo, pois a experiência pode mostrar à pessoa os próximos passos a serem dados para ela alcançar os mesmos alvos e estados, assim como nos outros casos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com efeito, é importante lembrar que a experiência da pessoa não costuma enquadrar-se perfeitamente em nenhuma dessas categorias definidas. A maioria das experiências espirituais contém uma combinação, em várias proporções, de mudanças permanentes, de mudanças temporárias, do reconhecimento de obstáculos que devem ser vencidos e da vivida compreensão do que significa existir nesse plano superior de integração. Essa compreensão torna-se um modelo ideal, um farol luminoso na direção do qual se pode navegar e que se pode eventualmente alcançar pelos próprios meios. Mas a vivência da retirada das energias transpessoais e da perda do estado de ser exaltado é necessariamente dolorosa e pode, em alguns casos, produzir reações fortes e sérios problemas. A personalidade redesperta e se afirma com força renovada. Todas as pedras e resíduos que tinham sido cobertos e ocultados pela maré cheia surgem outra vez. Ocorre por vezes a vitalização de propensões e impulsos inferiores até então adormecidos no inconsciente pelo influxo de energias superiores, ou a sua rebelião amarga contra as novas aspirações e propósitos, que constituem um desafio e uma ameaça à sua expressão descontrolada. A pessoa, cuja consciência moral está agora mais aperfeiçoada e exigente e cuja ânsia de perfeição tornou-se mais intensa, julga com maior severidade e condena a própria personalidade com renovada veemência; ela pode alimentar a crença errônea de que se tornou ainda menos do que era. Às vezes, a reação da personalidade se intensifica a tal ponto que leva o indivíduo a negar de fato o valor e até a realidade de sua experiência recente. Surgem na mente dúvidas e críticas e ele é tentado a encarar a coisa toda como uma ilusão, uma fantasia ou uma intoxicação emocional. Torna-se amargo e sarcástico, ridiculariza a si e aos outros, e até vira as costas aos seus ideais e aspirações superiores. Contudo, por mais que tente, não pode retornar ao seu antigo estado; ele teve a visão, e a beleza e o poder de atração dela permanecem com ele apesar de seus esforços para suprimi-los. Ele não pode aceitar a vida cotidiana como antes nem satisfazer-se com ela. É assaltado por uma "saudade do divino" que não o deixa em paz. Em casos extremos, a reação pode ser tão intensa que se torna patológica, produzindo um estado de depressão e até de desespero, com impulsos suicidas. Essa condição muito se assemelha com a depressão psicótica - antes denominada "melancolia" -, caracterizada por um agudo sentido de indignidade, uma auto-depreciação e uma auto-acusação sistemáticas, que podem ficar vividas a ponto de gerarem o delírio de que se está no inferno, condenado por todo o sempre. Há também uma forte e dolorosa sensação de incompetência intelectual; uma paralisia da força de vontade, acompanhada por indecisão e incapacidade de agir. Mas, no caso de quem teve um despertar interior ou alguma realização espiritual, esses distúrbios não devem ser considerados uma mera condição patológica; têm causas distintas, muito mais profundas, como o indicaram Platão e São João da Cruz com analogias semelhantes. Platão, na famosa alegoria contida no Livro Sete da República, compara o homem não iluminado com prisioneiros numa caverna ou gruta escura, e diz: No início, quando algum deles se liberta e é subitamente compelido a levantar-se e a olhar em torno, caminhando na direção da luz, sobrevém-lhe agudas dores; o clarão o incomodará e ele não poderá ver as realidades cujas sombras vira em seu estado anterior. São João da Cruz usa palavras curiosamente semelhantes ao falar da experiência que denominou "a noite escura da alma": O eu está nas trevas porque é cegado por uma luz acima de suas condições... Tal como os olhos enfraquecidos e toldados padecem quando a clara luz os atinge, assim também o espírito, em razão de sua impureza, sofre inexcedíveis dores quando a Luz Divina brilha de fato sobre ele. E quando os raios da pura Luz reluzem sobre o espírito para expelir as impurezas, este se percebe tão impuro e insignificante que tem a impressão de que Deus Se pôs contra ele e de que ele mesmo se contrapôs a Deus. As palavras de São João sobre a "luz" que "reluz sobre o espírito para expelir as impurezas" tratam da natureza essencial do processo. Mesmo do ponto de vista limitado da personalidade, isso pode parecer um retrocesso ou uma fase indesejável - "tem a impressão de que Deus Se pôs contra ele e de que ele mesmo se contrapôs a Deus" -, da perspectiva muito mais ampla do Eu Transpessoal, essa fase, muitas vezes chamada, adequadamente, de "purgação", é na verdade um dos mais úteis e frutíferos estágios do crescimento. A luz do Eu brilha sobre as "impurezas" e as traz à consciência do indivíduo para facilitar o seu processo de trabalho com elas. Embora por vezes possa ser laborioso, esse processo é um aspecto fundamental de um canal confiável e permanente de contato entre a pessoa e a sua natureza transpessoal ou supraconsciente. O modo correto de lidar com alguém afetado por esse tipo de crise consiste em transmitir-lhe uma real compreensão da natureza da crise. É como se a pessoa tivesse voado até o topo da montanha, banhada pela luz do sol, e percebesse a glória e a beleza do panorama que se estendia aos seus pés, mas tivesse sido obrigada a voltar, com relutância, reconhecendo, arrependida, que o difícil caminho para o alto deve ser trilhado passo a passo. O reconhecimento de que essa descida - ou "queda" - é um evento natural traz alívio emocional e mental e encoraja o indivíduo a empreender a difícil tarefa de enfrentar o caminho da Auto-Realização. Em última análise, a crise é superada com a percepção de que o valor verdadeiro e mais profundo da experiência é o fato de oferecer, como eu disse, uma "visão palpável" de um melhor estado de ser e, portanto, um mapa, um modelo ideal para o qual a pessoa pode dirigir-se e que pode tornar-se uma realidade permanente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O Processo de Transmutação&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse estágio segue o reconhecimento de que as condições necessárias a serem atendidas para a elevada façanha da Auto-Realização são uma regeneração e uma transmutação completas da personalidade. Trata-se de um processo longo e multilateral que compreende várias fases: a remoção ativa dos obstáculos ao influxo e à operação das energias supraconscientes; o desenvolvimento das funções superiores adormecidas ou não-desenvolvidas; e períodos em que se pode deixar o Eu Superior agir, mediante a receptividade à sua orientação. Trata-se de um período deveras frutuoso e memorável, cheio de mudanças, ou de alternâncias entre luz e trevas, entre alegria e sofrimento. É uma época de transição, de saída da velha condição sem ter ainda alcançado a nova de maneira firme; um estágio intermediário em que, como bem se disse, a pessoa é como uma lagarta em transformação na borboleta alada. Mas o indivíduo em geral não tem a proteção de um casulo onde passar a metamorfose em paz e em recolhimento. Ele deve - particularmente em nossos dias - permanecer onde está na vida e continuar a cumprir da melhor maneira as suas tarefas familiares, profissionais e sociais. É um problema semelhante ao dos engenheiros que reparam uma estação ferroviária sem interromper o tráfego. Apesar dos desafios desse empreendimento, a pessoa vai sentindo, em sua ação, um progresso gradual e crescente. Sua vida fica impregnada de um sentido de significado e de propósito, as tarefas corriqueiras são vitalizadas e elevadas pela sua crescente consciência do seu lugar num esquema mais amplo de coisas. Com a passagem do tempo, o indivíduo reconhece com maior plenitude e de modo mais claro o caráter da realidade, do homem e de sua própria natureza superior. Começa a desenvolver um quadro conceitual mais coerente que lhe permite melhor entender o que observa e vive, e que lhe serve não apenas de meio de orientação para um conhecimento mais profundo, como também de fonte de serenidade e ordem em meio às circunstâncias mutantes da vida. Como resultado, ele começa a dominar cada vez mais tarefas que antes pareciam além da sua capacidade. Autuando, cada vez mais a partir de um centro superior de unificação da personalidade, ele harmoniza os seus diversos elementos de personalidade numa progressiva unidade; e essa integração mais completa dá-lhes maior eficácia e mais alegria.Esses são os resultados geralmente observados, no curso de um longo período de tempo, como decorrência do processo de transmutação da personalidade sob o impulso de energias supraconscientes. Mas o processo nem sempre tem fluidez absoluta. Isso não causa surpresa, dada a complexidade da tarefa de refazer a personalidade em meio às circunstâncias da vida diária. Como regra geral, algumas dificuldades existem em quase todos os casos e é possível observarmos estágios temporários em que se manifestam condições opostas às que mencionei. Isso costuma ocorrer imediatamente depois da passagem do auge de excitação, e o indivíduo retorna à sua tarefa dual de autotransformação e atendimento das muitas exigências da vida. A aprendizagem da habilidade de usar as próprias energias dessa forma em geral demora algum tempo e pode durar o tempo que antecede a implementação equilibrada das duas tarefas e sua eventual compreensão como uma única atividade. Por isso, não espanta encontrarmos estágios em que a pessoa fica tão envolvida com a autotransformação que a sua capacidade de lidar de maneira bem-sucedida com os problemas e atividades da vida normal pode ser prejudicada. Observada de fora e avaliada em termos da eficiência comum, orientada para resultados, ela pode parecer temporariamente menos capaz do que antes. Nesse estágio transitório, a pessoa pode não escapar de julgamentos injustos por parte de amigos ou de terapeutas bem-intencionados mas sem iluminação, podendo vir a ser alvo de observações pungentes e sarcásticas sobre como os seus "elevados" ideais e aspirações espirituais a tornam fraca e incapaz na vida prática. Esse tipo de crítica é muito doloroso e sua influência pode gerar dúvidas e desânimo. Quando ocorre, essa provação constitui um dos testes a serem enfrentados no caminho da Auto-Realização. Seu valor está no fato de ensinar a vencer a sensibilidade pessoal, constituindo uma oportunidade de desenvolvimento da independência interior e da autoconfiança sem ressentimentos. Deve-se aceitá-la com alegria ou, ao menos, com serenidade, e usá-la como uma oportunidade de criação de força interior. Se, por outro lado, as pessoas do ambiente do indivíduo forem iluminadas e compreensivas, sua ajuda será grande e lhe poupará muitos atritos e sofrimentos. Esse estágio passa, com o tempo, à medida que a pessoa aprende a dominar e a unificar a sua tarefa dual. Mas quando as complexidades da tarefa não são reconhecidas nem aceitas, as tensões naturais do crescimento, presentes no processo, podem ser exacerbadas, durar por longos períodos ou se repetirem com freqüência desnecessária. Isso ocorre em especial quando o indivíduo se envolve tanto no processo de auto-transformação que exclui o mundo exterior com uma introversão obstinada e excessiva. No crescimento humano, são naturais os períodos de introversão saudável; mas se forem levados a extremos ou transformados em atitude geral de afastamento da vida do mundo, podem gerar inúmeras dificuldades para a pessoa, não somente com amigos, colegas e familiares impacientes e críticos como interiormente, quando a introversão natural se torna auto-obsessão. Dificuldades semelhantes podem surgir se a pessoa não lidar com seus aspectos negativos revelados no processo de despertar espiritual. Em vez de transmutá-Ios, ela pode refugiar-se em fantasias interiores de perfeição atingida ou em fugas imaginárias. Mas o conhecimento reprimido das imperfeições reais o assombra e aqueles que a cercam contestam as suas fantasias. Sob essa dupla pressão, não é incomum que a pessoa seja acometida por uma variedade de problemas psicológicos, como insônia, depressão emocional, exaustão, aridez, agitação mental e inquietação. Esses distúrbios produzem com facilidade toda espécie de sintomas e desordens de natureza física. Muitos desses problemas podem ser bastante reduzidos ou eliminados de vez mediante a busca do próprio processo de crescimento com afinco, dedicação e zelo, mas sem identificação com ele. O cultivo de um compromisso desapegado dá à pessoa a flexibilidade necessária para a máxima realização da tarefa. O indivíduo pode então aceitar as tensões exigidas do processo novo e complexo; pode recusar-se a ter autopiedade a partir do perfeccionismo frustrado; pode aprender a ver a si mesmo com humor e dispor-se a fazer experiências com mudanças e arriscar-se a mudar; e pode voltar-se, com auto-aceitação de suas atuais limitações, para pessoas competentes - terapeutas profissionais, conselheiros ou amigos iluminados – em busca de apoio e de orientação. Outro conjunto de dificuldades pode ser causado pelo esforço pessoal excessivo de aceleração de percepções superiores mediante a inibição e a repressão violentas dos impulsos agressivos e sexuais - tentativa que só serve para intensificar os conflitos e os seus efeitos. Essa atitude costuma resultar de concepções morais e religiosas demasiado rígidas e dualistas. Isso provoca a condenação dos impulsos naturais, considerados "ruins" ou "pecaminosos". Hoje, um grande número de pessoas abandonou conscientemente essas atitudes, mas ainda pode estar inconscientemente condicionado por elas em alguma medida. Essas pessoas podem manifestar ambivalência ou oscilação entre duas atitudes extremas - a repressão rígida e a expressão incontrolada de todos os impulsos. Esta última, embora catártica, não é uma solução aceitável do ponto de vista ético nem da perspectiva psicológica; ela sempre produz novos conflitos - entre os vários impulsos básicos, ou entre eles e as barreiras impostas pelas convenções sociais e pelas exigências das relações interpessoais. A solução está, na verdade, ao longo das linhas de uma gradual reorientação e de uma gradativa integração harmoniosa de todos os impulsos da personalidade, primeiro por meio de reconhecimento, da aceitação e da coordenação adequados deles e, depois, pela transformação ou sublimação da quantidade excessiva ou não utilizada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(6) A realização dessa integração pode ser bastante facilitada pela ativação de funções supraconscientes e pelo direcionamento deliberado para o Eu Transpessoal. Esses interesses mais amplos e de natureza superior agem como um ímã, que atrai para cima a "libido" ou energia psíquica investida nos impulsos "inferiores". Um tipo final de dificuldade que merece menção pode atingir o indivíduo em períodos nos quais o fluxo de energias supraconscientes é fácil e abundante. Se não for controlado com sabedoria, esse fluxo energético tanto pode perder-se numa excitação e numa atividade febris, como, pelo contrário, manter-se em demasia paralisado e inexpressivo, o que provoca o seu acúmulo e pode levar a sua alta pressão a causar problemas físicos. A solução apropriada é dirigir, de maneira propositada, construtiva ou harmoniosa, esse influxo de energia para a operação da regeneração interior, da expressão criativa e do serviço proveitoso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O Papel do Guia&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vivemos uma época em que um número cada vez maior de pessoas passa pelo despertar espiritual. Por essa razão, os terapeutas, conselheiros e outros profissionais assistenciais, assim como leigos, podem ser chamados a servir de recursos e de guias a pessoas que se acham nessa situação. Por conseguinte, pode ser útil considerar a função da pessoa passível de estar próxima de alguém submetido a esse processo, bem como alguns dos problemas nele envolvidos. Em primeiro lugar, não devemos perder de vista o fato central de que, embora possam ter bastante semelhança exterior, e até uma aparente identidade entre si, os problemas que podem acompanhar as várias fases da Auto-Realização e os problemas da vida normal têm causas e significações muito distintas, devendo ser tratados de maneiras correlativamente diferentes. Em outras palavras, a situação existencial em cada caso é não somente outra, como, num certo sentido, oposta. As dificuldades psicológicas da pessoa comum costumam ter um caráter regressivo. Esses indivíduos não conseguiram fazer alguns dos ajustes interiores e exteriores que constituem o desenvolvimento normal da personalidade. Diante de situações difíceis, responderam com reversão a formas de comportamento adquiridos na infância, ou jamais ultrapassaram de fato certos padrões infantis, quer os reconheçam como tais, quer os racionalizem. Por outro lado, as dificuldades advindas da tensão e do esforço nos vários estágios da Auto-Realização têm, como eu disse antes, um caráter especificamente progressivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(7) Elas se devem ao estímulo gerado por energias supraconscientes, pelo "impulso vindo de cima", pelo chamado do Eu, tendo como determinantes particulares o conseqüente conflito entre essas energias e os aspectos "médios" ou "inferiores" da personalidade. Jung descreveu a crise de forma marcante: Ser "normal" é uma esplêndida idéia para os fracassados, para todos os que ainda não conseguiram sua adaptação. Mas para pessoas dotadas de uma capacidade bem maior do que a da média, para quem jamais é difícil alcançar o sucesso e cumprir a sua parte na obra do mundo - para essas pessoas, limitar-se a ser normal representa o leito de Procusto, o tédio insuportável, a esterilidade e o desespero infernais. Em conseqüência, há tantas pessoas que ficam neuróticas porque são apenas normais, como há pessoas que o são porque não podem tornar-se normais. É claro que o modo de ajudar esses dois grupos distintos de pessoas deve ser totalmente diferente. É provável que a ação apropriada para o primeiro grupo seja não somente insatisfatória como perniciosa para o segundo. O destino das pessoas do primeiro grupo é duplamente difícil se elas são guiadas por quem não compreende nem sabe avaliar as funções supraconscientes, que ignora ou nega a realidade do Eu e a possibilidade da Auto-Realização. Esse guia pode ridicularizar as incertas aspirações superiores da pessoa ou persuadi-la a reforçar a couraça da personalidade contra a insistente batida do Eu Transpessoal. Isso pode agravar a condição, intensificar a luta e retardar a solução. Por outro lado, um guia de inclinação espiritual, ou que ao menos entenda as realidades e realizações superiores e tenha simpatia por elas, pode ser de grande ajuda ao indivíduo quando este, como é costumeiro, ainda estiver no primeiro estágio, o da insatisfação, da agitação e da busca inconsciente. Se este tiver perdido o interesse pela vida, se a existência cotidiana não o atrai, se ele estiver procurando alívio em direções erradas, indo e vindo por becos sem saída, e se ainda não vislumbrou a realidade superior, a revelação da causa real do seu problema e a indicação da solução indesejada, do feliz desfecho da crise, podem constituir um apoio precioso na geração do despertar interior, que é, por si só, a principal parte da resolução. O segundo estágio, da excitação emocional e da exaltação - em que a pessoa pode ser levada por um entusiasmo excessivo e cultiva a ilusão de ter conseguido uma realização permanente - requer uma delicada advertência de que o seu estado de bênção é necessariamente temporário e uma indicação das vicissitudes que a esperam. Isso a preparará para o início da terceira etapa, que costuma envolver, como vimos, uma reação dolorosa e, por vezes, uma profunda depressão, à medida que a pessoa "desce" de sua experiência superior. Se tiver sido advertido de antemão, o indivíduo poderá evitar muitos sofrimentos, dúvidas e desânimos. Se não tiver contado com essa espécie de alerta, pode receber do guia muita ajuda, configurada na confirmação de que a sua condição é temporária, e de forma alguma permanente ou desesperadora como ele se sente compelido a crer. O guia deve declarar com insistência que o recompensador resultado da crise justifica a angústia - por mais intensa - por que ele passa. Podemos dar-lhe grande alívio e encorajamento ao citarmos exemplos de pessoas que passaram por uma provação semelhante e saíram dela. No quarto estágio, durante o processo de transmutação - que é o mais longo e mais complicado -, o trabalho do guia é correspondentemente mais complexo. Alguns dos seus aspectos importantes são:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;• Esclarecer o indivíduo sobre o que de fato acontece dentro dele e ajudá-lo a encontrar a atitude correta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;• Ensiná-lo a controlar sabiamente e dominar, mediante o uso habilidoso da vontade, os impulsos vindos do inconsciente, sem reprimi-los por meio do medo ou da condenação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;• Ensinar-lhe as técnicas de transmutação e sublimação de energias agressivas e sexuais. Essas técnicas são a solução mais eficaz e construtiva de muitos conflitos psicológicos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;• Ajudá-lo no reconhecimento e na assimilação apropriados do influxo de energias do Eu e dos níveis supraconscientes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;• Ajudá-lo a expressar e a usar essas energias no amor e no serviço altruísticos. Isso tem especial validade no combate à tendência de introversão e de autocentração excessivas que costumam manifestar-se nesse e em outros estágios do autodesenvohimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;• Guiá-lo pelas várias fases da reconstrução de sua personalidade em torno de um centro interior superior, ou seja, na realização de sua psicossíntese espiritual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(8)Ao longo deste artigo, enfatizei o aspecto mais difícil e doloroso do desenvolvimento espiritual, mas não se deve concluir disso que quem está no caminho da Auto-Realização esteja mais propenso a ser afetado por distúrbios psicológicos do que outros homens e mulheres. O estágio de sofrimento mais intenso muitas vezes não ocorre. Em muitas pessoas, esse desenvolvimento se realiza de maneira gradual e harmoniosa, de modo que as dificuldades são superadas e os vários estágios percorridos sem reações severas de qualquer espécie. Por outro lado, as desordens emocionais ou sintomas neuróticos da pessoa comum costumam ser mais sérios, mais intensos e difíceis de suportar e de tratar terapeuticamente do que os vinculados com a Auto-Realização. É em geral difícil tratar deles de modo satisfatório porque, como os níveis e funções psicológicos superiores dessas pessoas ainda não foram ativados, há pouco a que recorrer para mostrar o valor de suportar os sacrifícios necessários e aceitar a disciplina requerida para fazer os devidos ajustes. Os problemas físicos, mentais e emocionais que surgem no caminho da Auto-Realização, por mais sérios que pareçam, não passam de reações temporárias, subprodutos, por assim dizer, de um processo orgânico de crescimento e de regeneração interiores. Portanto, ou desaparecem espontaneamente passada a crise que os causou ou cedem com facilidade ao tratamento adequado. Além disso, os sofrimentos decorrentes de períodos de depressão, de refluxo da vida interior, têm a abundante compensação dos períodos de renovado influxo de energias supraconscientes e da antecipação da liberação e do aprimoramento da personalidade inteira, a serem produzidos pela Auto-Realização. Essa visão é a mais potente inspiração, o alívio infalível e uma fonte constante de força e de coragem. Portanto, como dissemos, o mais importante é relembrar essa visão com a maior vivacidade e a maior freqüência possíveis. Um dos grandes serviços que podemos prestar a quem labuta no caminho é ajudar as pessoas a manter diante dos olhos a visão como o seu objetivo sempre presente. Por conseguinte, a pessoa poderá antecipar e ir experimentando de forma crescente o estado de consciência do indivíduo Auto-Realizado. Trata-se de uma condição caracterizada pelo júbilo, pela serenidade, pela segurança interior, pelo sentido de calma força, de claro entendimento e de amor radiante. Em seus aspectos mais elevados, trata-se da realização do Ser essencial, da comunhão e da identificação com a Vida Universal.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;"retirado do livro: Psicossíntese; de Roberto Assagioli."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-5062476847251820383?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/5062476847251820383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=5062476847251820383' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/5062476847251820383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/5062476847251820383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/auto-realizao-e-distrbios-psicolgicos.html' title='Auto-Realização e Distúrbios Psicológicos - Roberto Assagioli'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_h_jZ21hDHNc/SJZoaDiosJI/AAAAAAAAAAg/n58YRMpsKR8/s72-c/Assagioli.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3534526595437224891.post-989554438815708287</id><published>2008-08-03T20:59:00.016-02:00</published><updated>2008-08-10T20:31:52.762-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Insights'/><title type='text'>Existência - o êxtase da consciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJyCSalhH9I/AAAAAAAAAC4/odqjjtBd6BE/s1600-h/fractal-Mar02_2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232200119983611858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJyCSalhH9I/AAAAAAAAAC4/odqjjtBd6BE/s320/fractal-Mar02_2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O êxtase revelou a si próprio como sendo a existência.. Toda a realidade não passa de um êxtase da Consciência. No tempo cósmico se percebe eras aprisionadas em instantes. Entende-se que a dualidade é apenas um ciclo de estados do grande êxtase da Consciência cósmica.&lt;br /&gt;Vaguei durante o sempre no paradoxo do infinito, que resolvia a si mesmo infinitamente. Como uma caixa que se abre fechando em outra. Quando a questão é resolvida a caixa se abre. Um entendimento que precisaria de toda uma vida pra ser alcançado se revela em um insight. O vislumbre do entendimento se transforma em desespero quando se percebe que a caixa está novamente fechada, e que o insight anterior abriu de novo a mesma questão. Até que, quase imediatamente, vem outro insight e vislumbra-se a compreensão da mesma questão sob uma nova ótica. Até perceber que a caixa está fechada novamente e a mesma questão está aberta.&lt;br /&gt;Assim se forma um ciclo, onde o vislumbre pela compreensão de infinitos insights da mesma questão é alternado por desespero e confusão, por se ver preso em um paradoxo infinito, onde é impossível se chegar à solução, pois qualquer resposta abre de novo a questão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez o único fim seja a plena aceitação de que não existe o fim. Quando não se tem a ambição de desvelar a totalidade do mistério, e que ele sempre existirá fluindo no eterno processo de criação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lupa...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3534526595437224891-989554438815708287?l=integrandofragmentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/feeds/989554438815708287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3534526595437224891&amp;postID=989554438815708287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/989554438815708287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3534526595437224891/posts/default/989554438815708287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://integrandofragmentos.blogspot.com/2008/08/teia.html' title='Existência - o êxtase da consciência'/><author><name>Luis Paulo Lopes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h_jZ21hDHNc/SJyCSalhH9I/AAAAAAAAAC4/odqjjtBd6BE/s72-c/fractal-Mar02_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
